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terça-feira, 8 de setembro de 2026

O ódio e o desafio de amar os inimigos

Há ensinamentos de Jesus que nos confortam imediatamente. Outros, porém, nos desafiam profundamente, porque exigem uma mudança na maneira como sentimos, pensamos e reagimos. Entre estes está uma das recomendações mais difíceis do Evangelho:

«“Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos maldizem e orai pelos que vos caluniam.”

Lucas 6:27-28»

No Sermão da Montanha, encontramos orientação semelhante:

«“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.”

Mateus 5:44»

Mas como amar alguém que nos prejudicou? Como desejar o bem daquele que nos feriu, traiu ou humilhou?

É justamente nesse ponto que a mensagem de Fénelon, apresentada em O Evangelho Segundo o Espiritismo, ajuda-nos a compreender a profundidade do ensinamento de Jesus.

O ódio segundo Fénelon

No capítulo XII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, dedicado ao ensinamento “Amai os vossos inimigos”, Allan Kardec apresenta uma instrução de Fénelon sobre o ódio.

Fénelon ensina:

«“Amai-vos uns aos outros e sereis felizes. Tomai sobretudo a peito amar os que vos inspiram indiferença, ódio e desprezo.”»

A orientação chama atenção justamente porque não se limita às pessoas que nos tratam bem. Amar aqueles que nos amam é relativamente fácil. O verdadeiro desafio moral aparece diante daqueles que despertam em nós sentimentos negativos.

O ódio aprisiona quem odeia.

Quando alimentamos continuamente a lembrança de uma ofensa, permitimos que um acontecimento do passado continue exercendo influência sobre o presente. A pessoa pode até ter seguido sua vida, enquanto nós permanecemos presos à mágoa, revivendo mentalmente discussões, palavras e acontecimentos.

Por isso, combater o ódio não significa simplesmente beneficiar aquele que nos fez mal. Significa também libertar a nós mesmos.

“Amai os vossos inimigos”

Jesus já havia mostrado que o amor cristão precisava ultrapassar a lógica da reciprocidade:

«“Se amais os que vos amam, que recompensa tereis?”

Mateus 5:46»

É fácil ser gentil com quem é gentil conosco. É fácil desejar felicidade a quem nos deseja felicidade.

A proposta de Jesus começa justamente onde essa facilidade termina.

Entretanto, amar um inimigo não significa sentir por ele a mesma afeição que sentimos por um familiar ou amigo querido.

No capítulo XII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec esclarece esse ponto. Amar os inimigos não significa necessariamente experimentar por eles uma ternura impossível de ser produzida pela simples vontade. Significa não lhes desejar o mal, não responder ao mal com o mal, não alimentar vingança e, quando possível, desejar-lhes o progresso e o bem.

Assim, o amor aos inimigos é, antes de tudo, uma decisão moral.

Talvez eu ainda não consiga abraçar quem me feriu.

Talvez eu ainda sinta tristeza quando me lembro do acontecimento.

Talvez precise estabelecer limites e até me afastar daquela pessoa.

Mas posso decidir que não quero odiá-la.

E essa decisão já representa um importante passo no caminho indicado por Jesus.

Amar não significa aceitar tudo

Esse ensinamento precisa ser compreendido com equilíbrio.

Amar os inimigos não significa permanecer em situações de violência, abuso, humilhação ou desrespeito. O Evangelho não nos pede que abandonemos a prudência nem que deixemos de estabelecer limites.

Podemos perdoar e manter distância.

Podemos desejar o bem de alguém e não permitir que essa pessoa volte a nos prejudicar.

Podemos não guardar ódio e, ao mesmo tempo, procurar a Justiça quando necessário.

O contrário do ódio não é a submissão ao mal. É a recusa em permitir que o mal recebido determine aquilo em que nós mesmos nos transformaremos.

Três situações do cotidiano

Imagine alguém que foi injustamente prejudicado no trabalho. Um colega espalhou uma mentira e isso trouxe consequências profissionais. A reação imediata pode ser desejar que o outro também fracasse. Amar o inimigo, nesse caso, não significa fingir que nada aconteceu. A pessoa pode esclarecer os fatos e defender seus direitos, mas sem transformar a busca por justiça em desejo de vingança.

Em uma família, uma discussão pode produzir palavras extremamente dolorosas. Às vezes, passam-se meses ou anos e ninguém quer dar o primeiro passo. Amar o inimigo pode começar com algo muito pequeno: parar de alimentar comentários contra aquela pessoa, deixar de recontar continuamente a ofensa e fazer uma oração por ela.

Nas redes sociais, alguém nos agride gratuitamente. A facilidade de responder imediatamente pode transformar uma simples discordância em uma sequência de insultos. Aplicar o Evangelho talvez signifique simplesmente não devolver a agressão. Podemos discordar, esclarecer nossa posição ou encerrar a conversa sem reproduzir o comportamento daquele que nos atacou.

São atitudes aparentemente pequenas, mas é justamente no cotidiano que o Evangelho deixa de ser apenas leitura e passa a ser experiência.

Fénelon e Jesus apontam para a mesma transformação

A mensagem de Fénelon nos ajuda a perceber que o mandamento de Jesus não é uma recomendação abstrata.

Quando Cristo diz “Amai os vossos inimigos”, está propondo uma ruptura com o ciclo que perpetua tantos conflitos humanos:

ofensa → ódio → vingança → nova ofensa.

Alguém precisa interromper esse ciclo.

O Evangelho convida-nos a ser essa pessoa.

Isso não acontece de uma hora para outra. Há feridas que exigem tempo. Há lembranças que ainda doem. Há situações nas quais talvez consigamos inicialmente apenas não revidar.

Mas também isso pode ser um começo.

Hoje não consigo amar? Posso tentar não odiar.

Ainda não consigo perdoar completamente? Posso começar deixando de desejar vingança.

Não consigo conviver com aquela pessoa? Posso manter a distância necessária sem desejar sua infelicidade.

Pouco a pouco, o sentimento se transforma.

A contribuição da visão espírita

Sob a perspectiva espírita, o ensinamento ganha ainda outra dimensão. Se somos Espíritos imortais em processo de aperfeiçoamento, os conflitos desta existência não representam necessariamente o começo nem o fim de nossas relações.

A reencarnação oferece oportunidades de aprendizado, reparação e reconciliação.

Aquele que hoje consideramos inimigo é também um Espírito em caminhada, sujeito a erros, quedas e aprendizado — assim como nós.

Isso não torna correta a injustiça praticada por ele. Mas muda nossa maneira de enxergá-lo.

Em vez de perguntar apenas “como essa pessoa pôde fazer isso comigo?”, podemos acrescentar outra pergunta:

“O que farei com aquilo que me aconteceu?”

Transformarei a dor em ódio?

Ou procurarei transformá-la em aprendizado?

É nessa escolha que começa nossa própria renovação.

Para refletir

Amar os inimigos talvez seja uma das maiores provas da maturidade espiritual.

Não porque devamos gostar daquilo que fizeram conosco, mas porque nos recusamos a permitir que a atitude deles plante o ódio dentro de nós.

Fénelon nos chama a combater esse sentimento. Jesus nos mostra o caminho: amar, fazer o bem, bendizer e orar.

Talvez ainda estejamos muito distantes de viver integralmente esse ensinamento. Mas cada vez que recusamos a vingança, cada vez que controlamos uma palavra agressiva, cada vez que fazemos uma oração por alguém que nos feriu, uma pequena semente é lançada.

E quem deseja semear para colher precisa escolher cuidadosamente aquilo que planta no próprio coração.

Referências

BÍBLIA SAGRADA. Evangelho segundo Mateus, 5:43-48.

BÍBLIA SAGRADA. Evangelho segundo Lucas, 6:27-36.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XII — “Amai os vossos inimigos”, especialmente os itens referentes ao ódio e às instruções dos Espíritos.

FÉNELON. “O ódio”. In: KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XII.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Independência e Evolução: A Revolução Moral da Pátria do Cruzeiro

No dia 7 de setembro de 1822, às margens do riacho do Ipiranga, o Brasil rompia seus laços políticos com Portugal. Para a historiografia tradicional, a data marca a conquista da autonomia territorial e administrativa. Sob a ótica da Doutrina Espírita, no entanto, a independência política é apenas uma etapa de um projeto soberano muito mais amplo: o progresso moral do espírito imortal.

Como nos revela a obra Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, psicografada por Chico Xavier e ditada pelo Espírito Humberto de Campos, a formação da nação brasileira não ocorreu por mero acaso geopolítico. Sob a diretriz do Mestre Jesus, o país foi preparado para ser o solo fértil onde as sementes do amor, da fraternidade e da solidariedade floresceriam, acolhendo povos de todas as raças e credos em um grande abraço universal.

Liberdade Exterior e Liberdade Interior

A verdadeira emancipação de um povo não se consolida apenas com decretos diplomáticos ou conquistas territoriais. Em O Livro dos Espíritos, na Questão 825, os Benfeitores Espirituais ensinam que a verdadeira liberdade reside no livre-arbítrio e no domínio sobre as próprias imperfeições.

Enquanto a independência de 1822 garantiu a liberdade política externa, o compromisso contínuo do povo brasileiro — e de cada um de nós — é a conquista da independência interior: o libertar-se do orgulho, do egoísmo e dos preconceitos que ainda acorrentam a alma.

O Papel de Cada Um na Construção da Pátria do Evangelho

Celebrar a Independência do Brasil no blog Semear Para Colher é renovar o compromisso com a semeadura do bem. A Pátria do Evangelho não se constrói com discursos, mas com atitudes diárias de amor ao próximo, cidadania consciente e caridade exemplificada.

Para que o Brasil cumpra plenamente sua missão espiritual perante o mundo, precisamos cultivar em nosso solo íntimo:

  • Educação e Fraternidade: Transformar a sociedade por meio do respeito mútuo e do acesso ao conhecimento moral e intelectual.

  • União e Acolhimento: Honrar a vocação pacífica e plural do nosso povo, promovendo a paz e a concórdia.

  • Trabalho no Bem: Entender que a verdadeira pátria é a humanidade e que o progresso do país depende da renovação moral de cada cidadão.

Que neste 7 de setembro possamos refletir sobre a liberdade que o Cristo nos propõe. Se a história nos deu a independência política, o Espiritismo nos convida à libertação espiritual pela via do amor e da iluminação íntima.

Cultivemos hoje as sementes da fraternidade para colhermos, amanhã, uma nação regenerada e plena de paz.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Aoutor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

A Parábola do Bom Samaritano: quem é o nosso próximo?

Entre os ensinamentos de Jesus, a Parábola do Bom Samaritano ocupa um lugar especial por apresentar, de maneira simples e profunda, o verdadeiro significado do amor ao próximo. Às vezes, afirma-se que essa teria sido a única parábola explicada pelo próprio Cristo. A informação, porém, não é exata: Jesus também explicou diretamente, por exemplo, as parábolas do semeador e do joio. No caso do Bom Samaritano, o que chama a atenção é que o Mestre não desenvolve uma interpretação detalhada dos símbolos da narrativa, mas conduz seu interlocutor à conclusão e apresenta uma orientação prática e inequívoca: “Vai e faze da mesma maneira”.

A pergunta que deu origem à parábola

Segundo o Evangelho de Lucas, um doutor da lei perguntou a Jesus o que deveria fazer para alcançar a vida eterna. O Mestre o levou a recordar os dois grandes mandamentos: amar a Deus de todo o coração e amar o próximo como a si mesmo.

Desejando justificar-se, o homem fez outra pergunta:

“E quem é o meu próximo?”

Em vez de oferecer uma definição teórica, Jesus contou uma história.

Um homem descia de Jerusalém para Jericó quando foi atacado por ladrões. Roubaram-lhe os pertences, agrediram-no e o deixaram quase morto à beira do caminho. Um sacerdote passou pelo local, viu o ferido e seguiu adiante. Depois, um levita fez o mesmo. Finalmente, passou um samaritano. Ao encontrar o desconhecido naquela situação, compadeceu-se dele, tratou suas feridas, colocou-o sobre seu próprio animal, levou-o a uma hospedaria e assumiu as despesas necessárias ao seu cuidado.

Ao terminar a narrativa, Jesus perguntou qual dos três havia sido o próximo do homem ferido. O doutor da lei respondeu: “O que usou de misericórdia para com ele”. Então, o Mestre concluiu: “Vai e faze da mesma maneira”.

O próximo não é apenas aquele que está perto

A escolha de um samaritano como exemplo de bondade não foi casual. Judeus e samaritanos carregavam antigas divergências religiosas e culturais. Para muitos ouvintes de Jesus, seria surpreendente perceber que justamente o homem pertencente ao grupo desprezado foi quem demonstrou verdadeira compaixão.

O sacerdote e o levita viram o sofrimento, mas não permitiram que aquela visão modificasse seus caminhos. O samaritano também viu, porém fez algo a respeito. Aproximou-se, cuidou, transportou, procurou ajuda e assumiu responsabilidades. Sua caridade não permaneceu apenas no sentimento: transformou-se em ação.

Jesus também muda o sentido da pergunta inicial. O doutor da lei queria saber quem poderia ser considerado seu próximo, talvez procurando estabelecer os limites de sua obrigação. O Mestre, entretanto, ensina que a questão principal não é identificar quem merece o nosso amor, mas decidir de quem nós nos faremos próximos.

Três maneiras de viver essa parábola no dia a dia

1. Interromper a pressa para acolher alguém

Podemos viver a lição do Bom Samaritano quando reservamos alguns minutos para ouvir uma pessoa que está sofrendo, telefonamos para alguém que enfrenta a solidão, acompanhamos um familiar a uma consulta ou oferecemos ajuda a quem demonstra estar sobrecarregado.

Nem sempre será possível resolver o problema, mas podemos evitar a indiferença. Muitas vezes, o primeiro gesto de caridade consiste em parar, aproximar-se e escutar com atenção.

2. Auxiliar sem perguntar se a pessoa “merece”

O samaritano não investigou as opiniões, a religião, a origem ou os erros do homem ferido antes de ajudá-lo. Da mesma forma, podemos praticar a parábola quando socorremos alguém sem transformar a caridade em julgamento.

Isso acontece quando orientamos uma pessoa perdida, ajudamos um colega com quem não temos afinidade, tratamos com respeito quem pensa de maneira diferente ou oferecemos assistência a alguém em situação de vulnerabilidade. O sofrimento humano deve falar mais alto do que nossas diferenças.

3. Tornar a solidariedade concreta

A compaixão do samaritano envolveu atitudes, tempo, recursos e continuidade. Ele não se limitou a desejar que o ferido melhorasse: tratou suas feridas, levou-o a um lugar seguro e providenciou os cuidados seguintes.

No cotidiano, isso pode significar doar alimentos ou roupas em boas condições, colaborar com uma instituição séria, oferecer transporte a quem tem dificuldade de locomoção, compartilhar uma informação útil, defender a acessibilidade ou acompanhar alguém até que encontre a ajuda necessária. A boa intenção é valiosa, mas a caridade se completa quando produz alguma transformação concreta.

“Vai e faze da mesma maneira”

A Parábola do Bom Samaritano continua atual porque todos nós encontramos pessoas feridas pelos caminhos da vida. Algumas carregam dores visíveis; outras escondem sofrimentos emocionais, familiares, financeiros ou espirituais. Também nós, em determinados momentos, podemos ser aquele viajante caído, necessitando da presença compassiva de alguém.

Diante dessas situações, podemos passar adiante ou nos aproximar. A verdadeira religiosidade não se revela apenas nas palavras, nas cerimônias ou no conhecimento das Escrituras, mas principalmente na maneira como tratamos aqueles que Deus coloca em nosso caminho.

Sob a visão espírita, a parábola reafirma que o progresso espiritual não depende de títulos religiosos ou de declarações de fé, mas da caridade vivida. No capítulo XV de O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec utiliza justamente o ensinamento do Bom Samaritano para demonstrar que a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, virtudes opostas ao egoísmo e ao orgulho. Kardec recorda ainda o ensino do apóstolo Paulo de que, sem caridade, até mesmo a fé e os maiores conhecimentos perdem seu valor. A máxima “Fora da caridade não há salvação” não privilegia determinada crença: ela reconhece todos como irmãos e coloca ao alcance de cada pessoa a oportunidade de crescer espiritualmente por meio da benevolência, da indulgência, do perdão e do auxílio desinteressado. Assim, ser o bom samaritano de alguém é transformar o amor em serviço e compreender que cada encontro pode ser uma oportunidade concedida por Deus para repararmos o passado, vencermos o egoísmo e avançarmos no caminho da evolução. 

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

domingo, 30 de agosto de 2026

Dia Mundial do Perdão: libertar o coração para seguir em frente


O Dia Mundial do Perdão, celebrado em 30 de agosto, convida à reflexão sobre uma atitude que pode transformar relações e, principalmente, nossa maneira de lidar com as próprias feridas. Perdoar não significa apagar o que aconteceu, considerar correto aquilo que nos prejudicou ou permitir que uma situação de violência, desrespeito ou injustiça continue acontecendo. O perdão pode existir ao lado de limites, afastamento, proteção e busca por justiça.

Muitas vezes, o ressentimento prolonga dentro de nós uma experiência que já terminou do lado de fora. A lembrança permanece acompanhada de raiva, tristeza, desejo de reparação ou perguntas que talvez nunca encontrem resposta. Nesse sentido, o perdão pode ser compreendido como um processo: aos poucos, a pessoa deixa de permitir que a ofensa ocupe permanentemente seus pensamentos e determine seus sentimentos.

Também é importante falar sobre o autoperdão. Há pessoas capazes de compreender os erros dos outros, mas extremamente severas consigo mesmas. Reconhecer uma falha, assumir suas consequências e procurar repará-la é diferente de viver indefinidamente sob o peso da culpa. O arrependimento saudável pode produzir mudança; a culpa sem perspectiva de transformação apenas aprisiona.

O perdão na visão espírita

Na Doutrina Espírita, o perdão está profundamente relacionado à caridade, à indulgência e ao progresso moral. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, especialmente no capítulo X — “Bem-aventurados os misericordiosos” — encontramos reflexões sobre o perdão das ofensas e sobre a necessidade de combater o ressentimento e o desejo de vingança. Sob essa perspectiva, perdoar não é demonstração de fraqueza, mas exercício de compreensão e crescimento espiritual. Isso não elimina a responsabilidade daquele que errou: cada pessoa continua responsável pelas consequências de seus atos.

A visão espírita também nos convida a considerar que todos somos Espíritos em processo de aprendizado, sujeitos a erros e necessitados de oportunidades de transformação. Por isso, a indulgência para com as imperfeições alheias caminha junto com o esforço de reconhecer e corrigir as nossas. O perdão sincero não exige necessariamente esquecer o acontecimento, reconstruir uma relação rompida ou voltar a conviver com quem nos fez mal. Ele representa, sobretudo, o esforço para não alimentar ódio ou vingança e para confiar à consciência, à vida e à justiça divina aquilo que não nos cabe resolver pelo ressentimento.

Neste Dia Mundial do Perdão, talvez a reflexão mais importante seja justamente esta: perdoar não muda o passado, mas pode mudar a relação que temos com ele. Algumas feridas precisam de tempo, outras exigem distância e proteção, e há situações em que o perdão é uma longa caminhada. O importante é compreender que abrir mão do rancor não significa absolver o erro — significa não permitir que ele continue governando nosso coração.


Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.

Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Como devemos agir diante dos inimigos desencarnados?

Quando ouvimos a palavra “inimigo”, normalmente pensamos em alguém que está vivendo na Terra e que nos ofendeu, prejudicou ou tratou com injustiça. Entretanto, o capítulo 12 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, intitulado “Amai os vossos inimigos”, ensina que também podemos ter desafetos entre os Espíritos desencarnados — isto é, entre aqueles que já deixaram o corpo físico.

Segundo o Espiritismo, a morte do corpo não transforma imediatamente uma pessoa. Cada Espírito leva consigo seus sentimentos, suas lembranças e o grau de evolução que já alcançou. Por isso, alguém que desencarnou guardando mágoa, revolta ou desejo de vingança pode continuar alimentando esses sentimentos no mundo espiritual.

Allan Kardec explica que, assim como devemos agir com benevolência diante dos inimigos encarnados, precisamos ter a mesma atitude em relação aos desencarnados. Esse ensinamento amplia o sentido das palavras de Jesus: “Amai os vossos inimigos”. O amor, portanto, não deve ficar limitado às relações da vida presente, mas faz parte de uma lei maior de solidariedade e fraternidade entre todos os seres. Leia o item “Os inimigos desencarnados”, do capítulo 12.

Amar não significa aprovar o mal

Amar um inimigo, encarnado ou desencarnado, não significa concordar com aquilo que ele faz. Também não significa sentir por ele a mesma afeição que sentimos por um familiar ou amigo.

Nesse caso, amar significa não alimentar o ódio, não desejar vingança e não responder ao mal com mais mal. É reconhecer que aquele Espírito também é um filho de Deus, ainda imperfeito e necessitado de auxílio, assim como todos nós.

O Espírito que procura prejudicar alguém demonstra que ainda sofre com a ignorância, a raiva ou o desejo de vingança. Embora sua atitude seja errada, ele também precisa de esclarecimento, misericórdia e oportunidade de transformação.

A oração é uma resposta de amor

Uma das atitudes mais importantes diante de um inimigo desencarnado é a oração sincera. Podemos pedir a Deus e aos bons Espíritos que o amparem, esclareçam e conduzam para um caminho melhor.

Não devemos orar apenas pedindo que ele se afaste de nós. Podemos pedir também que encontre paz, compreenda seus erros e receba o auxílio de que necessita. Quando desejamos sinceramente o bem daquele que nos deseja o mal, começamos a romper o ciclo de ódio que nos liga a ele.

Uma oração simples pode dizer:

“Senhor, ampara o irmão que ainda guarda mágoa ou revolta contra mim. Ajuda-o a encontrar paz e esclarecimento. Se eu lhe causei algum mal, nesta vida ou em outra, peço perdão. Que possamos seguir nossos caminhos sem ódio, unidos pelo aprendizado e pela misericórdia de Deus.”

Também precisamos observar nossas atitudes

O ensinamento espírita não nos convida apenas a pedir que o outro mude. Precisamos examinar o que existe dentro de nós.

Ainda guardamos rancor? Desejamos vingança? Alimentamos pensamentos constantes de medo, raiva ou desespero? Recusamo-nos a perdoar?

A transformação moral, o esforço para corrigir nossos defeitos, a prática da caridade e a vigilância sobre nossos pensamentos ajudam a criar uma vida interior mais equilibrada. Quanto mais cultivamos o bem, menos espaço oferecemos para influências negativas.

Isso não quer dizer que toda dificuldade, doença ou pensamento ruim seja causado por um Espírito. O Espiritismo recomenda bom senso. Problemas físicos e emocionais também precisam ser avaliados por profissionais de saúde. O cuidado espiritual pode acompanhar o tratamento médico ou psicológico, mas não deve substituí-lo.

Não devemos agir com medo

Diante da possibilidade de uma influência espiritual negativa, a primeira atitude não deve ser o pânico. O medo excessivo pode aumentar a angústia e dificultar o equilíbrio.

Além da oração, podemos realizar o Evangelho no Lar, cultivar bons pensamentos, evitar conflitos desnecessários e procurar uma casa espírita séria, onde seja possível receber orientação e assistência espiritual de maneira gratuita, responsável e sem práticas supersticiosas.

Não devemos tentar conversar, desafiar ou expulsar Espíritos por conta própria. A melhor defesa não está nas ameaças nem nos rituais, mas na confiança em Deus, na mudança de comportamento e na perseverança no bem.

O perdão liberta os dois lados

Às vezes, a inimizade pode ter começado muito antes da vida atual. Segundo a Doutrina Espírita, podemos reencontrar pessoas com quem tivemos conflitos em outras existências. Não conhecemos todos os acontecimentos do passado, mas podemos decidir o que faremos no presente.

Se respondermos com ódio, prolongaremos a ligação dolorosa. Se escolhermos o perdão, a oração e a reparação possível, começaremos a desfazer os laços da vingança.

Perdoar não apaga automaticamente as consequências dos atos, nem significa aceitar novas agressões. Perdoar é deixar de alimentar o desejo de fazer o outro sofrer. É entregar a justiça a Deus e seguir trabalhando pela própria transformação.

Vencer o mal com o bem

A grande orientação do capítulo 12 de O Evangelho Segundo o Espiritismo é simples de compreender, embora nem sempre seja fácil de praticar: devemos responder ao mal com o bem.

Diante dos inimigos desencarnados, a atitude espírita deve ser de serenidade, oração, benevolência e confiança em Deus. Em vez de enxergarmos apenas um perseguidor, somos convidados a reconhecer um Espírito doente da alma, que também precisa de auxílio.

O ódio aprisiona aquele que odeia e aquele que é odiado. O perdão, ao contrário, abre caminho para a libertação de ambos.

Amar os inimigos desencarnados é não devolver a ofensa, desejar que eles encontrem a paz e cuidar para que nossas próprias atitudes sejam cada vez mais próximas dos ensinamentos de Jesus. É assim que, pouco a pouco, interrompemos antigas histórias de sofrimento e começamos a semear um futuro de reconciliação.

Semear para Colher

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Cinco atitudes para vencer o egoísmo no dia a dia

O egoísmo não aparece apenas nas grandes decisões da vida. Muitas vezes, ele se manifesta em pequenos gestos, em palavras que deixamos de dizer, na ajuda que negamos ou na atenção que recusamos oferecer.

Na mensagem de Pascal, no capítulo 11 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, aprendemos que o egoísmo é um dos maiores obstáculos ao progresso moral da humanidade. Enquanto o homem pensar apenas em si mesmo, continuará alimentando as causas de muitos sofrimentos. A transformação do mundo começa pela transformação de cada um de nós.

Uma boa maneira de combater o egoísmo é criar o hábito de pensar diferente antes de agir.

1. Em vez de perguntar: "O que eu ganho com isso?", pergunte: "Quem pode ser beneficiado?"

Nem toda boa ação traz retorno imediato. Muitas vezes, o verdadeiro ganho está na paz de consciência e na alegria de contribuir para o bem de alguém.

2. Em vez de guardar tudo para si, aprenda a compartilhar.

Pode ser um conhecimento, uma oportunidade, um elogio, um sorriso ou um pouco do seu tempo. Compartilhar não nos empobrece; pelo contrário, enriquece nossas relações e fortalece a fraternidade.

3. Em vez de querer sempre ter razão, procure compreender.

O egoísmo costuma andar de mãos dadas com o orgulho. Ouvir o outro com respeito, admitir um erro e valorizar opiniões diferentes são atitudes que aproximam as pessoas e favorecem a paz.

4. Em vez de pensar apenas no seu conforto, observe quem precisa de ajuda.

Às vezes, basta oferecer o lugar a alguém, carregar uma sacola pesada, visitar um enfermo, telefonar para quem está sozinho ou dedicar alguns minutos de atenção sincera. Pequenos gestos de solidariedade têm grande valor.

5. Em vez de esperar que os outros façam o bem, seja você o primeiro a começar.

Não espere a iniciativa alheia para praticar a caridade, o perdão ou a gentileza. O bem é contagiante. Quando alguém dá o primeiro passo, inspira outras pessoas a fazerem o mesmo.

Uma escolha diária

Eliminar o egoísmo não acontece de um dia para o outro. É um exercício constante de vigilância sobre nossos pensamentos, palavras e atitudes.

Sempre que surgir uma decisão, faça uma breve pausa e pergunte a si mesmo:

"Estou pensando apenas em mim ou também no bem do próximo?"

Essa simples reflexão pode mudar uma atitude, transformar um relacionamento e tornar o mundo um pouco melhor.

Como ensina o Espiritismo, a verdadeira felicidade cresce à medida que aprendemos a amar, servir e repartir. Cada pequena vitória sobre o egoísmo representa um passo importante na nossa evolução espiritual.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Semeando a SEmana

Iniciamos mais uma semana com a oportunidade de observar melhor nossos pensamentos, nossas palavras e nossas atitudes.

Nem sempre conseguiremos realizar grandes mudanças de uma só vez. Mas sempre podemos escolher uma atitude melhor, uma resposta mais serena, um gesto mais fraterno, uma palavra mais cuidadosa.

A reforma íntima começa assim: no cotidiano.

Começa quando evitamos uma reclamação desnecessária.
Quando deixamos de alimentar uma mágoa.
Quando escolhemos ajudar, mesmo que ninguém veja.
Quando pensamos no bem do outro antes de agir apenas em nosso próprio favor.
Quando reconhecemos que também precisamos aprender, melhorar e recomeçar.

Cada semana que se inicia é como um campo novo diante de nós. A semente que lançarmos hoje poderá florescer em paz, equilíbrio e crescimento espiritual.

Por isso, nesta semana, procuremos semear mais paciência nas conversas, mais compreensão nas diferenças, mais caridade nas pequenas oportunidades e mais vigilância sobre aquilo que ainda precisamos transformar em nós.

Não esperemos o mundo mudar primeiro.

Comecemos pelo nosso coração.

Que esta semana seja vivida com mais consciência, mais humildade e mais amor ao próximo. Porque cada pequena vitória sobre o egoísmo, o orgulho e a indiferença representa um passo importante no caminho da evolução espiritual.

Que possamos semear o bem, mesmo nas tarefas simples, e confiar que Deus acompanha cada esforço sincero de renovação.

Boa semana, com paz, fé e disposição para fazer o melhor. 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

A Lei de Amor: o Caminho de Jesus no Cotidiano


 O item 10 do capítulo 11 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, dentro do tema “A Lei de Amor”, nos convida a compreender que o amor é a força maior da vida espiritual. Não se trata apenas de sentimento bonito, nem de emoção passageira, mas de uma lei divina que deve orientar nossa maneira de pensar, falar e agir.

Amar, segundo o ensinamento espírita, é avançar moralmente. É sair pouco a pouco do egoísmo, da indiferença, do orgulho e da dureza de coração para aprender a enxergar o outro como irmão de caminhada. A Lei de Amor nos lembra que todos estamos em processo de evolução e que ninguém melhora sozinho. Crescemos quando aprendemos a servir, perdoar, compreender e cooperar.

Jesus resumiu essa lei ao ensinar:

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração (...) e ao teu próximo como a ti mesmo.”

Esse amor ao próximo não se limita às pessoas que pensam como nós, que gostam de nós ou que nos fazem bem. O verdadeiro exercício começa justamente quando encontramos diferenças, dificuldades, ingratidões e contrariedades.

No cotidiano, podemos aplicar a Lei de Amor de formas simples e concretas.

Quando escolhemos responder com calma em vez de devolver uma ofensa, estamos praticando o amor.

Quando temos paciência com alguém difícil, lembrando que aquela pessoa também carrega dores que não conhecemos, estamos praticando o amor.

Quando ajudamos em casa sem esperar reconhecimento, quando ouvimos alguém com atenção, quando cedemos um pouco para preservar a paz, estamos praticando o amor.

A Lei de Amor também aparece no cuidado com os mais frágeis: idosos, crianças, pessoas com deficiência, doentes, pessoas solitárias ou desanimadas. Muitas vezes, amar é apenas perceber quem está invisível aos olhos da pressa.

No ambiente de trabalho, aplicamos essa lei quando evitamos a fofoca, quando não humilhamos quem erra, quando colaboramos em vez de competir com maldade, quando reconhecemos o esforço alheio e tratamos todos com respeito.

Na família, a Lei de Amor se manifesta na paciência diária: repetir uma orientação sem agressividade, acolher o cansaço do outro, pedir desculpas, perdoar pequenas falhas e compreender que convivência também é aprendizado espiritual.

Nas redes sociais, ela pode ser vivida quando escolhemos não espalhar ódio, não ridicularizar ninguém, não comentar com crueldade e usar nossa palavra para consolar, esclarecer e semear esperança.

A Lei de Amor não exige grandes gestos heroicos todos os dias. Muitas vezes, ela começa no pequeno esforço de ser menos egoísta, menos impaciente, menos orgulhoso e mais útil.

Amar é trabalhar pela paz onde estamos. É transformar a fé em atitude. É compreender que cada pessoa que cruza nosso caminho é uma oportunidade de aprendizado.

Por isso, viver a Lei de Amor é seguir Jesus não apenas nas palavras, mas nas escolhas de cada dia. É fazer do coração um instrumento de bondade e da própria vida uma pequena semente de luz no mundo.

terça-feira, 9 de junho de 2026

A Lei de Amor: amar a todos, passo a passo


No capítulo XI de O Evangelho segundo o Espiritismo, intitulado “Amar o próximo como a si mesmo”, Allan Kardec reúne importantes ensinamentos sobre a caridade, o amor ao próximo e a vivência moral do Evangelho.
Dentro desse capítulo, a instrução espiritual chamada “A Lei de Amor” aparece nos itens 8, 9 e 10. No item 8, o Espírito Lázaro afirma que o amor resume toda a doutrina de Jesus. No item 9, o Espírito Fénelon aprofunda esse ensinamento, mostrando que a prática da Lei de Amor exige que aprendamos, pouco a pouco, a amar todos os nossos irmãos indistintamente.
É especialmente sobre esse ponto que desejamos refletir.
O amor que ainda se limita ao círculo íntimo
Fénelon observa que muitos de nós ainda restringimos o amor ao pequeno círculo dos familiares, amigos e pessoas queridas. Amamos aqueles que nos fazem bem, aqueles que convivem conosco, aqueles que nos são simpáticos ou úteis.
Esse amor, embora legítimo, ainda é limitado.
Ele pode ser sincero, mas permanece preso aos laços de preferência pessoal. Amamos os que são “nossos”, mas muitas vezes ficamos indiferentes aos demais. Sofremos com a dor de quem está perto, mas ignoramos a dor de quem está longe. Protegemos os nossos interesses, mas nem sempre conseguimos enxergar o próximo como irmão.
É nesse ponto que a Lei de Amor nos chama à ampliação do coração.
Amar como Deus entende o amor
No item 9, Fénelon ensina que, para praticarmos a Lei de Amor como Deus a entende, precisamos chegar, passo a passo, a amar todos os nossos irmãos indistintamente.
Essa expressão é muito importante: passo a passo.
O Espiritismo não nos apresenta uma transformação moral ilusória, feita de um dia para o outro. A Doutrina Espírita reconhece nossas limitações, mas nos convida ao progresso constante.
Amar a todos indistintamente não significa sentir a mesma intimidade por todas as pessoas. Não significa concordar com tudo, nem aprovar o erro, nem abandonar a prudência. Significa, antes de tudo, reconhecer que todos somos filhos de Deus, Espíritos imortais em processo de aprendizado.
Amar, nesse sentido, é desejar o bem.
É não alimentar ódio.
É não desejar vingança.
É não desprezar ninguém.
É compreender que até aquele que erra continua sendo um irmão necessitado de esclarecimento, correção e misericórdia.
A Lei de Amor educa o sentimento
No item 8, Lázaro ensina que o amor é o sentimento por excelência e que os sentimentos representam os instintos elevados à altura do progresso já realizado. Essa ideia nos ajuda a compreender que o amor também precisa ser educado.
Em nossa origem espiritual, predominam os impulsos mais primitivos. Com o progresso, vamos aprendendo a dominar os instintos, a refinar as emoções e a desenvolver sentimentos mais elevados.
A Lei de Amor é, portanto, uma escola de aperfeiçoamento interior.
Ela nos ensina a transformar posse em cuidado.
Apego em dedicação.
Simpatia em fraternidade.
Indiferença em compaixão.
Orgulho em humildade.
Egoísmo em caridade.
Amar não é apenas sentir algo bonito. É trabalhar dentro de si mesmo para que o bem se torne mais forte do que o orgulho, a impaciência e a indiferença.
Amor e caridade: duas faces da mesma lei
Em O Livro dos Espíritos, na questão 886, Kardec pergunta qual é o verdadeiro sentido da palavra caridade, como Jesus a entendia. A resposta dos Espíritos é uma das mais conhecidas da Codificação:
“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”
Essa definição complementa perfeitamente a reflexão de Fénelon.
Se a Lei de Amor nos pede amar todos os irmãos indistintamente, a caridade nos mostra como esse amor deve se manifestar na prática.
Benevolência é querer o bem e agir em favor do bem.
Indulgência é compreender que o outro, assim como nós, ainda está em construção.
Perdão é libertar o coração do ressentimento, sem transformar a ofensa recebida em prisão espiritual.
Desse modo, a Lei de Amor deixa de ser apenas uma ideia elevada e se torna exercício diário.
Ela aparece na paciência com quem pensa diferente.
Na palavra serena diante da provocação.
Na ajuda oferecida sem interesse.
Na escuta respeitosa.
Na renúncia ao julgamento apressado.
Na capacidade de corrigir sem humilhar.
Na disposição de servir sem esperar reconhecimento.
A Lei de Amor e o combate ao egoísmo
O grande adversário da Lei de Amor é o egoísmo.
Enquanto o egoísmo centraliza tudo no “eu”, o amor nos ensina a enxergar o “nós”. Enquanto o egoísmo separa, o amor aproxima. Enquanto o egoísmo alimenta privilégios, o amor desperta responsabilidade.
No próprio capítulo XI de O Evangelho segundo o Espiritismo, Kardec também inclui instruções sobre o egoísmo, apresentado como uma das grandes chagas da Humanidade. Essa ligação é muito significativa, pois não há verdadeira vivência do amor sem o esforço de vencer o egoísmo dentro de nós.
A Lei de Amor nos pede coragem: não a coragem de vencer o outro, mas a coragem de vencer a nós mesmos.
Vencer a irritação.
Vencer a vaidade.
Vencer o orgulho ferido.
Vencer a vontade de revidar.
Vencer a indiferença diante da dor alheia.
Cada pequena vitória íntima abre espaço para que o amor se manifeste com mais liberdade.
Amar a todos não é ser ingênuo
É importante lembrar que amar indistintamente não significa ser ingênuo, permitir abusos ou aceitar injustiças.
Jesus nos ensinou o amor, mas também nos ensinou a verdade, a responsabilidade e a firmeza moral. A caridade não dispensa o discernimento. O perdão não elimina a necessidade de reparação. A misericórdia não transforma o erro em virtude.
Amar é desejar que o outro se eleve.
Às vezes, esse amor se manifesta pela ternura. Em outras situações, pela orientação firme, pela distância necessária, pelo silêncio prudente ou pela correção justa.
A Lei de Amor não nos pede fraqueza. Ela nos pede elevação moral.
O caminho é progressivo
Fénelon nos consola ao indicar que esse aprendizado acontece passo a passo.
Isso significa que não devemos desanimar diante das próprias dificuldades. Talvez ainda não consigamos amar como gostaríamos. Talvez ainda guardemos mágoas, resistências, impaciências e julgamentos. Mas cada esforço sincero tem valor diante de Deus.
Hoje, podemos começar por não alimentar ódio.
Depois, podemos evitar a palavra que fere.
Mais adiante, aprenderemos a compreender.
Depois, a perdoar.
E, com o tempo, a amar com mais largueza, reconhecendo em cada pessoa um irmão de caminhada.
A Lei de Amor é uma construção diária.
Conclusão
A Lei de Amor é uma das expressões mais profundas da moral ensinada por Jesus e explicada pelo Espiritismo.
Lázaro nos recorda que o amor resume a doutrina do Cristo. Fénelon nos mostra que esse amor precisa crescer, ultrapassando o círculo estreito dos afetos pessoais para alcançar todos os irmãos indistintamente.
Amar, segundo a Lei Divina, é ampliar o coração.
É desejar o bem.
É praticar a caridade.
É combater o egoísmo.
É perdoar.
É servir.
É reconhecer que todos somos filhos do mesmo Pai, ainda que em diferentes graus de entendimento e evolução.
Que possamos, passo a passo, educar nossos sentimentos e permitir que a Lei de Amor deixe de ser apenas uma bela lição estudada, para se tornar uma presença viva em nossas escolhas, palavras e atitudes.
Referências bibliográficas
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo XI — “Amar o próximo como a si mesmo”. Itens 8, 9, 10 e 11. Instruções dos Espíritos: “A Lei de Amor” e “O Egoísmo”.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Terceira — “Das Leis Morais”. Capítulo XI — “Lei de Justiça, de Amor e de Caridade”. Questão 886.
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo XI — “Amar o próximo como a si mesmo”. Item 1 — “O mandamento maior”.
Sugestão de marcadores
Espiritismo, Evangelho segundo o Espiritismo, Lei de Amor, Amar o Próximo, Allan Kardec, Fénelon, Lázaro, Caridade, Reforma Íntima, Semear Para Colher
Para conferência: a Kardecpedia apresenta o item 9 como parte da instrução “A Lei de Amor”, com a orientação de Fénelon sobre amar todos os irmãos indistintamente; e a questão 886 de O Livro dos Espíritos define a caridade como benevolência, indulgência e perdão.

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Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

Peixotinho: a mediunidade a serviço da fé, da humildade e do bem

Francisco Peixoto Lins, mais conhecido como Peixotinho, ocupa um lugar especial na memória do movimento espírita brasileiro. Nascido em Pacatuba, no Ceará, em 1º de fevereiro de 1905, e desencarnado em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, em 16 de junho de 1966, ele ficou conhecido principalmente por sua mediunidade de efeitos físicos, especialmente os fenômenos de materialização.

Mas, quando falamos de um médium como Peixotinho, é importante não ficarmos presos apenas ao aspecto extraordinário dos fenômenos. No Espiritismo, a mediunidade não deve ser vista como espetáculo, privilégio ou motivo de vaidade. Ela é, antes de tudo, instrumento de serviço, responsabilidade moral e convite à transformação interior.

Peixotinho teve uma trajetória marcada por simplicidade, disciplina e dedicação. Militar de carreira, viveu em diferentes cidades brasileiras, e por onde passou procurou colaborar com o movimento espírita. Sua mediunidade chamou a atenção de muitos estudiosos e companheiros de ideal, mas seu exemplo não está apenas nos relatos de fenômenos: está também na postura de alguém que buscou colocar suas faculdades a serviço da consolação, do estudo e da fé raciocinada.

A mediunidade de efeitos físicos sempre despertou curiosidade. Afinal, ela envolve manifestações que parecem tocar diretamente o mundo material. Porém, a Doutrina Espírita nos ensina que nenhum fenômeno, por mais impressionante que seja, substitui a reforma íntima. O fenômeno pode chamar a atenção; o Evangelho, porém, educa o coração.

Por isso, recordar Peixotinho é também recordar uma lição fundamental: a verdadeira grandeza do médium não está no tipo de mediunidade que possui, mas no uso que faz dela. A faculdade mediúnica, quando orientada pelo bem, pela humildade e pela disciplina, torna-se ponte de auxílio. Quando usada com orgulho, curiosidade ou imprudência, perde sua finalidade superior.

Em tempos em que tantas pessoas buscam sinais exteriores, a vida de Peixotinho nos convida a olhar para dentro. A pergunta mais importante não é apenas: “Que fenômenos ele realizou?” A pergunta mais profunda é: “Que bem podemos realizar com os dons que Deus nos confiou?”

Nem todos somos médiuns de efeitos físicos. Nem todos seremos lembrados por fenômenos marcantes. Mas todos podemos ser instrumentos de paz, amparo, escuta, oração e serviço. Cada um de nós, no campo em que foi chamado a atuar, pode materializar o amor por meio de atitudes concretas.

Peixotinho nos lembra que a mediunidade séria não existe para alimentar fascínio, mas para fortalecer a fé, despertar consciências e aproximar os corações de Deus. Seu nome permanece como referência histórica dentro do Espiritismo brasileiro, especialmente para aqueles que estudam a mediunidade com respeito, prudência e responsabilidade.

Que sua memória nos inspire a servir mais e aparecer menos; a estudar mais e julgar menos; a trabalhar no bem com humildade, sabendo que toda faculdade espiritual é empréstimo divino e oportunidade de crescimento.

Porque, no fim, o maior fenômeno que o Espiritismo nos propõe não é a materialização visível de um Espírito, mas a transformação invisível de uma alma que aprende a amar.

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Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Quando a dor vira remédio da alma

No capítulo V de O Evangelho segundo o Espiritismo, encontramos uma reflexão profunda sobre a dor, as dificuldades e os sofrimentos da vida. Entre os ensinamentos apresentados, surge uma comparação muito interessante: o mal e o remédio.
À primeira vista, ninguém gosta do remédio.
Alguns são amargos. Outros causam desconforto. Há tratamentos longos, cansativos e difíceis de suportar. Ainda assim, aceitamos tudo isso porque compreendemos que o objetivo do remédio não é o prazer imediato, mas a cura.
Com as provas da vida acontece algo parecido.
Muitas vezes perguntamos: “Por que estou passando por isso?” “Por que tanta luta?” “Por que determinadas dores aparecem justamente quando tudo parecia caminhar bem?”
O Evangelho não ignora o sofrimento humano. Pelo contrário: reconhece que a dor existe e que, em muitos momentos, ela pesa profundamente sobre o coração.
Mas também nos convida a enxergar além da dificuldade imediata.
Assim como o remédio age silenciosamente no organismo, muitas experiências difíceis atuam no espírito de maneira invisível, produzindo aprendizado, amadurecimento e transformação interior.
Isso não significa que toda dor seja desejada por Deus como castigo.
O Espiritismo nos ensina que grande parte dos sofrimentos nasce:
das escolhas humanas;
dos excessos;
do orgulho;
da violência;
da falta de amor;
e também das necessidades de aprendizado do espírito ao longo de sua caminhada evolutiva.
Ainda assim, mesmo nas situações dolorosas, pode existir crescimento.
Há pessoas que, depois de atravessarem grandes provas, tornam-se mais humildes, mais sensíveis e mais compassivas.
Há dores que despertam.
Há lágrimas que humanizam.
Há dificuldades que nos aproximam de Deus de maneira que o conforto permanente talvez nunca conseguisse aproximar.
O problema é que queremos apenas a cura… sem aceitar o tratamento.
Queremos paz sem transformação interior.
Queremos serenidade sem esforço moral.
Queremos colher sem semear.
O Evangelho nos mostra que o verdadeiro remédio espiritual nem sempre é agradável no começo, mas produz resultados preciosos quando aceitamos o processo de renovação.
E talvez uma das maiores lições esteja justamente aí: não permitir que a dor nos transforme em pessoas amargas.
O sofrimento pode endurecer… ou amadurecer.
Pode afastar… ou aproximar de Deus.
Pode gerar revolta… ou crescimento.
Tudo depende da maneira como atravessamos as experiências da vida.
Isso não significa aceitar injustiças passivamente nem deixar de buscar ajuda, tratamento ou melhoria das condições de vida. O próprio Espiritismo valoriza a ciência, o cuidado e o progresso humano.
Mas significa compreender que existe diferença entre sofrer e desperdiçar o sofrimento.
Quando a dificuldade nos ajuda a desenvolver paciência, humildade, fé e compreensão, ela deixa de ser apenas dor e começa a se transformar em aprendizado.
Talvez o remédio espiritual mais difícil seja justamente aquele que mexe com o nosso orgulho.
Mas também costuma ser o que mais cura.
Referências bibliográficas
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V — “Bem-aventurados os aflitos”. FEB.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. FEB.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial. Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

O que as respostas de São Luís ainda nos ensinam

Ao final do capítulo X de O Evangelho segundo o Espiritismo, intitulado “Bem-aventurados os misericordiosos”, Allan Kardec apresenta três perguntas dirigidas ao Espírito São Luís.

As respostas são simples, mas extremamente profundas. E talvez continuem mais atuais do que nunca.

Em vez de apresentar longas teorias, São Luís fala sobre algo muito concreto: a maneira como lidamos com os erros, as falhas e as imperfeições uns dos outros.

A primeira questão trata da indulgência.

São Luís explica que a verdadeira indulgência não consiste em aprovar o erro, nem em fingir que ele não existe. Ser indulgente não é estimular o mal. É compreender que todos nós estamos em processo de aprendizado.

É fácil apontar os defeitos alheios. Difícil é reconhecer que também carregamos limitações, fraquezas e quedas pessoais.

Muitas vezes desejamos compreensão para os nossos erros, mas severidade para os erros dos outros.
O Evangelho nos convida justamente ao contrário: menos dureza, menos condenação e mais misericórdia.

Na segunda resposta, São Luís alerta sobre o hábito de julgar.

E esse talvez seja um dos grandes problemas da convivência humana.

Quantas vezes fazemos julgamentos rápidos sem conhecer a luta interior da outra pessoa?

Quantas vezes condenamos atitudes sem compreender as dores, os medos ou as circunstâncias que levaram alguém a agir daquela forma?

O julgamento precipitado costuma nascer do orgulho.

A misericórdia nasce da humildade.

Isso não significa aceitar o erro como algo correto. O Evangelho não nos pede cegueira moral. O que ele nos pede é equilíbrio, prudência e caridade ao analisar a caminhada do próximo.

Já na terceira resposta, São Luís nos faz refletir sobre a necessidade do autoexame.

Antes de investigar excessivamente os defeitos dos outros, deveríamos observar os nossos próprios.
Essa é uma das partes mais difíceis da reforma íntima.

É muito mais confortável analisar a vida alheia do que enfrentar as próprias imperfeições.
No entanto, o crescimento espiritual começa exatamente nesse ponto: quando deixamos de viver apenas olhando para fora e passamos a olhar sinceramente para dentro de nós.

O Evangelho segundo o Espiritismo não propõe uma religião da aparência. Propõe uma transformação interior.
E essa transformação exige humildade.

Exige reconhecer que ainda estamos aprendendo.

Exige compreender que ninguém evolui pela humilhação, pela agressividade ou pelo julgamento constante.
Talvez por isso Jesus tenha insistido tanto na misericórdia.

O mundo já possui críticas em excesso, condenações em excesso e dureza em excesso.

O que falta, muitas vezes, é compaixão.

São Luís nos lembra que a indulgência não elimina a responsabilidade, mas humaniza a convivência.
E isso faz toda diferença.

Antes de julgar, vale a pena perguntar:

  • Eu gostaria de ser tratado da mesma maneira?
  • Eu conheço realmente a dor do outro?
  • Eu tenho sido indulgente também comigo mesmo?

Talvez o Evangelho continue nos convidando, todos os dias, a trocar um pouco de severidade por compreensão.
E talvez isso já seja um grande começo.

Referências bibliográficas

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X — “Bem-aventurados os misericordiosos”. FEB.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. FEB.

Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

MOMENTO REFORMA INTIMA


O que há por trás do nosso desejo de que as pessoas saibam sobre as virtudes que pressupomos possuir? Queremos despertar a admiração delas e, com isso, alimentar a nossa vaidade e o nosso orgulho? Queremos que elas reforcem, através de elogios, nossas características supostamente positivas, criando uma compensação quanto às negativas que sabemos ter e que não aceitamos em nós? Queremos criar uma imagem de superioridade que, inconscientemente, nos impede de pensar que temos pontos a melhorar?

Lembremos que serão bem-aventurados os pobres de espírito. Deixemos que advoguem em nossa causa os nossos atos. Uma imagem vale mais que mil palavras. Coloquemos amor em nossas atitudes e deixemos que elas testemunhem a nosso favor.

Meta do mês: Desenvolver a Modéstia

Meta do dia: Modifica tuas atitudes de presunção e vaidade e renova teus valores íntimos

Fonte: Agenda da Reforma Íntima, Ed. Auta de Souza)