segunda-feira, 11 de maio de 2026

Dai gratuitamente porque o bem não deve virar (mercadoria)

 “Dai gratuitamente o que haveis recebido gratuitamente.”

(Mateus 10:8)

Entre os muitos ensinamentos deixados por Jesus, poucos são tão diretos e, ao mesmo tempo, tão profundos quanto este.

A frase é frequentemente lembrada no Espiritismo quando se fala sobre a mediunidade gratuita. E não por acaso. Allan Kardec ensinou que a mediunidade não deve ser transformada em instrumento de lucro, pois os dons espirituais pertencem a Deus e não ao homem.

Mas talvez o alcance dessa mensagem seja ainda maior.

Quando Jesus fala sobre dar gratuitamente aquilo que recebemos gratuitamente, Ele nos convida a refletir sobre tudo aquilo que chega até nós como bênção da vida:

  • o conhecimento;
  • o consolo;
  • a oportunidade;
  • o acolhimento;
  • a escuta;
  • a palavra amiga;
  • a oração;
  • a capacidade de ajudar.

Nada disso tem preço.

Vivemos em um mundo acostumado a transformar quase tudo em troca, interesse ou vantagem. Muitas vezes, as relações humanas passam a funcionar como comércio emocional: ajuda-se esperando retorno, oferece-se esperando reconhecimento, faz-se o bem aguardando recompensa.

Mas o Evangelho segue outra direção.

Jesus nos ensina a servir por amor.

Isso não significa desvalorizar o trabalho honesto ou negar a importância das profissões e do sustento material. O próprio Evangelho afirma que “o trabalhador é digno do seu salário”.

O problema começa quando o sagrado vira mercadoria.

Quando a fé vira espetáculo.

Quando a dor alheia se transforma em oportunidade de ganho.

Quando o auxílio espiritual deixa de ser serviço e passa a ser exploração.

A verdadeira caridade não calcula lucros.

Ela compreende que todos nós já recebemos gratuitamente muito mais do que imaginamos:

  • o amparo invisível nas horas difíceis;
  • os recomeços que a vida nos concede;
  • os afetos que nos sustentam;
  • as oportunidades de aprendizado;
  • e até mesmo o tempo necessário para corrigirmos nossos erros.

Talvez por isso a gratuidade seja uma das expressões mais bonitas da espiritualidade.

Quem aprende a servir sem interesse descobre uma forma diferente de riqueza: a alegria íntima de ser útil.

E, curiosamente, quanto mais o bem circula, mais ele cresce.

A luz não diminui quando é compartilhada.

Ela se multiplica.

Em um tempo marcado pela pressa, pelo exibicionismo e pela necessidade constante de reconhecimento, o ensinamento de Jesus continua extremamente atual.

Dar gratuitamente não é apenas uma questão financeira.

É uma postura do coração.

É ajudar sem humilhar.

É orientar sem dominar.

É acolher sem exigir retorno.

É compreender que aquilo que recebemos da vida como bênção também pode se transformar em bênção para os outros.

Talvez o mundo precise menos de discursos grandiosos e mais de pessoas dispostas a servir com simplicidade.

Porque, no fundo, quase tudo aquilo que realmente transforma a alma humana continua sendo gratuito:

  • um gesto sincero;
  • uma escuta fraterna;
  • uma oração feita com amor;
  • uma palavra de esperança no momento certo.

E isso, felizmente, ainda não pode ser comprado.

Referências bibliográficas

BÍBLIA SAGRADA. Mateus 10:8.

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. FEB.

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. FEB.

XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso, pelo Espírito Emmanuel. FEB.

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