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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

CONFRONTOS

Tristeza oculta no peito
Tem a mania do cupim
Que, quando surge na casa,
O telhado está no fim.

Ciúme (Deus me perdoe)
Parece em qualquer feição,
Com jararaca enroscada
Por dentro do coração.

Orgulho lembra o coqueiro
Que mais alto põe o cacho,
Um dia, o raio aparece
E o coqueiro vem abaixo.

Vaidade recorda a rã
Que não vê a própria face,
E pensa que o mundo inteiro
É a lagoa onde ela nasce.

Mentira é igual ao macaco
Que come no pé de amora,
Corpo escondido na rama,
Deitando a cauda de fora.

Melindre parece a larva
Que cresce sem reboliço
E acaba matando a rosa,
Sem que a rosa dê por isso.

Maledicência relembra
Um papagaio invulgar,
Que vive tanto mais preso
Quanto mais sabe falar.

Apego desenfreado
É igual à hera em ação
Que, aos poucos, abraça o muro
E atira o muro no chão.

Cobiça, se bem comparo,
É assim como poço fundo
Que cabe, de ponta a ponta,
Toda a miséria do mundo.

Espírito Cornélio Pires*
Francisco Cândido Xavier
Livro - No mundo de Chico Xavier
*Autor - Elias Barbosa*
*Página - 56 e 57

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Assunto Entre Amigos

ASSUNTO ENTRE AMIGOS

Recebi o seu bilhete,
Meu caro Juca Vilaça.
Pede você que lhe escreva
Algo mais sobre a cachaça.
Explica você: “Cornélio,
Abra o caso mais a fundo,
Fale mais dos resultados
Quanto à pinga no outro mundo.”
Você tem razão. A pinga,
Por mais que a verdade doa,
Sem controle que a governe,
Arrasa qualquer pessoa.
Além de ser forte agente
Da obsessão tal e qual,
Provoca desequilíbrio
No corpo espiritual.
Prejudica e desfigura
Muito mais do que se pensa,
Cachaça, por si, carrega
Tristeza, inércia, doença...
Em qualquer parte onde surja,
Lembra sempre, em qualquer clima.
Enxurrada morro abaixo
Ou fogo de morro acima.
Muito difícil contê-la
Quando segue de arrastão
Porque mergulha a cabeça
Em sombra ou destruição.
Você recorda o Pereira
Da Mata do Xique-Xique...
Desencarnado, ele mora
Numa beira de alambique.
Morreu de tanto beber
Nhô Totico da Água Santa;
Hoje, sem corpo, anda à caça
De quem lhe empreste a garganta.
Rafael foi-se em bebida,
— O pobre do nosso Rafa, —
E agora em vida diversa
Só pensa em copo e garrafa.
Daqui, vejo, rua em rua,
Sem rumo em que se comande,
Nosso Ercílio do copinho
Que tombou em litro grande.
Embriagada vivia
Dona Quiquita Borela...
Depois da morte procura
Quem tome pinga com ela.
Uma história das mais tristes
A do nosso Chico Souza...
Perdendo o corpo em ressaca,
Não se lembra de outra cousa.
Largando o mundo, aos copásios,
Nhô Bernardo do Lajão,
Continua, após a morte,
Na mesma perturbação.
Cachaça, meu caro amigo,
Tem este traço comum:
Estraga de qualquer modo
A mente de qualquer um.
Em muito caso de angústia,
Nas provas justas da vida,
Muito suicídio e loucura
São do excesso de bebida.
Nas festas e cerimônias
Não se canse de aprender
A arte de alçar o copo
Nobre e firme sem beber.
Pinga ajuda o coração?...
Disso há gente que se gabe,
Mas se cachaça é remédio
A medicina é que sabe.
Quanto a nós, recorde o aviso
Do nosso Nico Belém:
—“Água que gato não bebe
Não auxilia a ninguém.”

LIVRO: RETRATOS DA VIDA
MÉDIUM : CHICO XAVIER
ESPÍRITO :  CORNÉLIO PIRES
CAPÍTULO 7

Áudio disponível em breve.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Coisas Deste Mundo


Tonico viveu na farra
Bebendo pinga aos canecos.
Hoje é um homem renascido
De fígado em pandarecos.

Tião pisou josefina,
Faleceu zombando dela . . .
Hoje é um menino enjeitado
Que josefina tutela.

Furtava ouro e diamantes
O ourives joaquim cazuza . . .
Renascido hoje trabalha
Em forno de ferro guza.

Marina expulsou a sogra
Por causa de uma tigela;
A pobre morreu na chuva,
Mas agora é filha dela.

No esporte o conde arrasava
Com qualquer antagonista . . .
Morreu e voltou à terra,
É um médico ortopedista.

Suicidaram-se por jonas
Dila e duca de morais . . .
Renasceram filhas dele,
Meninas excepcionais.

Eis a história de tintina :
___ aborto e criança morta.
Hoje ela quer renascer,
Toda a gente fecha a porta.

Por causa de terra e nota
Líliu matou joão braúna,
Mas joão nasceu de líliu
Para herdar toda a fortuna.

Astolfo escreveu maus livros
Endoidando a multidão,
Do além retornou ao mundo
Nas teias da obsessão.

Tesouro maior da vida
É a mente tranquila e sã.
Erro que a gente faz hoje
A vida acerta amanhã.

Espírito : Cornélio Pires.
Médium : Chico Xavier.