terça-feira, 15 de setembro de 2026
DUELOS DE ONTEM E DE HOJE - Dos duelos de espada aos duelos nas redes sociais
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Setembro Amarelo: a visão espírita sobre o suicídio e a valorização da vida
O Setembro Amarelo surgiu com o propósito de ampliar o diálogo sobre a prevenção do suicídio, combater preconceitos e incentivar as pessoas em sofrimento emocional a procurarem ajuda. Em 2026, o Centro de Valorização da Vida (CVV) escolheu como tema da campanha a frase “Escutar é estar presente”.
É uma mensagem simples, mas profunda. Muitas vezes, quem sofre não precisa, num primeiro momento, de discursos ou de respostas prontas. Precisa ser ouvido. Precisa perceber que existe alguém disposto a permanecer ao seu lado.
Sob a ótica espírita, essa valorização da vida ganha ainda outro significado.
A vida como oportunidade concedida por Deus
Para o Espiritismo, a existência corporal não começa no nascimento nem termina com a morte. Somos Espíritos imortais, vivendo temporariamente uma experiência no corpo físico.
Cada encarnação constitui uma oportunidade de aprendizado, reparação, crescimento e desenvolvimento espiritual.
Por isso, mesmo quando a existência apresenta dificuldades que parecem insuportáveis, a Doutrina Espírita convida-nos a enxergar além do momento presente.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, ao tratar do suicídio, Allan Kardec apresenta justamente a esperança na continuidade da vida como um dos elementos capazes de fortalecer a pessoa diante das dificuldades.
Isso não significa minimizar a dor de ninguém.
Dizer simplesmente a alguém que está sofrendo que ela precisa “ter fé”, “ser forte” ou “aceitar sua prova” pode ser insuficiente e até cruel quando não vem acompanhado de acolhimento verdadeiro.
A própria caridade ensinada por Jesus exige muito mais.
Exige presença.
Exige escuta.
Exige cuidado.
O suicídio não deve ser tratado com julgamento
Durante muito tempo, diferentes sociedades e tradições religiosas trataram o suicídio quase exclusivamente sob o ponto de vista da condenação.
A visão espírita, embora considere que a vida não deve ser voluntariamente interrompida, também nos ensina que a responsabilidade espiritual nunca pode ser julgada de maneira simplista.
Existem circunstâncias, estados emocionais, transtornos mentais e diferentes níveis de consciência que somente Deus pode avaliar plenamente.
Portanto, diante de uma pessoa que morreu por suicídio, a atitude cristã não é condenar.
É orar.
É acolher os familiares.
É confiar na misericórdia divina.
E, principalmente, quando alguém ainda está entre nós enfrentando pensamentos de morte, nossa responsabilidade não é julgá-lo, mas ajudá-lo.
A dor passa, ainda que naquele momento pareça não passar
Uma das ideias apresentadas por Kardec é a de que o sofrimento terreno, por mais difícil que seja, possui duração limitada diante da eternidade.
Quem atravessa uma crise emocional profunda, entretanto, frequentemente perde essa perspectiva.
A pessoa pode acreditar que a dor de hoje será também a dor de amanhã, do próximo mês e de toda a sua existência.
Por isso, uma das grandes tarefas de quem está próximo é ajudá-la a atravessar aquele momento.
Não precisamos resolver toda a vida de alguém.
Às vezes, precisamos ajudá-la apenas a chegar ao próximo dia.
E depois ao outro.
Até que ela consiga novamente enxergar possibilidades que naquele momento estavam encobertas pelo sofrimento.
“Escutar é estar presente”
O tema do Setembro Amarelo de 2026 aproxima-se de maneira muito bonita do ensinamento de Jesus sobre o amor ao próximo.
Escutar verdadeiramente alguém é uma forma de caridade.
Escutar sem interromper.
Sem transformar a conversa em uma comparação com nossos próprios problemas.
Sem dizer “isso não é nada”.
Sem acusar a pessoa de falta de fé.
Sem oferecer respostas espirituais como substituição para cuidados médicos e psicológicos.
Uma pessoa em sofrimento psíquico pode precisar de acompanhamento de psicólogo, psiquiatra ou outros profissionais de saúde. Fé e tratamento não são adversários.
O conhecimento médico também pode ser compreendido como instrumento da Providência Divina a serviço da vida.
Da mesma maneira, quem possui fé pode encontrar nela uma poderosa fonte de esperança, desde que essa espiritualidade seja utilizada para acolher e fortalecer, jamais para culpabilizar.
A visão espírita é, sobretudo, uma mensagem de esperança
Talvez uma das maiores contribuições do Espiritismo para a valorização da vida seja afirmar:
nenhuma situação é eterna.
A existência continua.
O Espírito continua aprendendo.
Novas oportunidades surgem.
A dor pode se transformar.
Os caminhos podem mudar.
E enquanto houver vida, existe possibilidade de recomeço.
A pessoa que hoje não consegue perceber uma saída pode enxergá-la amanhã com ajuda adequada.
Por isso, não devemos abandonar ninguém dentro de sua própria escuridão.
Quando alguém disser “não aguento mais”
Talvez não seja o momento de dar uma palestra.
Talvez seja o momento de sentar ao lado.
Perguntar:
“Quer conversar?”
“Como posso ajudar?”
“Posso ficar com você?”
E, diante de uma situação de risco, ajudar aquela pessoa a procurar atendimento profissional imediatamente.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, além de outros canais de atendimento.
Buscar ajuda não é demonstração de fraqueza.
É uma decisão em favor da vida.
Enquanto houver vida, há caminho
O Setembro Amarelo termina quando setembro acaba.
A necessidade de cuidar uns dos outros, não.
Que saibamos perceber aqueles que estão ao nosso redor.
Que nossas comunidades religiosas sejam espaços nos quais uma pessoa possa admitir que está sofrendo sem medo de julgamento.
Que a fé não seja uma cobrança, mas um abraço.
E que jamais nos esqueçamos de que, por trás de muitas pessoas que parecem fortes, podem existir batalhas que ninguém conhece.
A Doutrina Espírita apresenta a existência como uma jornada muito maior do que conseguimos enxergar neste momento.
Por isso, diante da dor, nossa mensagem deve ser sempre de esperança:
fique.
Procure ajuda.
Permita que alguém caminhe ao seu lado.
Uma página difícil não significa o fim da história.
Enquanto houver vida, ainda existe possibilidade de mudança, aprendizado, reencontro e recomeço.
E valorizar a vida talvez comece exatamente assim:
estando presentes uns para os outros.
Referências bibliográficas
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo V — “Bem-aventurados os aflitos”, itens 14 a 17, especialmente “O suicídio e a loucura”. Diversas edições.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Quarta — “Das esperanças e consolações”, questões referentes ao suicídio e suas consequências. Diversas edições.
CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA — CVV. Setembro Amarelo — Mês de Prevenção ao Suicídio. Campanha Setembro Amarelo 2026: “Escutar é estar presente”. São Paulo: CVV, 2026.
CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA — CVV. Escutar é estar presente. Setembro de 2026.
KARDECPEDIA. O Evangelho segundo o Espiritismo — Capítulo V: Bem-aventurados os aflitos — O suicídio e a loucura. Consulta em setembro de 2026.
Importante: pensamentos de suicídio e situações de risco precisam ser tratados também como questão de saúde. O CVV oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188. Em situações de emergência ou risco imediato, deve-se procurar atendimento de urgência.
terça-feira, 8 de setembro de 2026
O ódio e o desafio de amar os inimigos
terça-feira, 1 de setembro de 2026
A vingança e o desafio de pagar o mal com o bem
É justamente contra esse impulso que o Evangelho nos convida a lutar.
No capítulo XII de O Evangelho segundo o Espiritismo, intitulado “Amai os vossos inimigos”, Allan Kardec reúne ensinamentos que representam um dos aspectos mais difíceis da moral cristã. O próprio capítulo começa com a seção “Retribuir o mal com o bem” e, mais adiante, nas Instruções dos Espíritos, apresenta a mensagem “A vingança”, assinada por Jules Olivier, Paris, 1862.
Jesus e a resposta ao mal
Jesus ensinou:
“Amai os vossos inimigos [...] fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem.”
(Mateus 5:44)
É uma proposta profundamente diferente da lógica comum das relações humanas.
Gostamos de quem gosta de nós. Tratamos bem quem nos trata bem. Agradecemos àquele que nos ajuda. Até aí, quase não existe esforço moral. O verdadeiro desafio começa quando recebemos hostilidade e precisamos decidir o que faremos com ela.
A orientação de Jesus não significa que devamos considerar correto aquilo que é errado, permitir abusos ou desistir do direito de nos defender. Kardec esclarece, ao comentar o ensinamento de apresentar a outra face, que Jesus não pretendeu impedir toda defesa; o alvo de sua condenação era a vingança, isto é, a disposição de devolver deliberadamente o sofrimento recebido.
Existe, portanto, uma diferença fundamental entre buscar justiça e buscar vingança.
A justiça procura impedir que o mal continue, proteger quem foi prejudicado e, quando necessário, estabelecer consequências. A vingança deseja que o outro sofra porque nós sofremos.
Uma procura corrigir.
A outra procura ferir.
“A vingança”, segundo O Evangelho segundo o Espiritismo
Na mensagem inserida por Kardec no item 9 do capítulo XII, Jules Olivier apresenta a vingança como um remanescente de costumes bárbaros e como sinal do atraso moral daqueles que ainda se deixam dominar por esse sentimento. A mensagem afirma claramente que vingar-se é incompatível com o ensinamento do Cristo sobre o perdão aos inimigos.
Esse ensinamento complementa perfeitamente a proposta apresentada no início do mesmo capítulo: retribuir o mal com o bem.
Não se trata simplesmente de permanecer calado.
Também não significa fingir que não fomos magoados.
Muito menos significa manter proximidade com uma pessoa que continua nos fazendo mal.
Retribuir o mal com o bem significa interromper em nós a corrente do mal.
Alguém nos ofende. Podemos devolver outra ofensa.
Alguém espalha uma mentira. Podemos espalhar outra.
Alguém nos prejudica. Podemos procurar uma oportunidade para prejudicá-lo também.
Quando fazemos isso, o mal que chegou até nós não terminou: encontrou em nós um novo instrumento para continuar circulando.
O ensinamento do Cristo propõe exatamente o contrário.
O mal chega até nós — e em nós deve encontrar um limite.
É nesse sentido que a orientação de Jesus se aproxima extraordinariamente da recomendação apresentada posteriormente pelo apóstolo Paulo:
“Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.”
(Romanos 12:21)
Responder ao mal com o bem não transforma automaticamente a pessoa que nos ofendeu. Mas começa transformando aquele que escolheu não devolver a ofensa.
E essa transformação é essencialmente espiritual.
Perdoar não é aprovar
Há uma confusão comum quando se fala em perdão.
Perdoar não significa dizer que uma injustiça foi correta.
Uma pessoa pode perdoar e, ao mesmo tempo, estabelecer limites. Pode perdoar e procurar a Justiça. Pode perdoar e encerrar uma convivência prejudicial. Pode perdoar e tomar providências para impedir que determinada atitude se repita.
O que o perdão procura retirar do coração é o desejo de vingança.
Podemos dizer:
“O que você fez foi errado e não permitirei que aconteça novamente.”
Isso é diferente de pensar:
“Agora vou fazer você sofrer como eu sofri.”
A primeira atitude estabelece um limite.
A segunda alimenta a vingança.
Para o Espiritismo, essa diferença é especialmente importante porque nossas atitudes não dizem respeito somente ao outro: elas também participam de nossa própria educação espiritual.
Cada conflito pode, portanto, transformar-se numa escolha.
Reproduziremos o comportamento que condenamos?
Ou seremos capazes de agir de maneira diferente?
Três exemplos no cotidiano
1. No ambiente de trabalho
Imagine que um colega faça um comentário injusto sobre você diante de outras pessoas. A vontade imediata pode ser procurar algum erro dele e expô-lo na primeira oportunidade.
Retribuir o mal com o bem não significa aceitar passivamente a acusação. Você pode esclarecer os fatos, conversar com o colega ou procurar a chefia, se necessário.
O que muda é a intenção: em vez de tentar humilhá-lo, você procura resolver o problema sem criar uma nova ofensa.
O bem, nesse caso, manifesta-se por meio da firmeza sem crueldade.
2. Nas redes sociais
Alguém publica um comentário agressivo em uma postagem sua.
É fácil responder no mesmo tom — e talvez até reunir amigos para atacar aquela pessoa.
Mas existe outra possibilidade: responder educadamente, esclarecer aquilo que precisa ser esclarecido e, caso a agressão continue, encerrar a discussão ou utilizar os mecanismos de bloqueio e denúncia disponíveis.
Não devolver a agressão não significa perder uma discussão. Às vezes significa simplesmente não permitir que outra pessoa escolha por nós o tipo de pessoa que seremos naquele momento.
3. Dentro da família
Uma palavra dita por alguém da família pode machucar profundamente. E justamente porque conhecemos muito bem aquelas pessoas, sabemos também quais palavras poderiam feri-las de volta.
A vingança aproveitaria esse conhecimento.
O Evangelho propõe outra escolha.
Podemos dizer que fomos magoados, explicar aquilo que consideramos inadequado e até nos afastar por algum tempo, se necessário. Mas escolher deliberadamente não atingir o ponto fraco do outro já é uma forma concreta de vencer o impulso da vingança.
Às vezes, pagar o mal com o bem começa simplesmente em não acrescentar uma nova ferida àquela que já existe.
Conclusão: onde termina a corrente do mal?
Talvez seja fácil admirar o ensinamento de Jesus quando o encontramos nas páginas do Evangelho. Difícil é recordá-lo no instante em que alguém fere nosso orgulho, prejudica nossos interesses ou nos dirige uma palavra injusta.
É justamente aí que começa sua aplicação.
O Espiritismo não nos pede que deixemos de sentir imediatamente a mágoa. Somos seres em processo de aperfeiçoamento, e determinadas feridas precisam de tempo para cicatrizar. O convite é para que não transformemos essa dor em instrumento de uma nova dor.
A vingança diz:
“Você me fez sofrer; agora sofrerá também.”
O Evangelho pergunta:
“O sofrimento precisa continuar?”
Retribuir o mal com o bem é escolher que não.
É interromper a corrente.
É compreender que a verdadeira vitória não acontece quando conseguimos derrotar aquele que considerávamos nosso inimigo, mas quando conseguimos impedir que o comportamento dele desperte em nós aquilo que também precisaríamos combater.
Por isso, amar os inimigos talvez não comece com um sentimento extraordinário de afeição.
Pode começar de maneira muito mais simples — e muito mais difícil:
recusar-se a odiar, renunciar à vingança e escolher não devolver ao mundo o mal que um dia chegou até nós.
Referências bibliográficas
BÍBLIA SAGRADA. Evangelho segundo Mateus, capítulo 5, especialmente versículos 43–48; Evangelho segundo Lucas, capítulo 6, especialmente versículos 27–36; Carta de Paulo aos Romanos, capítulo 12, versículos 17–21.
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo XII — “Amai os vossos inimigos”. Seções “Retribuir o mal com o bem”, itens 1 a 4; “Se alguém vos bater na face direita, apresentai-lhe também a outra”, itens 7 e 8; e “Instruções dos Espíritos — A vingança”, item 9.
OLIVIER, Jules (Espírito). “A vingança”. Paris, 1862. In: KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XII, item 9.
A Parábola do Bom Samaritano: quem é o nosso próximo?
A pergunta que deu origem à parábola
Segundo o Evangelho de Lucas, um doutor da lei perguntou a Jesus o que deveria fazer para alcançar a vida eterna. O Mestre o levou a recordar os dois grandes mandamentos: amar a Deus de todo o coração e amar o próximo como a si mesmo.
Desejando justificar-se, o homem fez outra pergunta:
“E quem é o meu próximo?”
Em vez de oferecer uma definição teórica, Jesus contou uma história.
Um homem descia de Jerusalém para Jericó quando foi atacado por ladrões. Roubaram-lhe os pertences, agrediram-no e o deixaram quase morto à beira do caminho. Um sacerdote passou pelo local, viu o ferido e seguiu adiante. Depois, um levita fez o mesmo. Finalmente, passou um samaritano. Ao encontrar o desconhecido naquela situação, compadeceu-se dele, tratou suas feridas, colocou-o sobre seu próprio animal, levou-o a uma hospedaria e assumiu as despesas necessárias ao seu cuidado.
Ao terminar a narrativa, Jesus perguntou qual dos três havia sido o próximo do homem ferido. O doutor da lei respondeu: “O que usou de misericórdia para com ele”. Então, o Mestre concluiu: “Vai e faze da mesma maneira”.
O próximo não é apenas aquele que está perto
A escolha de um samaritano como exemplo de bondade não foi casual. Judeus e samaritanos carregavam antigas divergências religiosas e culturais. Para muitos ouvintes de Jesus, seria surpreendente perceber que justamente o homem pertencente ao grupo desprezado foi quem demonstrou verdadeira compaixão.
O sacerdote e o levita viram o sofrimento, mas não permitiram que aquela visão modificasse seus caminhos. O samaritano também viu, porém fez algo a respeito. Aproximou-se, cuidou, transportou, procurou ajuda e assumiu responsabilidades. Sua caridade não permaneceu apenas no sentimento: transformou-se em ação.
Jesus também muda o sentido da pergunta inicial. O doutor da lei queria saber quem poderia ser considerado seu próximo, talvez procurando estabelecer os limites de sua obrigação. O Mestre, entretanto, ensina que a questão principal não é identificar quem merece o nosso amor, mas decidir de quem nós nos faremos próximos.
Três maneiras de viver essa parábola no dia a dia
1. Interromper a pressa para acolher alguém
Podemos viver a lição do Bom Samaritano quando reservamos alguns minutos para ouvir uma pessoa que está sofrendo, telefonamos para alguém que enfrenta a solidão, acompanhamos um familiar a uma consulta ou oferecemos ajuda a quem demonstra estar sobrecarregado.
Nem sempre será possível resolver o problema, mas podemos evitar a indiferença. Muitas vezes, o primeiro gesto de caridade consiste em parar, aproximar-se e escutar com atenção.
2. Auxiliar sem perguntar se a pessoa “merece”
O samaritano não investigou as opiniões, a religião, a origem ou os erros do homem ferido antes de ajudá-lo. Da mesma forma, podemos praticar a parábola quando socorremos alguém sem transformar a caridade em julgamento.
Isso acontece quando orientamos uma pessoa perdida, ajudamos um colega com quem não temos afinidade, tratamos com respeito quem pensa de maneira diferente ou oferecemos assistência a alguém em situação de vulnerabilidade. O sofrimento humano deve falar mais alto do que nossas diferenças.
3. Tornar a solidariedade concreta
A compaixão do samaritano envolveu atitudes, tempo, recursos e continuidade. Ele não se limitou a desejar que o ferido melhorasse: tratou suas feridas, levou-o a um lugar seguro e providenciou os cuidados seguintes.
No cotidiano, isso pode significar doar alimentos ou roupas em boas condições, colaborar com uma instituição séria, oferecer transporte a quem tem dificuldade de locomoção, compartilhar uma informação útil, defender a acessibilidade ou acompanhar alguém até que encontre a ajuda necessária. A boa intenção é valiosa, mas a caridade se completa quando produz alguma transformação concreta.
“Vai e faze da mesma maneira”
A Parábola do Bom Samaritano continua atual porque todos nós encontramos pessoas feridas pelos caminhos da vida. Algumas carregam dores visíveis; outras escondem sofrimentos emocionais, familiares, financeiros ou espirituais. Também nós, em determinados momentos, podemos ser aquele viajante caído, necessitando da presença compassiva de alguém.
Diante dessas situações, podemos passar adiante ou nos aproximar. A verdadeira religiosidade não se revela apenas nas palavras, nas cerimônias ou no conhecimento das Escrituras, mas principalmente na maneira como tratamos aqueles que Deus coloca em nosso caminho.
Sob a visão espírita, a parábola reafirma que o progresso espiritual não depende de títulos religiosos ou de declarações de fé, mas da caridade vivida. No capítulo XV de O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec utiliza justamente o ensinamento do Bom Samaritano para demonstrar que a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, virtudes opostas ao egoísmo e ao orgulho. Kardec recorda ainda o ensino do apóstolo Paulo de que, sem caridade, até mesmo a fé e os maiores conhecimentos perdem seu valor. A máxima “Fora da caridade não há salvação” não privilegia determinada crença: ela reconhece todos como irmãos e coloca ao alcance de cada pessoa a oportunidade de crescer espiritualmente por meio da benevolência, da indulgência, do perdão e do auxílio desinteressado. Assim, ser o bom samaritano de alguém é transformar o amor em serviço e compreender que cada encontro pode ser uma oportunidade concedida por Deus para repararmos o passado, vencermos o egoísmo e avançarmos no caminho da evolução.
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Como devemos agir diante dos inimigos desencarnados?
Segundo o Espiritismo, a morte do corpo não transforma imediatamente uma pessoa. Cada Espírito leva consigo seus sentimentos, suas lembranças e o grau de evolução que já alcançou. Por isso, alguém que desencarnou guardando mágoa, revolta ou desejo de vingança pode continuar alimentando esses sentimentos no mundo espiritual.
Allan Kardec explica que, assim como devemos agir com benevolência diante dos inimigos encarnados, precisamos ter a mesma atitude em relação aos desencarnados. Esse ensinamento amplia o sentido das palavras de Jesus: “Amai os vossos inimigos”. O amor, portanto, não deve ficar limitado às relações da vida presente, mas faz parte de uma lei maior de solidariedade e fraternidade entre todos os seres. Leia o item “Os inimigos desencarnados”, do capítulo 12.
Amar não significa aprovar o mal
Amar um inimigo, encarnado ou desencarnado, não significa concordar com aquilo que ele faz. Também não significa sentir por ele a mesma afeição que sentimos por um familiar ou amigo.
Nesse caso, amar significa não alimentar o ódio, não desejar vingança e não responder ao mal com mais mal. É reconhecer que aquele Espírito também é um filho de Deus, ainda imperfeito e necessitado de auxílio, assim como todos nós.
O Espírito que procura prejudicar alguém demonstra que ainda sofre com a ignorância, a raiva ou o desejo de vingança. Embora sua atitude seja errada, ele também precisa de esclarecimento, misericórdia e oportunidade de transformação.
A oração é uma resposta de amor
Uma das atitudes mais importantes diante de um inimigo desencarnado é a oração sincera. Podemos pedir a Deus e aos bons Espíritos que o amparem, esclareçam e conduzam para um caminho melhor.
Não devemos orar apenas pedindo que ele se afaste de nós. Podemos pedir também que encontre paz, compreenda seus erros e receba o auxílio de que necessita. Quando desejamos sinceramente o bem daquele que nos deseja o mal, começamos a romper o ciclo de ódio que nos liga a ele.
Uma oração simples pode dizer:
“Senhor, ampara o irmão que ainda guarda mágoa ou revolta contra mim. Ajuda-o a encontrar paz e esclarecimento. Se eu lhe causei algum mal, nesta vida ou em outra, peço perdão. Que possamos seguir nossos caminhos sem ódio, unidos pelo aprendizado e pela misericórdia de Deus.”
Também precisamos observar nossas atitudes
O ensinamento espírita não nos convida apenas a pedir que o outro mude. Precisamos examinar o que existe dentro de nós.
Ainda guardamos rancor? Desejamos vingança? Alimentamos pensamentos constantes de medo, raiva ou desespero? Recusamo-nos a perdoar?
A transformação moral, o esforço para corrigir nossos defeitos, a prática da caridade e a vigilância sobre nossos pensamentos ajudam a criar uma vida interior mais equilibrada. Quanto mais cultivamos o bem, menos espaço oferecemos para influências negativas.
Isso não quer dizer que toda dificuldade, doença ou pensamento ruim seja causado por um Espírito. O Espiritismo recomenda bom senso. Problemas físicos e emocionais também precisam ser avaliados por profissionais de saúde. O cuidado espiritual pode acompanhar o tratamento médico ou psicológico, mas não deve substituí-lo.
Não devemos agir com medo
Diante da possibilidade de uma influência espiritual negativa, a primeira atitude não deve ser o pânico. O medo excessivo pode aumentar a angústia e dificultar o equilíbrio.
Além da oração, podemos realizar o Evangelho no Lar, cultivar bons pensamentos, evitar conflitos desnecessários e procurar uma casa espírita séria, onde seja possível receber orientação e assistência espiritual de maneira gratuita, responsável e sem práticas supersticiosas.
Não devemos tentar conversar, desafiar ou expulsar Espíritos por conta própria. A melhor defesa não está nas ameaças nem nos rituais, mas na confiança em Deus, na mudança de comportamento e na perseverança no bem.
O perdão liberta os dois lados
Às vezes, a inimizade pode ter começado muito antes da vida atual. Segundo a Doutrina Espírita, podemos reencontrar pessoas com quem tivemos conflitos em outras existências. Não conhecemos todos os acontecimentos do passado, mas podemos decidir o que faremos no presente.
Se respondermos com ódio, prolongaremos a ligação dolorosa. Se escolhermos o perdão, a oração e a reparação possível, começaremos a desfazer os laços da vingança.
Perdoar não apaga automaticamente as consequências dos atos, nem significa aceitar novas agressões. Perdoar é deixar de alimentar o desejo de fazer o outro sofrer. É entregar a justiça a Deus e seguir trabalhando pela própria transformação.
Vencer o mal com o bem
A grande orientação do capítulo 12 de O Evangelho Segundo o Espiritismo é simples de compreender, embora nem sempre seja fácil de praticar: devemos responder ao mal com o bem.
Diante dos inimigos desencarnados, a atitude espírita deve ser de serenidade, oração, benevolência e confiança em Deus. Em vez de enxergarmos apenas um perseguidor, somos convidados a reconhecer um Espírito doente da alma, que também precisa de auxílio.
O ódio aprisiona aquele que odeia e aquele que é odiado. O perdão, ao contrário, abre caminho para a libertação de ambos.
Amar os inimigos desencarnados é não devolver a ofensa, desejar que eles encontrem a paz e cuidar para que nossas próprias atitudes sejam cada vez mais próximas dos ensinamentos de Jesus. É assim que, pouco a pouco, interrompemos antigas histórias de sofrimento e começamos a semear um futuro de reconciliação.
Semear para Colher
segunda-feira, 13 de julho de 2026
The Fox Sisters: o filme que revive a origem do Espiritualismo moderno
O filme **The Fox Sisters** (também conhecido internacionalmente como **Talking to the Dead – The Fox Sisters**), dirigido pelo brasileiro **Wagner de Assis**, reconstitui a história real das irmãs **Leah, Margaretta (Maggie) e Catherine (Kate) Fox**, consideradas personagens centrais no surgimento do movimento espiritualista moderno, a partir dos acontecimentos de Hydesville, em 1848.
Segundo o filme, estranhos ruídos e supostas comunicações com um espírito despertaram enorme curiosidade na população da época. As jovens passaram a realizar demonstrações públicas, dando origem a um movimento que rapidamente atravessou os Estados Unidos e chegou à Europa.
Para os estudiosos da história do Espiritismo, esses acontecimentos possuem grande importância por terem criado o ambiente que, alguns anos depois, possibilitaria o trabalho de **Allan Kardec**, que investigou os fenômenos com método, espírito crítico e rigor, organizando a Doutrina Espírita sobre bases filosóficas, científicas e morais.
É importante destacar que a trajetória das irmãs Fox também foi marcada por controvérsias. Em 1888, Maggie declarou publicamente que parte das manifestações teria sido produzida por meios naturais. Posteriormente, porém, voltou a afirmar que havia sofrido forte pressão ao fazer essa confissão. Até hoje, o episódio permanece objeto de debates entre historiadores, pesquisadores e estudiosos do fenômeno espiritualista.
Mais do que um filme sobre fenômenos mediúnicos, **The Fox Sisters** convida o espectador a refletir sobre a busca humana por respostas diante da morte, da sobrevivência da alma e da possibilidade de comunicação entre os dois planos da vida.
Independentemente das interpretações históricas, a obra ajuda a compreender um dos capítulos mais importantes que antecederam a Codificação Espírita.
"Examinai tudo. Retende o bem."** (1 Tessalonicenses 5:21)
No Espiritismo, fé e razão caminham juntas. Por isso, conhecer a história é também uma forma de fortalecer o discernimento e compreender melhor os caminhos percorridos até a consolidação da Doutrina Espírita.
Serviço
🎬 Filme: The Fox Sisters
📅 Estreia nos cinemas brasileiros: 24 de setembro de 2026.
🎥 Direção: Wagner de Assis.
✍️ Roteiro:Wagner de Assis, Carolina Castro e Larissa Vereza.
🌎 Produção Cinética Filmes, em parceria com Buena Vista Internacional e Film Connection Distribuidora.
Coprodução: Brasil e Estados Unidos.
🗣️ Idioma:** Inglês.
🎭 Elenco principal:** Jamie Hughes (Leah Fox), Sionne Elise (Maggie Fox), Marie McHugh (Kate Fox) e Philip Cruise (John Fox).
📖 Sinopse: Inspirado em fatos históricos, o longa retrata a trajetória das irmãs Leah, Maggie e Kate Fox, protagonistas dos acontecimentos de Hydesville, em 1848, considerados o marco inicial do espiritualismo moderno. Em meio ao preconceito, ao medo e ao ceticismo da época, elas enfrentam fenômenos que despertam intenso interesse público e influenciam profundamente a história das pesquisas sobre a sobrevivência da alma.
✨ Para o público espírita: O filme não aborda diretamente a Codificação Espírita, mas apresenta o contexto histórico que antecedeu os estudos de Allan Kardec, contribuindo para compreender o cenário em que surgiram as primeiras investigações sistemáticas sobre os fenômenos mediúnicos.
*Informações atualizadas em julho de 2026.*
Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.
quarta-feira, 17 de junho de 2026
A Lei de Amor: o Caminho de Jesus no Cotidiano
O item 10 do capítulo 11 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, dentro do tema “A Lei de Amor”, nos convida a compreender que o amor é a força maior da vida espiritual. Não se trata apenas de sentimento bonito, nem de emoção passageira, mas de uma lei divina que deve orientar nossa maneira de pensar, falar e agir.
Amar, segundo o ensinamento espírita, é avançar moralmente. É sair pouco a pouco do egoísmo, da indiferença, do orgulho e da dureza de coração para aprender a enxergar o outro como irmão de caminhada. A Lei de Amor nos lembra que todos estamos em processo de evolução e que ninguém melhora sozinho. Crescemos quando aprendemos a servir, perdoar, compreender e cooperar.
Jesus resumiu essa lei ao ensinar:
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração (...) e ao teu próximo como a ti mesmo.”
Esse amor ao próximo não se limita às pessoas que pensam como nós, que gostam de nós ou que nos fazem bem. O verdadeiro exercício começa justamente quando encontramos diferenças, dificuldades, ingratidões e contrariedades.
No cotidiano, podemos aplicar a Lei de Amor de formas simples e concretas.
Quando escolhemos responder com calma em vez de devolver uma ofensa, estamos praticando o amor.
Quando temos paciência com alguém difícil, lembrando que aquela pessoa também carrega dores que não conhecemos, estamos praticando o amor.
Quando ajudamos em casa sem esperar reconhecimento, quando ouvimos alguém com atenção, quando cedemos um pouco para preservar a paz, estamos praticando o amor.
A Lei de Amor também aparece no cuidado com os mais frágeis: idosos, crianças, pessoas com deficiência, doentes, pessoas solitárias ou desanimadas. Muitas vezes, amar é apenas perceber quem está invisível aos olhos da pressa.
No ambiente de trabalho, aplicamos essa lei quando evitamos a fofoca, quando não humilhamos quem erra, quando colaboramos em vez de competir com maldade, quando reconhecemos o esforço alheio e tratamos todos com respeito.
Na família, a Lei de Amor se manifesta na paciência diária: repetir uma orientação sem agressividade, acolher o cansaço do outro, pedir desculpas, perdoar pequenas falhas e compreender que convivência também é aprendizado espiritual.
Nas redes sociais, ela pode ser vivida quando escolhemos não espalhar ódio, não ridicularizar ninguém, não comentar com crueldade e usar nossa palavra para consolar, esclarecer e semear esperança.
A Lei de Amor não exige grandes gestos heroicos todos os dias. Muitas vezes, ela começa no pequeno esforço de ser menos egoísta, menos impaciente, menos orgulhoso e mais útil.
Amar é trabalhar pela paz onde estamos. É transformar a fé em atitude. É compreender que cada pessoa que cruza nosso caminho é uma oportunidade de aprendizado.
Por isso, viver a Lei de Amor é seguir Jesus não apenas nas palavras, mas nas escolhas de cada dia. É fazer do coração um instrumento de bondade e da própria vida uma pequena semente de luz no mundo.
segunda-feira, 15 de junho de 2026
Sócrates, Platão e o Espiritismo: quando a filosofia prepara o caminho da fé raciocinada
Entre essas grandes sementes da humanidade estão os ensinamentos de Sócrates e Platão, dois nomes fundamentais da filosofia grega, cuja influência ultrapassou os limites da razão humana e alcançou também o campo da espiritualidade.
- A alma é imortal.
- A vida presente é uma etapa, não a totalidade da existência.
- O corpo é instrumento temporário da alma.
- A virtude é o verdadeiro caminho da felicidade.
- O mal nasce muitas vezes da ignorância e da desordem interior.
- A educação moral é essencial para o progresso humano.
terça-feira, 9 de junho de 2026
A Lei de Amor: amar a todos, passo a passo
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Os Milagres Segundo o Espiritismo: quando o extraordinário obedece às Leis de Deus
Mas, à luz do Espiritismo, o milagre não é uma quebra das leis divinas. Deus, sendo perfeito, não precisa suspender Suas próprias leis para demonstrar amor, poder ou misericórdia. O que chamamos de milagre é, muitas vezes, apenas uma lei natural que ainda não compreendemos completamente.
No Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec nos convida a olhar para a fé de modo racional. A fé verdadeira não precisa negar a razão; ao contrário, cresce quando compreende. Por isso, o Espiritismo não diminui a grandeza dos chamados milagres. Ele apenas os ilumina com outra interpretação: Deus age sempre por meio de leis sábias, justas e perfeitas.
Jesus realizou curas, consolações e fenômenos que impressionaram multidões. Porém, sua maior missão não foi deslumbrar os olhos, e sim transformar os corações. O verdadeiro milagre do Cristo não está apenas em devolver a visão ao cego ou levantar o paralítico, mas em despertar no ser humano a fé, a esperança, a caridade e o desejo sincero de renovação.
No Livro dos Espíritos, aprendemos que Deus governa o Universo por leis eternas e imutáveis. Nada acontece fora de Sua soberania. Aquilo que parece sobrenatural para nós pode ser apenas natural em uma ordem de conhecimento mais elevada. Assim como muitos fenômenos da ciência já pareceram impossíveis no passado, também os fenômenos espirituais podem parecer milagres enquanto não são compreendidos.
O Espiritismo nos ensina que existem forças invisíveis atuando na vida humana. Os Espíritos podem inspirar, proteger, auxiliar e consolar, sempre dentro dos limites permitidos pela Providência Divina. No entanto, esse auxílio não elimina a responsabilidade pessoal. O amparo espiritual não substitui o esforço, a reforma íntima, a perseverança e a confiança em Deus.
Há milagres silenciosos que acontecem todos os dias: alguém que perdoa depois de anos de mágoa; uma família que se reconcilia; uma pessoa que abandona um vício; um coração desesperado que reencontra a vontade de viver; uma alma endurecida que começa a se abrir para o bem. Esses talvez sejam os maiores milagres, porque transformam o ser por dentro.
Quando pedimos um milagre, talvez Deus nem sempre mude a situação externa imediatamente. Mas Ele pode nos dar coragem, lucidez, paciência, auxílio espiritual e caminhos novos. Às vezes, o milagre não é retirar a cruz, mas fortalecer os ombros. Não é mudar o mundo ao nosso redor, mas acender uma luz dentro de nós.
A visão espírita nos ajuda a trocar o deslumbramento pela confiança. Deus não age por capricho, nem favorece uns e abandona outros. Sua justiça é perfeita, ainda que nem sempre compreendamos de imediato. Cada acontecimento da vida está ligado a causas, consequências, aprendizados e oportunidades de crescimento.
Por isso, diante do que chamamos de milagre, o espírita é convidado a agradecer, refletir e crescer. Agradecer pelo amparo recebido. Refletir sobre as leis divinas que regem a vida. E crescer moralmente, porque nenhum fenômeno exterior vale mais do que a transformação interior.
O maior milagre, segundo o Espiritismo, é a renovação da alma.
É quando o orgulho cede lugar à humildade.
É quando a revolta se transforma em confiança.
É quando a dor se converte em aprendizado.
É quando a fé deixa de ser apenas pedido e passa a ser vivência.
Que possamos enxergar os milagres de Deus não apenas nos acontecimentos extraordinários, mas também nas pequenas bênçãos do dia a dia: no pão que chega à mesa, na palavra amiga, na proteção invisível, na chance de recomeçar e na presença amorosa do Cristo guiando nossos passos.
Porque, quando compreendemos as leis divinas, descobrimos que a vida inteira é um milagre — não por contrariar a natureza, mas por revelar, em cada detalhe, a sabedoria e o amor de Deus.
Fontes e referências
Allan Kardec — O Evangelho Segundo o Espiritismo
Referências doutrinárias sobre fé raciocinada, confiança em Deus, consolações espirituais e transformação moral.
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos
Referências sobre Deus, leis divinas, ação dos Espíritos, Providência e ordem natural da criação.
Allan Kardec — A Gênese
Embora o pedido principal tenha sido baseado no Evangelho Segundo o Espiritismo e em O Livro dos Espíritos, esta obra aprofunda de modo específico a análise espírita dos milagres e dos fenômenos considerados sobrenaturais.
segunda-feira, 11 de maio de 2026
O Profeta, a mediunidade gratuita e o compromisso moral do médium
Embora apresentada em forma de ficção, a novela tocou em uma questão muito séria para a Doutrina Espírita: a mediunidade não deve ser transformada em comércio, espetáculo ou instrumento de vaidade pessoal.
A história de Marcos, personagem dotado de sensibilidade espiritual e capacidade de prever acontecimentos, permite uma reflexão importante: quando uma faculdade espiritual é usada para servir, consolar e orientar, ela se aproxima de sua finalidade superior. Mas, quando passa a ser usada para ganhar dinheiro, alimentar orgulho ou impressionar curiosos, ela se desvia de seu sentido verdadeiro.
O que diz O Evangelho segundo o Espiritismo sobre a mediunidade gratuita
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec trata diretamente do tema no capítulo XXVI, intitulado “Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes”.
A ideia central é simples e profunda: aquilo que vem de Deus como dom espiritual não pode ser vendido como mercadoria humana. A mediunidade, segundo o Espiritismo, não pertence ao médium no sentido de propriedade pessoal. Ela é uma faculdade concedida para o bem, para o auxílio, para o esclarecimento e para a consolação dos que sofrem.
Kardec recorda a recomendação de Jesus aos discípulos: “Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes.” Essa frase é aplicada ao trabalho espiritual, especialmente às curas, orientações e comunicações que não nascem do esforço intelectual comum do médium, mas de uma faculdade recebida gratuitamente.
Por isso, o médium não deve vender palavras que não lhe pertencem. Se ele é intermediário, não é dono da mensagem. Se é instrumento, não deve se colocar acima da tarefa. Se recebeu gratuitamente, deve servir gratuitamente.
Isso não significa desvalorizar o esforço, o estudo ou a disciplina do trabalhador espírita. Pelo contrário: significa lembrar que a mediunidade exige responsabilidade moral. O verdadeiro valor do serviço mediúnico está na sinceridade, na humildade e no amor com que ele é exercido.
O que diz O Livro dos Médiuns sobre o assunto
Em O Livro dos Médiuns, especialmente no capítulo XXVIII, “Do charlatanismo e do embuste”, Kardec aprofunda a questão dos médiuns interesseiros.
Ele alerta que tudo pode se tornar objeto de exploração, inclusive as manifestações espirituais. E justamente por lidar com o invisível, a mediunidade, quando comercializada, abre espaço para abusos, ilusões, fraudes e mistificações.
A preocupação de Kardec não é apenas com o dinheiro em si, mas com o ambiente moral que se cria quando a faculdade mediúnica passa a ser tratada como profissão de espetáculo. A cobrança pode estimular o médium a produzir fenômenos a qualquer custo, mesmo quando nada autêntico esteja ocorrendo. Pode também atrair pessoas mais interessadas em lucro do que em serviço.
Além disso, em outros trechos da obra, Kardec lembra que o bom médium deve usar sua faculdade para fins sérios e úteis, evitando a curiosidade vazia, o exibicionismo e a vaidade. A mediunidade não é brinquedo, não é palco e não é instrumento de domínio sobre a fé alheia.
O médium sério compreende que sua faculdade exige estudo, vigilância, humildade e discernimento. Ele não se coloca como senhor da verdade, mas como servidor em aprendizado.
Breve resumo da história da novela O Profeta
Na versão da Rede Globo, O Profeta é ambientada nos anos 1950 e acompanha a trajetória de Marcos, um rapaz que desde cedo manifesta o dom de prever acontecimentos. Ainda jovem, ele sofre profundamente ao prever uma tragédia envolvendo seu irmão e não conseguir evitá-la.
Marcado pela culpa, Marcos se muda para São Paulo, onde conhece Sônia, por quem se apaixona. Ao longo da trama, sua sensibilidade espiritual passa a chamar a atenção das pessoas ao redor. Aos poucos, o dom que poderia ser vivido com recolhimento, responsabilidade e serviço começa a ser cercado por interesses humanos: fama, dinheiro, vaidade, sedução e manipulação.
Esse é justamente um dos pontos mais fortes da novela. Marcos não é apresentado como alguém pronto e santificado, mas como um ser humano em conflito. Ele tem uma faculdade especial, mas precisa aprender a lidar com ela. Sua jornada mostra que possuir sensibilidade espiritual não torna ninguém automaticamente moralmente superior.
A novela mostra o risco de transformar a mediunidade em espetáculo. Quando o dom vira atração pública, perde-se o recolhimento necessário. Quando vira fonte de ganho, ameaça-se sua finalidade espiritual. Quando alimenta a vaidade, o médium se distancia da humildade indispensável ao serviço no bem.
Relação entre os textos espíritas e a novela
A relação entre os ensinos de Kardec e a novela é muito clara.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, aprendemos que a mediunidade deve ser gratuita porque é dom recebido gratuitamente. Em O Livro dos Médiuns, compreendemos que a exploração da faculdade mediúnica pode abrir caminho para o charlatanismo, a mistificação e o abuso da confiança alheia.
Em O Profeta, vemos esses princípios encarnados em uma história dramática. Marcos recebe uma faculdade espiritual, mas precisa aprender que ela não deve servir ao orgulho, ao dinheiro ou ao aplauso. Sua trajetória é uma espécie de advertência: o problema não está em possuir uma faculdade mediúnica, mas no uso moral que se faz dela.
A novela dialoga com uma verdade muito presente na Doutrina Espírita: mediunidade não é sinal de santidade. O médium continua sendo uma criatura em processo de educação espiritual. Pode acertar, errar, cair em tentação, recomeçar e amadurecer.
O dom mediúnico, quando orientado pelo Evangelho, transforma-se em oportunidade de serviço. Mas, quando conduzido pelo interesse pessoal, pode se transformar em fonte de desequilíbrio.
Por isso, a mediunidade gratuita não é apenas uma regra administrativa dentro do movimento espírita. É uma proteção moral. Protege o médium da vaidade. Protege o assistido da exploração. Protege a mensagem espiritual da contaminação pelos interesses materiais.
Conclusão
A novela O Profeta, de Ivani Ribeiro, permanece atual justamente porque mostra que o maior desafio do médium não é possuir uma faculdade espiritual, mas aprender a usá-la com responsabilidade.
A mediunidade, segundo o Espiritismo, não deve ser vendida, exibida ou explorada. Ela deve ser educada, disciplinada e colocada a serviço do bem. O médium não é dono da luz que passa por ele. É apenas o instrumento chamado a servir com humildade.
Quando Kardec ensina que devemos dar gratuitamente o que gratuitamente recebemos, ele nos convida a compreender que os dons espirituais não existem para enriquecer, impressionar ou dominar. Existem para consolar, esclarecer e aproximar as criaturas de Deus.
Nesse sentido, O Profeta nos oferece uma bela oportunidade de reflexão: todo dom é também uma responsabilidade. E quanto mais sensível é a alma, maior deve ser seu compromisso com a verdade, a humildade e o amor.
Fontes e links consultados
O tema da mediunidade gratuita aparece em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XXVI, “Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes”, onde Kardec relaciona a gratuidade ao caráter espiritual da faculdade mediúnica.
Em O Livro dos Médiuns, capítulo XXVIII, “Do charlatanismo e do embuste”, Kardec trata dos médiuns interesseiros e dos riscos de exploração das manifestações espirituais.
A novela O Profeta foi exibida originalmente pela TV Tupi em 1977, com autoria de Ivani Ribeiro, e a versão da Globo foi adaptação da obra homônima, ambientada nos anos 1950 e centrada em Marcos, personagem com dom de prever o futuro.
A Memória Globo resume a trama principal da adaptação de 2006, destacando Marcos, Sônia e o desenvolvimento da sensibilidade premonitória do protagonista.
segunda-feira, 4 de maio de 2026
📖 O Livro dos Médiuns – Resenha rápida e essencial
✨ O que o livro ensina?
De forma clara e organizada, Kardec explica:
- O que é a mediunidade
- Como ocorre a comunicação com os Espíritos
- Os diferentes tipos de médiuns
- Os riscos de enganos e mistificações
- A importância da moral e do equilíbrio espiritual
⚠️ Um ponto central
O livro deixa um alerta importante:
nem toda comunicação espiritual é confiável.
Por isso, é preciso estudo, discernimento e vigilância.
🙏 A base de tudo
Kardec reforça que a mediunidade deve ser usada com:
- Humildade
- Caridade
- Responsabilidade
Sem isso, ela perde seu verdadeiro propósito.
🌱 Conclusão
O Livro dos Médiuns não é apenas um guia técnico — é um convite ao uso consciente da espiritualidade, sempre voltado ao bem.
📚 Referência
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns
Texto e imagem produzidos com inteligência artificial. Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.






