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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

PENSÉ NISSO

"Não se pode exercer qualquer atividade sem primeiro aprender o que ela é, qual a sua finalidade, quais são as suas regras, quais as dificuldades e inconvenientes que devem ser evitados.*
Para fazer as coisas mais simples, temos de aprender a fazê-las e adquirir treinamento na prática.
Mas, quando se trata de Espiritismo, muita gente pensa que basta assistir algumas sessões para poder fazer tudo e dentro de pouco tempo tornar-se mestre no assunto.
Entretanto, *o Espiritismo, como ensinava Kardec, é um campo de atividades difíceis, complicadas, melindrosas, exigindo dos seus praticantes conhecimento seguro de sua natureza e finalidade, de suas possibilidades e dificuldades.*
Por isso muita gente fracassa na prática espírita, caindo em situações confusas, ensinando aos outros uma porção de coisas erradas, trocando as mãos pelos pés e escorregando sem perceber em obsessões e fascinações.
Quantos se afastam da verdade porque mentiram a si mesmos e semearam mentiras ao seu redor!
Evite esse desastre moral e espiritual estudando a doutrina na fonte, com o respeito e a humildade de quem compreende que está lidando com a mais elevada sabedoria já concedida à espécie humana.
*Espiritismo quer dizer SABEDORIA DOS ESPÍRITOS SUPERIORES.*
É a Ciência do Espírito, que se desdobra em Filosofia e
Religião.
Pense bem nisto:
*se a Ciência dos homens, a Filosofia dos homens e as religiões feitas pelos homens exigem anos de estudo, como se pode querer adquirir a Sabedoria dos Espíritos de uma hora para outra?*
Não seja vaidoso e não se faça discípulo dos mestres vaidosos que nada sabem e tudo ensinam.
Leia os livros iniciáticos de Kardec.
Aprenda passo a passo com o único mestre verdadeiro de Espiritismo que já existiu na Terra, aquele ao qual os Espíritos Superiores confiaram a missão de codificar a doutrina esclarecedora.
Estude atenciosamente esses livros, mesmo que você já se considere espírita.
Desenvolva e aprimore o seu bom-senso, evitando a insensatez.
Deus, concedeu bom-senso a nós todos, mas nos deixou o trabalho de cultivá-lo.
Não se julgue sábio por conta própria.
Chega sempre o momento em que teremos de ver que não sabíamos nada e perdemos a grande oportunidade que Deus nos concedeu de encontrar A VERDADE.

J. HERCULANO PIRES
INICIAÇÃO ESPÍRITA

quinta-feira, 20 de abril de 2017

ATITUDE MENTAL DO ESPÍRITA



José Herculano Pires

É muito importante a atitude mental do espírita na vida de relação familiar, social e profissional. A bondade, a alegria sóbria, o bom humor, o interesse em ajudar o próximo de qualquer maneira eficiente, o espírito de cooperação desinteressada, a tolerância construtiva, que não se confunde com a transigência inconsciente, a comunicabilidade, a cortesia, a discrição, a sociabilidade e o altruísmo positivo e dinâmico, devem caracterizar o espírita perfeitamente integrado nos ensinamentos doutrinários.

No bom sentido do termo, o espírita deve ser, antes de tudo, um realista, isto é, deve ser mais prático que teórico. Sua bondade, para se tornar objetiva, deve ser exemplificada, para não perder a própria expressão.

É muito bonito, e mais fácil, pregar a bondade, como ora o fazemos. Muito mais bonito, por mais útil, será exercê-la e praticá-la. O Espiritismo precisa de mais ação e menos palavras, para não cair no ramerrão de religiões muito nossas conhecidas, que se esterilizaram quando o intelectualismo começou a suplantar a exemplificação constante das virtudes cristãs.

Ser espírita não é tão fácil quanto parece. Mas aquele que consegue iluminar-se, vive num mundo feliz, porque ama e sabe que o amor suaviza todas as agruras, adoça todas as amarguras, desfaz todas as arestas, encurta os caminhos mais longos e ásperos.

O Espiritismo oferece às criaturas humanas a paz que elas têm procurado em vão. Explica-lhes muitas coisas que sempre foram tidas como misteriosas e indevassáveis aos que têm olhos para ver e não vêem, aos que se deixaram vendar pelos dogmas que exigem a fé com o sacrifício da inteligência e da razão.

O Espiritismo não é uma posição de fé: uma vez compreendido, torna-se uma afirmativa de confiança no amanhã, pela segurança que dá à alma, pela certeza que oferece ao ser humano de ir ao encontro da felicidade, pela compreensão da Vida, pelo conhecimento da razão de ser de muitos problemas humanos e sociais que nenhuma religião, antes dele, conseguiu resolver!

Insista em sua leitura e transforme-a num estudo cuidadoso. Leia sempre mais um pouco. Procure conhecer as obras fundamentais do Espiritismo e o que elas contêm de valioso. É uma doutrina que não tem mistério nem milagres.

O Espiritismo não ilude ninguém, ensina que a felicidade do homem tem de ser obra do próprio homem, que terá de retificar sua orientação na vida, pautando-a em normas evangélicas, segundo os ensinamentos codificados por Allan Kardec.

terça-feira, 21 de março de 2017

O AUTOCASTIGO


Deus não castiga o suicida, pois é o próprio suicida quem se castiga. A noção do castigo divino é profundamente modificada pelo ensino espírita. Considerando-se que o Universo é uma estrutura de leis, uma dinâmica de ações e reações em cadeia, não podemos pensar em punições de tipo mitológico após a morte. Mergulhado nessa rede de causas e efeitos, mas dotado do livre arbítrio que a razão lhe confere, o homem é semelhante ao nadador que enfrenta o fatalismo das correntes de água, dispondo de meios para dominá-las.
Ninguém é levado na corrente da vida pela força exclusiva das circunstâncias. A consciência humana é soberana e dispõe da razão e da vontade para controlar-se e dirigir-se. Além disso, o homem está sempre amparado pelas forças espirituais que governam o fluxo das coisas. Daí a recomendação de Jesus: “Orai e vigiai”. A oração é o pensamento elevado aos planos superiores – a ligação do escafandrista da carne com os seus companheiros da superfície – e a vigilância é o controle das circunstâncias que ele deve exercer no mergulho material da existência.
O suicida é o nadador apavorado que se atira contra o rochedo ou se abandona à voragem das águas, renunciando ao seu dever de vencê-las pela força dos seus braços e o poder da sua coragem, sob a proteção espiritual de que todos dispomos. A vida material é um exercício para o desenvolvimento dos poderes do Espírito. Quem abandona o exercício por vontade própria está renunciando ao seu desenvolvimento e sofre as consequências naturais dessa opção negativa. Nova oportunidade lhe será concedida, mas já então ao peso do fracasso anterior.
Cornélio Pires, o poeta caipira de Tietê, responde à pergunta do amigo através de exemplos concretos que falam mais do que os argumentos. Cada uma de nossas ações provoca uma reação da vida. A arte de viver consiste no controle das nossas ações (mentais, emocionais ou físicas) de maneira que nós mesmos nos castigamos ou nos premiamos. Mas mesmo no autocastigo não somos abandonados por Deus, que vela por nós em nossa consciência.

(Obra: Astronautas do Além - Chico Xavier/Herculano Pires)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Respostas

As respostas às indagações formuladas pelos visitantes de Chico Xavier foram dadas por André Luiz que, por sinal, revestiu de novas palavras e nova forma de expressão os ensinos espíritas sobre a finalidade da vida humana na Terra. Os Espíritos do Senhor são bons professores e não se cansam de repetir as lições para os alunos desatentos, revestindo-as das mais diferentes roupagens a fim de atingirem a compreensão de todos. O Educandário da Terra é orientado pela Pedagogia do Céu, cujo método fundamental é o amor.
Fredrich Myers, o famoso psicólogo inglês, em seus estudos sobre a personalidade humana, verificou que a nossa consciência se divide em duas partes essenciais: a supraliminar e a subliminar. Encontrou isso nos seus estudos espíritas, confirmados por suas pesquisas hipnóticas. A consciência supraliminar é a que utilizamos no mundo, adaptada às exigências da vida material. A consciência subliminar é a que se destina ao mundo espiritual, onde teremos de viver depois da morte.
Podemos figurar a consciência como uma esfera cortada ao meio, uma laranja partida em duas metades. Esse corte é o limiar. A metade que fica acima dele é a que Myers chamou de supraliminar; a que fica abaixo é a subliminar. A parte de cima está cheia de indagações sobre a vida e a morte. A parte de baixo encerra todas as respostas. Porque a vida no mundo é um aprendizado e para aprender temos de enfrentar muitos problemas e procurar resolvê-los. Na consciência subliminar – a parte de baixo, – armazenamos o aprendizado feito em várias encarnações. Mas esse aprendizado não está completo e é por isso que voltamos ao Educandário Terreno. Quando uma prova difícil desafia a consciência supraliminar, a consciência de baixo, a subliminar, a socorre com os recursos provenientes das experiências anteriores.
Mas a consciência subliminar – a de baixo, – é a que está em ligação com o mundo espiritual, adaptada a ele e não ao mundo terreno. Por isso, a Parapsicologia hoje nos mostra que a percepção extra-sensorial provém do inconsciente. E é por intermédio dessa consciência interna e profunda que os Espíritos nos socorrem com suas intuições. Meditando sobre isso, compreenderemos melhor a lição de André Luiz: “A Terra é um educandário em cujas lições somos todos alunos e examinadores uns dos outros”.

(Obra: Astronautas do Além - Chico Xavier / J. Herculano Pires)

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Respostas


 
As respostas às indagações formuladas pelos visitantes de Chico Xavier foram dadas por André Luiz que, por sinal, revestiu de novas palavras e nova forma de expressão os ensinos espíritas sobre a finalidade da vida humana na Terra. Os Espíritos do Senhor são bons professores e não se cansam de repetir as lições para os alunos desatentos, revestindo-as das mais diferentes roupagens a fim de atingirem a compreensão de todos. O Educandário da Terra é orientado pela Pedagogia do Céu, cujo método fundamental é o amor.
Fredrich Myers, o famoso psicólogo inglês, em seus estudos sobre a personalidade humana, verificou que a nossa consciência se divide em duas partes essenciais: a supraliminar e a subliminar. Encontrou isso nos seus estudos espíritas, confirmados por suas pesquisas hipnóticas. A consciência supraliminar é a que utilizamos no mundo, adaptada às exigências da vida material. A consciência subliminar é a que se destina ao mundo espiritual, onde teremos de viver depois da morte.
Podemos figurar a consciência como uma esfera cortada ao meio, uma laranja partida em duas metades. Esse corte é o limiar. A metade que fica acima dele é a que Myers chamou de supraliminar; a que fica abaixo é a subliminar. A parte de cima está cheia de indagações sobre a vida e a morte. A parte de baixo encerra todas as respostas. Porque a vida no mundo é um aprendizado e para aprender temos de enfrentar muitos problemas e procurar resolvê-los. Na consciência subliminar – a parte de baixo, – armazenamos o aprendizado feito em várias encarnações. Mas esse aprendizado não está completo e é por isso que voltamos ao Educandário Terreno. Quando uma prova difícil desafia a consciência supraliminar, a consciência de baixo, a subliminar, a socorre com os recursos provenientes das experiências anteriores.
Mas a consciência subliminar – a de baixo, – é a que está em ligação com o mundo espiritual, adaptada a ele e não ao mundo terreno. Por isso, a Parapsicologia hoje nos mostra que a percepção extra-sensorial provém do inconsciente. E é por intermédio dessa consciência interna e profunda que os Espíritos nos socorrem com suas intuições. Meditando sobre isso, compreenderemos melhor a lição de André Luiz: “A Terra é um educandário em cujas lições somos todos alunos e examinadores uns dos outros”.
 
(Obra: Astronautas do Além - Chico Xavier / J. Herculano Pires)

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O AUTOCASTIGO


Deus não castiga o suicida, pois é o próprio suicida quem se castiga. A noção do castigo divino é profundamente modificada pelo ensino espírita. Considerando-se que o Universo é uma estrutura de leis, uma dinâmica de ações e reações em cadeia, não podemos pensar em punições de tipo mitológico após a morte. Mergulhado nessa rede de causas e efeitos, mas dotado do livre arbítrio que a razão lhe confere, o homem é semelhante ao nadador que enfrenta o fatalismo das correntes de água, dispondo de meios para dominá-las.
Ninguém é levado na corrente da vida pela força exclusiva das circunstâncias. A consciência humana é soberana e dispõe da razão e da vontade para controlar-se e dirigir-se. Além disso, o homem está sempre amparado pelas forças espirituais que governam o fluxo das coisas. Daí a recomendação de Jesus: “Orai e vigiai”. A oração é o pensamento elevado aos planos superiores – a ligação do escafandrista da carne com os seus companheiros da superfície – e a vigilância é o controle das circunstâncias que ele deve exercer no mergulho material da existência.
O suicida é o nadador apavorado que se atira contra o rochedo ou se abandona à voragem das águas, renunciando ao seu dever de vencê-las pela força dos seus braços e o poder da sua coragem, sob a proteção espiritual de que todos dispomos. A vida material é um exercício para o desenvolvimento dos poderes do Espírito. Quem abandona o exercício por vontade própria está renunciando ao seu desenvolvimento e sofre as consequências naturais dessa opção negativa. Nova oportunidade lhe será concedida, mas já então ao peso do fracasso anterior.
Cornélio Pires, o poeta caipira de Tietê, responde à pergunta do amigo através de exemplos concretos que falam mais do que os argumentos. Cada uma de nossas ações provoca uma reação da vida. A arte de viver consiste no controle das nossas ações (mentais, emocionais ou físicas) de maneira que nós mesmos nos castigamos ou nos premiamos. Mas mesmo no autocastigo não somos abandonados por Deus, que vela por nós em nossa consciência.
(Obra: Astronautas do Além - Chico Xavier/Herculano Pires)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Todos São Importantes



Somos iguais perante a seara, porque somos todos iguais perante o Senhor da Seara. Deus não faz acepção de pessoas, nem de posições e muito menos de instituições. O item 5 do capítulo XX de O Evangelho Segundo o Espiritismo estabelece esta condição essencial: “Felizes os que tiverem trabalhado o campo do Senhor com desinteresse e movidos apenas pela caridade”. Emmanuel conclui a sua mensagem lembrando “que toda pessoa é importante na edificação do Reino de Deus”.
Querer que não haja discordâncias entre os que trabalham na divulgação e na sustentação da Doutrina seria acalentar quimeras. Cada consciência humana, como ensina Hubert, é um ponto na correnteza da duração. Cada um de nós está colocado num ângulo determinado do eterno fluir da realidade. Cada qual, portanto, tem a sua maneira própria de ver as coisas.
O Espiritismo nos ensina que nos completamos uns aos outros pelas nossas diferenças. Mas se diferimos nos acessórios, concordamos sempre no essencial. Por isso mesmo a caridade – que é o amor em ação – deve eliminar as arestas do nosso personalismo, ensinando-nos que todos somos importantes na busca e na conquista da verdade.
Claro que não devemos concordar com tudo e tudo aprovar em silêncio, pois a tolerância de acomodação equivale a cumplicidade com o erro. A crítica maldosa e orgulhosa, que condena tudo o que é feito pelos outros, é a negação da caridade. Mas ai de nós se suprimirmos a crítica do meio espírita! Porque é ela, quando sensata e sincera, a prática da vigilância que Jesus ensinou e Paulo exemplificou. Como utilizar o “crivo da razão”, de que nos fala Kardec, se abdicarmos do direito de pensar, que mais do que um direito é um supremo dever do espírito?
Quando Emmanuel diz: “Guiar-se pela misericórdia e não pela crítica” está se referindo à crítica negativa que nasce do orgulho e não à crítica positiva que brota espontânea e necessária do julgamento imparcial e fraterno, objetivando corrigir e portanto ajudar. O lema “valorizar o esforço alheio” não implica a valorização dos erros e dos enganos do próximo, mas o reconhecimento dos esforços feitos por todos a favor da causa comum. Todos precisamos de misericórdia, mas a misericórdia, como Deus nos mostra em sua lei de ação e reação, não é a aprovação de erros e ilusões – e sim a correção e o esclarecimento.

(Obra: Astronautas do Além - Chico Xavier / J. Herculano Pires)

terça-feira, 22 de maio de 2012

O MISTÉRIO DO BEM E DO MAL


“Por que razão devemos pagar o mal com o bem e amar os nossos inimigos? O certo não é o contrário, pagar o mal com o mal e odiar os inimigos? O sujeito que me der uma bofetada leva um tiro que o manda para o inferno. Foi sempre assim que se fez. O mundo é isso. E é por isso que não entendo as religiões, não
entendo o Espiritismo. Se eu ficar espírita tenho de deixar de ser homem. Vou ser maricas, bonzinho ou idiota!”

Depois disso, o leitor acrescenta: “Quer me dizer o que é o bem e o que é o mal? Que mistério é esse? Levar uma bofetada é um bem? Matar um bandido é um mal? Quero ver como vocês, espíritas, se saem dessa”.

Nosso espaço é pouco para responder a tudo. Mas vamos fazer o possível. Mesmo porque não adianta escrever muito. O próprio leitor informa: “Não sou de muito ler e de muito pensar. Sou homem de atividade”.

Vamos por ordem:

1 – Os bichos se mordem e se estraçalham. O fraco foge do forte. Mas o homem não é bicho, é homem. Tem inteligência, consciência, linguagem, sabe falar. Os homens se entendem. Devemos pagar o mal com o bem porque precisamos do bem para viver. O mal aumenta o mal e transforma os homens em bichos. A lei do “olho por olho e dente por dente” pertence às épocas de barbárie. Só o amor produz a civilização, humanizando os costumes e desenvolvendo a solidariedade.

2 – Se o leitor se tornar espírita, deixará no passado o bicho que existe em cada um de nós, para se tornar uma criatura humana. Aliás, toda religião e toda doutrina espiritualista, sejam quaisforem, têm por finalidade afastar o homem da condição animal, para humanizá-lo. Ser bom, não é ser idiota. Pelo contrário, a idiotice está precisamente em ser mau. Os maus se condenam a si mesmos e acendem um braseiro na consciência.

3 – Levar uma bofetada pode ser um bem, quando serve para ensinar o bem, como no caso de Jesus. Matar um bandido é sempre um mal, pois ninguém precisa mais de viver do que um bandido. A vida é a grande educadora das almas. Matar um bandido é retirar a sua possibilidade de regenerar-se, de aprender a ser bom. Em todos os países civilizados o direito penal moderno é contrário à pena de morte. O bandido é um homem em que o animal predomina. Mas, é um homem, um filho de Deus, uma alma pela qual o Cristo se entregou ao suplício da cruz. O bandido é um nosso irmão em erro, que deve ser corrigido e não aniquilado.

4 – Um homem de atividade, ou de ação, precisa ler e pensar. A atividade sem pensamento é impossível. Primeiro pensamos, depois agimos. Os que dizem que preferem agir estão errados, pois na verdade estão agindo sem o necessário critério, que vem da reflexão. Por outro lado, a reflexão se apóia no conhecimento e, quem não lê, conhece muito pouco. A boa leitura e o bom pensamento conduzem à ação reta, à atividade certa. Leia mais e pense, sempre, antes de agir.


Obra: PIRES, J. Herculano: O Mistério do Bem e do Mal - ed. 2. Editora Espírita Correio Fraterno do ABC, São Paulo, 1992

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Respostas

As respostas às indagações formuladas pelos visitantes de Chico Xavier foram dadas por André Luiz que, por sinal, revestiu de novas palavras e nova forma de expressão os ensinos espíritas sobre a finalidade da vida humana na Terra. Os Espíritos do Senhor são bons professores e não se cansam de repetir as lições para os alunos desatentos, revestindo-as das mais diferentes roupagens a fim de atingirem a compreensão de todos. O Educandário da Terra é orientado pela Pedagogia do Céu, cujo método fundamental é o amor. Fredrich Myers, o famoso psicólogo inglês, em seus estudos sobre a personalidade humana, verificou que a nossa consciência se divide em duas partes essenciais: a supraliminar e a subliminar. Encontrou isso nos seus estudos espíritas, confirmados por suas pesquisas hipnóticas. A consciência supraliminar é a que utilizamos no mundo, adaptada às exigências da vida material. A consciência subliminar é a que se destina ao mundo espiritual, onde teremos de viver depois da morte. Podemos figurar a consciência como uma esfera cortada ao meio, uma laranja partida em duas metades. Esse corte é o limiar. A metade que fica acima dele é a que Myers chamou de supraliminar; a que fica abaixo é a subliminar. A parte de cima está cheia de indagações sobre a vida e a morte. A parte de baixo encerra todas as respostas. Porque a vida no mundo é um aprendizado e para aprender temos de enfrentar muitos problemas e procurar resolvê-los. Na consciência subliminar – a parte de baixo, – armazenamos o aprendizado feito em várias encarnações. Mas esse aprendizado não está completo e é por isso que voltamos ao Educandário Terreno. Quando uma prova difícil desafia a consciência supraliminar, a consciência de baixo, a subliminar, a socorre com os recursos provenientes das experiências anteriores. Mas a consciência subliminar – a de baixo, – é a que está em ligação com o mundo espiritual, adaptada a ele e não ao mundo terreno. Por isso, a Parapsicologia hoje nos mostra que a percepção extra-sensorial provém do inconsciente. E é por intermédio dessa consciência interna e profunda que os Espíritos nos socorrem com suas intuições. Meditando sobre isso, compreenderemos melhor a lição de André Luiz: “A Terra é um educandário em cujas lições somos todos alunos e examinadores uns dos outros”.

(Obra: Astronautas do Além - Chico Xavier / J. Herculano Pires)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Filosofia viva e racional, sem o espírito de sistema

A posição filosófica de Kardec – Uma lição de Casirer – A moral espírita decorre dos ensinos do Cristo.

Kardec foi ou não foi um filósofo? O Espiritismo é ou não é uma filosofia, um sistema filosófico? Essas indagações vêm sendo formuladas ultimamente, em alguns meios espíritas, diante da alegação de alguns adversários da doutrina, em sentido contrário. Justo, pois, que alguns leitores nos interpelem a respeito, tanto mais quando ainda há pouco houve uma referência ao assunto, neste mesmo jornal. Por outro lado, o problema é realmente de interesse doutrinário.

A propósito de Kardec, a primeira coisa a considerar é que ele jamais se disse filósofo ou pretendeu entrar para a galeria dos filósofos. Sua especialidade era a pedagogia. Foi discípulo emérito de Pestalozzi e interessou-se a fundo pelos problemas pedagógicos, deixando, na França, numerosos livros didáticos. Apesar de sua vasta cultura, e de ser constantemente solicitado pelos meios culturais da época, o interesse de Kardec não se voltava para as glórias humanas. Preferiu colocar o seu saber e a sua inteligência a serviço da espiritualidade.

Quanto ao Espiritismo, é indiscutível a existência de uma filosofia espírita, cujo tratado fundamental é O Livro dos Espíritos. Nesse ponto, poderíamos ver uma contradição com o que dissemos acima. Basta lembrarmos, porém, que O Livro dos Espíritos não é de Kardec, mas dos Espíritos, para vermos que não há contradição. O próprio mestre fez sempre questão de esclarecer que a filosofia espírita não fora elaborada por ele, mas pelas entidades espirituais que, sob a égide do Espírito da Verdade, transmitiram-lhe a nova revelação.

Há pouco, alguém declarou, em entrevista a um jornal do norte do país, que O Livro dos Espíritos não pode ser considerado um livro filosófico, porque não está vazado na linguagem técnica. Seria o caso de perguntarmos se filosofia é uma técnica de linguagem ou um processo de indagação da verdade através do pensamento. Parafraseando conhecida passagem evangélica, podemos dizer que a filosofia é senhora da linguagem técnica e não o contrário. O que importa em O Livro dos Espíritos é a filosofia contida nas suas páginas, e não qualquer espécie de vocabulário técnico, da mesma maneira que o que importa no Evangelho é a sua filosofia de vida, não as suas formas de expressão.

Outra coisa de que devemos nos lembrar é que O Livro dos Espíritos não se destinava a criar uma nova escola filosófica, mas a fazer uma nova revelação. Assim como, sobre a revelação do Cristo, os homens trabalharam para construir sistemas filosóficos, assim também, sobre a revelação do Espírito da Verdade, os filósofos poderão construir os seus sistemas. Mas, da mesma maneira por que existe uma filosofia cristã, representada pelos princípios evangélicos, que transformaram o mundo, também existe uma filosofia espírita, orientando as novas transformações por que o mundo tem de passar, para que o Reino de Deus nele se estabeleça.

Ainda hoje se discute se existe ou não uma filosofia cristã. Não é, pois de estranhar que se pergunte pela filosofia espírita. Entretanto, no próprio O Livro dos Espíritos encontramos uma explicação de Kardec a respeito deste assunto. Diz o mestre: “Ele foi escrito por ordem de (e ditado pelos) Espíritos Superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos prejuízos do espírito de sistema”. Como se vê, não interessava a Kardec formular um sistema filosófico no estilo clássico, aliás, já superado inteiramente hoje em dia, quando se compreende que a verdade não pode ser encerrada na melhor das sistematizações humanas.

Os que não vêem filosofia no Espiritismo e não reconhecem a Kardec uma posição filosófica, em virtude de questões puramente formais e, portanto, convencionais, deviam lembrar-se de que Jesus também não formulou um sistema filosófico, ao gosto da época, e que o verdadeiro pai da filosofia grega, Sócrates, também não se interessou por isso. Ernst Casirer, em sua Antropologia Filosófica, acentuando a inconveniência dos sistemas clássicos, declara: “Cada teoria se converte num leito de Procusto, em que os fatos empíricos são obrigados a se acomodar a um padrão preconcebido”. Como se vê, a opinião de Kardec, sobre os inconvenientes do “espírito de sistema”, é referendada por um dos maiores pensadores atuais.

Uma das coisas que se aponta, em O Livro dos Espíritos, como antifilosófico, é a forma didática e, particularmente, a forma dialogada. Devemos lembrar, porém, que o diálogo é uma forma tradicional de exposição filosófica, em que os grandes filósofos sempre foram mestres. A pedagogia é uma parte da filosofia, e a própria filosofia é também pedagógica, segundo assinala René Hubert, acentuando: “Toda filosofia aspira a difundir-se, a ser uma propaganda. Ter a mão cheia de verdades e conservá-la fechada é de espíritos tacanhos. O que seria, pois, uma verdade que não quisesse comunicar-se?”

De tudo o que ficou dito, conclui-se que a posição filosófica de Kardec é inegável, embora ele nunca se dissesse filósofo; que o Espiritismo possui uma filosofia, racional e livre do espírito de sistema; e, por fim, que o problema filosófico do Espiritismo é o mesmo do Cristianismo. Quando à existência de uma ética espírita, negada por ilustre opositor da doutrina, repetimos que a moral espírita é a do Cristo, como se vê em O Evangelho segundo o Espiritismo, e que a terceira parte de O Livro dos Espíritos é inteiramente dedicada ao estudo das leis morais.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Necessidade do estudo de Kardec para discernimento doutrinário

Confusões intencionais e não-intencionais, lançadas nos meios espíritas – O problema umbandista – Mensagens de Ramatis. Há muitas confusões, feitas intencionalmente ou não, entre o Espiritismo e numerosas formas de crendice popular, inclusive as formas de sincretismo religioso afro-brasileiro, hoje largamente difundidas. Adversários da doutrina espírita costumam fazer intencionalmente essas confusões, com o fim de afastar do Espiritismo as pessoas cultas. Por outro lado, alguns espíritas malorientados, que não conhecem a própria doutrina, colaboram nesse trabalho de confusão, admitindo como doutrinárias as mais estranhas manifestações mediúnicas e as mais evidentes mistificações.

Alguns leitores se mostram justamente alarmados com a larga aceitação que vêm tendo, em certos meios doutrinários, práticas de Umbanda e comunicações de Ramatis. E nos escrevem a respeito, pedindo uma palavra nossa sobre esses assuntos. Na verdade, já escrevemos numerosas crônicas tratando da necessidade de vigilância nos meios espíritas, de maior e mais seguro conhecimento dos nossos princípios, e apontando os perigos decorrentes
do entusiasmo fácil, da aceitação apressada de certas inovações. Mas, para atender às solicitações, voltaremos hoje ao assunto.

Kardec dizia, como muita razão, que os adeptos demasiado entusiastas são mais perigosos para a doutrina do que os próprios adversários. Porque estes, combatendo o que não conhecem, evidenciam a própria fraqueza e contribuem para o esclarecimento J. Herculano Pires – O Mistério do Bem e do Mal do povo, enquanto os adeptos de entusiasmo fácil comprometem a causa. O que estamos vendo hoje, no meio espírita brasileiro, não
é mais do que a confirmação dessa assertiva do codificador. Espíritas demasiado entusiastas estão sempre prontos a receber qualquer “nova revelação” que lhes seja oferecida e a divulgá-la sofregamente, como verdades incontestáveis. Que diferença entre o equilíbrio e a ponderação de Kardec e essa afoiteza inútil e prejudicial!

No tocante à Umbanda, já dissemos aqui, numerosas vezes, que se trata de uma forma de sincretismo religioso, ou seja, de mistura de religiões e cultos, com a qual o Espiritismo nada tem a ver. As formas de sincretismo religioso são, praticamente, as nebulosas sociais de que nascem as novas religiões. A Umbanda já superou a fase inicial de nebulosa, estando agora em plena fase de condensação. É por isso que ela de difunde com mais intensidade. Já se pode dizer que é uma nova religião, formada com elementos das crenças africanas e indígenas, misturados a crenças e formas de culto do catolicismo e do islamismo em franco desenvolvimento entre nós. O Espiritismo não participou da sua formação, embora os nossos sociólogos, em geral, exatamente por desconhecerem o Espiritismo, digam o contrário, pois confundem o mediunismo primitivo, de origem africana e indígena, com os princípios de uma doutrina moderna. Nós, espíritas, devemos
respeitar na Umbanda uma religião nascente, mas não podemos admitir confusões entre as suas práticas sincréticas e as práticas espíritas.

Quando às mensagens de Ramatis, também já tivemos ocasião de declarar que se trata de mensagens mediúnicas a serem examinadas. De nossa parte, consideramo-las como mensagens
confusas, dogmáticas, vazadas na linguagem típica dos espíritos pseudo-sábios, a que Kardec se refere na escala espírita de O Livro dos Espíritos. Cheias de afirmações absurdas e até mesmo contraditórias, essas mensagens revelam uma fonte que devia ser
encarada com menos entusiasmo e com mais cautela pelos espíritas. Em geral, nossos confrades se entusiasmam com “as novas revelações” aparentemente contidas nas mesmas, esquecendo-se de passá-las, como aconselhava Kardec, pelo crivo da razão.

O que temos de aconselhar a todos, pelo menos a todos os que nos consultam a respeito, é mais leitura e mais estudo de Kardec, e menos atenção a espíritos que tudo sabem e a tudo
respondem com tanta facilidade, usando sempre uma linguagem envolvente, em que nem todos sabem dividir a verdade do erro. “O Espiritismo”, dizia Cairbar Schutel, “é uma questão de bomsenso”. Procuremos andar de maneira sensata, na aceitação de mensagens mediúnicas.


(PIRES, Herculano: O Mistério do Bem e do Mal, 3ª Edição, São Bernardo do Campo - SP, 2008, pp. 9-11.)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Todos são importantes


Somos iguais perante a seara, porque somos todos iguais perante o Senhor da Seara. Deus não faz acepção de pessoas, nem de posições e muito menos de instituições. O item 5 do capítulo XX de O Evangelho Segundo o Espiritismo estabelece esta condição essencial: “Felizes os que tiverem trabalhado o campo do Senhor com desinteresse e movidos apenas pela caridade”. Emmanuel conclui a sua mensagem lembrando “que toda pessoa é importante na edificação do Reino de Deus”.

Querer que não haja discordâncias entre os que trabalham na divulgação e na sustentação da Doutrina seria acalentar quimeras. Cada consciência humana, como ensina Hubert, é um ponto na correnteza da duração. Cada um de nós está colocado num ângulo determinado do eterno fluir da realidade. Cada qual, portanto, tem a sua maneira própria de ver as coisas.

O Espiritismo nos ensina que nos completamos uns aos outros pelas nossas diferenças. Mas se diferimos nos acessórios, concordamos sempre no essencial. Por isso mesmo a caridade – que é o amor em ação – deve eliminar as arestas do nosso personalismo, ensinando-nos que todos somos importantes na busca e na conquista da verdade.

Claro que não devemos concordar com tudo e tudo aprovar em silêncio, pois a tolerância de acomodação equivale a cumplicidade com o erro. A crítica maldosa e orgulhosa, que condena tudo o que é feito pelos outros, é a negação da caridade. Mas ai de nós se suprimirmos a crítica do meio espírita! Porque é ela, quando sensata e sincera, a prática da vigilância que Jesus ensinou e Paulo exemplificou. Como utilizar o “crivo da razão”, de que nos fala Kardec, se abdicarmos do direito de pensar, que mais do que um direito é um supremo dever do espírito?

Quando Emmanuel diz: “Guiar-se pela misericórdia e não pela crítica” está se referindo à crítica negativa que nasce do orgulho e não à crítica positiva que brota espontânea e necessária do julgamento imparcial e fraterno, objetivando corrigir e portanto ajudar. O lema “valorizar o esforço alheio” não implica a valorização dos erros e dos enganos do próximo, mas o reconhecimento dos esforços feitos por todos a favor da causa comum. Todos precisamos de misericórdia, mas a misericórdia, como Deus nos mostra em sua lei de ação e reação, não é a aprovação de erros e ilusões – e sim a correção e o esclarecimento.

(Chico Xavier / J. Herculano Pires: Astronautas do Além - FEB.)