quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Provações e Orações

Referimo-nos, muitas vezes, as circunstancias dificeis, como sendo obices insuperaveis, trazidos por forcas cegas do destino, arrasando- nos a coragem e a alegria de viver, simplesmente porque, em certas ocasioes, as nossas suplicas ao Ceu não adquiriram respostas favoraveis e prontas. Outro, porem, ser-nos-a o ponto de vista, se considerarmos que os acontecimentos criticos sao carreados ate nos pelos recursos inteligentes da vida, certificando-nos a capacidade de auto-superação.
Imaginemos o desmantelo e a desordem que levariam no mundo se todos os nossos desejos fossem imediatamente atendidos. Por outro lado, analisemos a mutabilidade de nossas situacoes e disposicoes, e verificaremos que muitas das providências solicitadas por nos ao Suprimento Divino, quando concedidas, em muitos casos, ja nos encontram em outras faixa de peticao.
Daí, o carater ilicito de nossas queixas, quando alegamos que o Senhor nem sempre nos ouve nos dias de angustia. Hoje, queremos isso ou aquilo, amanha ja nao queremos aquilo ou isso.
Disputamos a posse de objeto determinado e passamos a desinteressar- nos da concessao, depois de obtida.
Como esperar que a Divina Misericórdia nos suprima o amparo ou o remedio, o socorro ou a lição, se as horas dificeis sao os instrumentos de que carecemos para que se nos sulque convenientemente o espirito para as tarefas do necessario burilamento?
Se provacoes constrangedoras te alcancam a estrada, nao te permitas a omissão da luta, atraves de fuga ou desanimo. Persevera trabalhando na área em que te afligem, na certeza de que sao fatores de promocao a te elevarem de nivel.
Tolera as condicões desfavoráveis que te respondem na senda de cada dia, pois, se as aceitas, servindo e construindo, para logo observares que o amparo do Alto te sustenta na travessia de todas elas, porque em nenhum lugar e em tempo algum estaremos separados de Deus.

(Obra: Alma e Coração - Chico Xavier / Emmanuel)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Felicidade que a Prece Proporciona

23. Vinde, vós que desejais crer. Os Espíritos celestes acorrem a vos anunciar grandes coisas. Deus, meus filhos, abre os seus tesouros, para vos outorgar todos os beneficios. Homens incrédulos! Se soubésseis quão grande bem faz a fé ao coração e como induz a alma ao arrependimento e à prece! A prece! ah! como são tocantes as palavras que saem da boca daquele que ora! A prece é o orvalho divino que aplaca o calor excessivo das paixões. Filha primogênita da fé, ela nos encaminha para a senda que conduz a Deus. No recolhimento e na solidão, estais com Deus. Para vós, já não há mistérios; eles se vos desvendam. Apóstolos do pensamento, é para vós a vida. Vossa alma se desprende da matéria e rola por esses mundos infinitos e etéreos, que os pobres humanos desconhecem.
Avançai, avançai pelas veredas da prece e ouvireis as vozes dos anjos. Que harmonia! Já não são o ruído confuso e os sons estrídulos da Terra; são as liras dos arcanjos; são as vozes brandas e suaves dos serafins, mais delicadas do que as brisas matinais, quando brincam na folhagem dos vossos bosques. Por entre que delícias não caminhareis! A vossa linguagem não poderá exprimir essa ventura, tão rápida entra ela por todos os vossos poros, tão vivo e refrigerante é o manancial em que, orando, se bebe. Dulçurosas vozes, inebriantes perfumes, que a alma ouve e aspira, quando se lança a essas esferas desconhecidas e habitadas pela prece! Sem mescla de desejos carnais, são divinas todas as aspirações. Também vós, orai como o Cristo, levando a sua cruz ao Gólgota, ao Calvário. Carregai a vossa cruz e sentireis as doces emoções que lhe perpassavam nalma, se bem que vergado ao peso de um madeiro infamante. Ele ia morrer, mas para viver a vida celestial na morada de seu Pai.

Santo Agostinho. (Paris, 1861.)

(Obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XXVII)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A MAIOR DAS TENTAÇÕES

A oração do Pai Nosso, a única que Jesus nos ensinou, fala-nos em um trecho, fonte de muitas meditações: "Não nos deixeis cair em tentação".

No Espiritismo sabemos que podemos receber influências de espíritos
ignorantes que tentam desviar-nos do caminho do bem, tentações que quase
sempre nos oferecem facilidades. E na Terra, principalmente nos dias de
hoje, as tentações encontram-se em toda parte: na publicidade, nos meios de
lazer, em companheiros encarnados, etc.

Mas, nossa maior tentação são nossos próprios defeitos e tendências. E são
estas também as mais difíceis de serem vencidas. Vencedores são aqueles que
vencem a si mesmos, conhecem seus defeitos e se esforçam por combatê-los. E
temos armas para os que querem vencer: oração, caridade, estudo do Evangelho e a leitura dos livros espíritas, nos quais achamos a consolação e o entendimento.

Há também a necessidade de vigiarmos nossos pensamentos. Os bons pensamentos nos iluminam, enquanto os maus pensamentos nos deixam à mercê dos maus espíritos.

Oremos o Pai-Nosso, peçamos com firmeza, mas tenhamos sempre o propósito de
melhorar, vencer as tentações, as facilidades do mundo atual, para que
possamos crescer espiritualmente.


Antônio Carlos
(Psicografada por Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Acorda e Ajuda

"Segue-me e deixa aos mortos o cuidado de enterrar os mortos."
(Mt: 8, 22)



Jesus não recomendou ao aprendiz deixasse "aos cadáveres o cuidado de enterrar os cadáveres", e sim conferisse "aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos".

Há, em verdade, grande diferença.

O cadáver é carne sem vida, enquanto um morto é alguém que se ausenta da vida.

Há muita gente que perambula nas sombras da morte sem morrer.

Trânsfugas da evolução, cerram-se entre as paredes da própria mente, cristalizados no egoísmo ou na vaidade, negando-se a partilhar a experiência comum.

Mergulham-se em sepulcros de ouro, de vício de amargura e ilusão.

Se vitimados pela tentação da riqueza, moram em túmulos de cifrões; se derrotados pelos hábitos perniciosos, encarceram-se em grades sombra; se prostrados pelo desalento, dormem no pranto da bancarrota moral, e, se atormentados pelas mentiras com que envolvem a si mesmos, residem sob as lápides, dificilmente permeáveis, dos enganos fatais.

Aprende a participar da luta coletiva.

Sai, cada dia, de ti mesmo, e busca sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias de teu irmão e ajuda quanto possas.

Não te galvanizes na esfera do próprio "eu".

Desperta e vive com todos, por todos e para todos, porque ninguém respira tão somente para si.

Em qualquer parte do Universo, somos usufrutuários do esforço e do sacrifício de milhões de existências.

Cedamos algo de nós mesmos, em favor dos outros, pelo muito que os outros fazem por nós.

Recordemos, desse modo, o ensinamento do Cristo.

Se encontrares algum cadáver, dá-lhe a bênção da sepultura, na relação das tuas obras de caridade, mas, em se tratando da jornada espiritual, deixa sempre "aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos


(Obra: Fonte Viva - Chico Xavier / Emmanuel)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nos Momentos Graves

Use calma. A vida pode ser um bom estado de luta, mas o estado de guerra
nunca será uma vida boa.

Não delibere apressadamente. As circunstâncias, filhas dos Desígnios
Superiores, modificam-nos a experiência, de minuto a minuto.

Evite lágrimas inoportunas. O pranto pode complicar os enigmas ao invés de
resolvê-los.

Se você errou desastradamente, não se precipite no desespero. O reerguimento
é a melhor medida para aquele que cai.

Tenha paciência. Se você não chega a dominar-se, debalde buscará o
entendimento de quem não o compreende ainda.

Se a questão é excessivamente complexa, espere mais um dia ou mais uma
semana, a fim de solucioná-la. O tempo não passa em vão.

A pretexto de defender alguém, não penetre o círculo barulhento. Há Pessoas
que fazem muito ruído por simples questão de gosto.

Seja comedido nas resoluções e atitudes. Nos instantes graves, nossa
realidade espiritual é mais visível.

(Obra:Agenda Cristã - Chico Xavier/André Luiz)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A MORTE

Porque a morte propicia tanto sofrimento e catadupas de pranto, acarretando desespero no mundo, é válido lembremos que:


  • a semente morre para que surja a plântula tenra;

  • transforma-se a ostra, de modo a produzir a pérola preciosa;

  • estiola-se a flor, emurchecida, a fim de que provenha o fruto que guarda, na essência, o sabor;

  • morre o dia nas tintas do poente, de modo que o véu cintilante da noite envolva a Terra;

  • morre a noite, entre as lágrimas do orvalho, para que o manto aurifulgente do dia consiga embelezar a amplidão;

  • o rio morre na exuberância do mar;

  • fana-se o homem para que se liberte o espírito, antes cativo.



* * *

À frente disso, vemos que a morte é sempre a chave que desata o perfume da vida. Não há morte, essencialmente. Tudo é transformação, tudo é recriação...
A lágrima de agora se tornará sorriso.
A dor atual prepara a ventura porvindoura.
A saudade que punge hoje, fomenta o sublime reencontro de logo mais.
Morte é vida, agora o sabemos...

* * *

Habitue-se, caro coração, a refletir a respeito da morte, com serenidade e confiança em Deus, porque você não ignora que, por mais se aturda, desarvore ou se inconforme, essa é a única regra para a qual não se conhece exceção.
Prepare-se, amando e trabalhando no bem grandioso, até que você, um dia, igualmente se transforme em ave libertada da prisão – escola corporal.
A morte tão somente revela a vida mais amplamente. Pense nisso.

(Rosângela - Mensagem psicografada pelo médium J. Raul Teixeira)

Perda de Pessoas Amadas e Mortes Prematuras

Quando a morte vem ceifar em vossas famílias, levando sem consideração os jovens em lugar dos velhos, dizeis freqüentemente: “Deus não é justo, pois sacrifica o que está forte e com o futuro pela frente, para conservar os que já viveram longos anos, carregados de decepções: leva os que são úteis e deixa os que não servem para nada mais; fere um coração de mãe, privando-o da inocente criatura que era toda a sua alegria”.

Criaturas humanas, é nisto que tendes necessidades de vos elevar, para compreender que o bem está muitas vezes onde pensais ver a cega fatalidade. Por que medir a justiça divina pela medida da vossa? Podeis pensar que o Senhor dos Mundos queira, por um simples capricho, infligir-vos penas cruéis? Nada se faz sem uma finalidade inteligente, e tudo o que acontece tem a sua razão de ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos atingem, sempre encontraria nela a razão divina, razão regeneradora, e vossos miseráveis interesses representariam uma consideração secundária, que relegaríeis ao último plano.

Acreditai no que vos digo: a morte é preferível, mesmo numa encarnação de vinte anos, a esses desregramentos vergonhosos que desolam as famílias respeitáveis, ferem um coração de mãe, e fazem branquear antes do tempo os cabelos dos pais. A morte prematura é quase sempre um grande benefício que Deus concede ao que se vai, sendo assim preservado das misérias da vida, ou das seduções que poderiam arrastá-lo à perdição. Aquele que morre na flor da idade não é uma vítima da fatalidade, pois Deus julga que não lhe será útil permanecer maior tempo na Terra.

É uma terrível desgraça, dizeis, que uma vida tão cheia de esperanças seja cortada tão cedo! Mas de que esperanças quereis falar? Das esperanças da Terra onde aquele que se foi poderia brilhar, fazer sua carreira e sua fortuna? Sempre essa visão estreita, que não consegue elevar-se acima da matéria! Sabeis qual teria sido a sorte dessa vida tão cheia de esperanças, segundo entendeis? Quem vos diz que ela não poderia estar carregada de amarguras? Considerais como nada as esperanças da vida futura, preferindo as da vida efêmera que arrastais pela Terra? Pensais, então, que mais vale um lugar entre os homens que entre os Espíritos bem-aventurados?

Regozijai-vos em vez de chorar, quando apraz a Deus retirar um de seus filhos deste vale de misérias. Não é egoísmo desejar que ele fique, para sofrer convosco? Ah! Essa dor se concebe entre os que não têm fé e que vêem na morte a separação eterna. Mas vós, espíritas, sabeis que a alma vive melhor quando livre de seu invólucro corporal. Mães, vós sabeis que vossos filhos bem-aventurados estão perto de vós: sim, eles estão bem perto; seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, vossa lembrança os inebria de contentamento; mas também as vossas dores sem razão os afligem, porque revela uma falta de fé e constituem uma revolta contra a vontade de Deus.

Vós que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações de vosso coração, chamando esses entes queridos. E se pedirdes a Deus para os abençoar, sentireis em vós mesmas a consolação poderosa que faz secarem as lágrimas, e essas aspirações sedutoras, que vos mostram o futuro prometido pelo soberano Senhor.

Texto retirado d´O Eangelho Segundo o Espiritismo” – Cap. V (Bem Aventurados os Aflitos)