Mas, quando falamos de um médium como Peixotinho, é importante não ficarmos presos apenas ao aspecto extraordinário dos fenômenos. No Espiritismo, a mediunidade não deve ser vista como espetáculo, privilégio ou motivo de vaidade. Ela é, antes de tudo, instrumento de serviço, responsabilidade moral e convite à transformação interior.
Peixotinho teve uma trajetória marcada por simplicidade, disciplina e dedicação. Militar de carreira, viveu em diferentes cidades brasileiras, e por onde passou procurou colaborar com o movimento espírita. Sua mediunidade chamou a atenção de muitos estudiosos e companheiros de ideal, mas seu exemplo não está apenas nos relatos de fenômenos: está também na postura de alguém que buscou colocar suas faculdades a serviço da consolação, do estudo e da fé raciocinada.
A mediunidade de efeitos físicos sempre despertou curiosidade. Afinal, ela envolve manifestações que parecem tocar diretamente o mundo material. Porém, a Doutrina Espírita nos ensina que nenhum fenômeno, por mais impressionante que seja, substitui a reforma íntima. O fenômeno pode chamar a atenção; o Evangelho, porém, educa o coração.
Por isso, recordar Peixotinho é também recordar uma lição fundamental: a verdadeira grandeza do médium não está no tipo de mediunidade que possui, mas no uso que faz dela. A faculdade mediúnica, quando orientada pelo bem, pela humildade e pela disciplina, torna-se ponte de auxílio. Quando usada com orgulho, curiosidade ou imprudência, perde sua finalidade superior.
Em tempos em que tantas pessoas buscam sinais exteriores, a vida de Peixotinho nos convida a olhar para dentro. A pergunta mais importante não é apenas: “Que fenômenos ele realizou?” A pergunta mais profunda é: “Que bem podemos realizar com os dons que Deus nos confiou?”
Nem todos somos médiuns de efeitos físicos. Nem todos seremos lembrados por fenômenos marcantes. Mas todos podemos ser instrumentos de paz, amparo, escuta, oração e serviço. Cada um de nós, no campo em que foi chamado a atuar, pode materializar o amor por meio de atitudes concretas.
Peixotinho nos lembra que a mediunidade séria não existe para alimentar fascínio, mas para fortalecer a fé, despertar consciências e aproximar os corações de Deus. Seu nome permanece como referência histórica dentro do Espiritismo brasileiro, especialmente para aqueles que estudam a mediunidade com respeito, prudência e responsabilidade.
Que sua memória nos inspire a servir mais e aparecer menos; a estudar mais e julgar menos; a trabalhar no bem com humildade, sabendo que toda faculdade espiritual é empréstimo divino e oportunidade de crescimento.
Porque, no fim, o maior fenômeno que o Espiritismo nos propõe não é a materialização visível de um Espírito, mas a transformação invisível de uma alma que aprende a amar.

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