terça-feira, 15 de outubro de 2013

DÍVIDA


 "Digo-te que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo." (Lc: 12. 59)


 Raros são os homens que, realmente, se sentem em dívida de gratidão com a Vida.
 Quase todos pensam em dela extrair o máximo e não em algo acrescentar ao seu
 divino patrimônio.
 Vejamos o que, por exemplo, vem ocorrendo com a Terra, que o homem esgota em
 todos os seus recursos.
 Por ambição e descaso, a continuar assim, dentro em pouco, o palacete terrestre
 estará transformado em ruínas...
 Espécies animais se encontram em extinção, córregos e riachos desaparecem , 
 florestas inteiras foram dizimadas, glebas outrora férteis padecem erosão...
 A responsabilidade do homem não é somente para com o próximo, mas também
 para com a casa planetária que habita. Perante a Lei Divina, ele igualmente há de
 responder pela agressão que vem fazendo à Natureza. E a consciência há de lhe
 pedir contas por uma única árvore que decepar sem necessidade...
 O homem da atualidade vem comprometendo as futuras gerações, esquecido de que
 ele mesmo, na condição de filho de seu filho, haverá de voltar ao mundo para 
 amargar as consequências de sua incúria.
 Do reino mineral à espécie humana, quem desrespeita a Criação em um só dos
 seres e das coisas criadas por Deus não viverá em paz, enquanto não devolver à
 economia da Vida o derradeiro centavo que lhe deve.
 Talvez seja pela sua falta de reverência à Natureza, a começar do jardim de sua casa,
 ou do pobre animal abandonado com cuja fome não se importa, ou, ainda, da 
 poluição que, irresponsável, fomenta, é que muita gente não saiba o que é ter
 paz no coração.

 (Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho - Carlos A.Baccelli/Inácio Ferreira)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

VIRTUDE SOLITÁRIA


Reunião pública de 30-1-61 - 1ª Parte, cap. III, item 8



Há quem deseje tranqüilidade ideal na Terra, com a pretensão de fugir ao erro.

Casa branca no aclive da serra, com o vale rente.

Clima doce e perfume da natureza.

Nenhum aborrecimento.

Nenhum cuidado.

Falta alguma.

Problema algum.

Solidão saborosa em que o morador consiga estirar-se, inerte, em poltronas e redes.

***

No entanto, é no trato da luta que as forças se enrijam e as qualidades se aperfeiçoam.

Considerando-se que o mal é a experiência inferior nos quadros da experiência mais nobre,
é nos serviço do amparo mútuo e da tolerância recíproca que havemos de transforma-lo em
bem duradouro, como se tomássemos as nossas próprias sombras de ontem para convencê-
las na luz de hoje.

Livres, estamos interligados perante a Lei, para fazer o melhor, e, escravizados aos
compromissos expiatórios, estaremos acorrentados uns aos outros no instituto da
reencarnação, segundo a Lei, para anular o pior que já foi feito por nós mesmos nas
existências passadas.

Ninguém progride sem alguém.

***

Abençoemos, assim, as provações que nos abençoam.

Trabalho é ascensão.
 Dor é burilamento.

Toda adversidade avisa, todo sofrimento instrui, todo pranto lava, toda dificuldade e toda
crise seleciona.

Virtude solitária é pão na vitrine.

Competência no palanque é usura da alma.

Todos somos alunos na escola da vida.

E ninguém consegue aprender sem dar a lição.

(Chico Xavier / Emmanuel)

SITUAÇÕES


Se um dia te encontrares em situações tão difíceis que a vida te pareça um cárcere sem portas; sob o cerco de perseguidores aparentemente imbatíveis;
sofrendo a conspiração de intrigas domésticas; na trama de processos obsessivos; no campo de moléstias consideradas irreversíveis; no laço de paixões que te conturbem a mente; debaixo de provas que te induzam à desolação e ao desânimo; sob a pressão de hábitos infelizes; em extrema penúria, sem trabalho e sem meios de sobrevivência; de alma relegada a supremo abandono; na área de problemas criados pelos entes a que mais ames; não desesperes.

Ora em Silêncio e confia em Deus, esperando pela Divina Providência, porque Deus tem estradas, onde o mundo não tem caminhos.

É por isto que a tempestade pode rugir à noite, mas não existem forças na Terra que impeçam, cada dia, a chegada de novo amanhecer.


(Obra: Amizade - Chico Xavier/Meimei)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

ANTE ALLAN KARDEC

 Perante as rajadas do materialismo a encapelarem o oceano da experiência terrestre, a obra Kardequiana assemelha-se, incontestavelmente, a embarcação providencial que singre as águas revoltas com segurança. Por fora, grandes instituições que pareciam venerandos navios estalam nos alicerces, enquanto esperanças humanas de todos os climas, lembrando barcos de todas as procedências, se entrechocam na fúria dos elementos, multiplicando as aflições e os gritos dos náufragos que bracejam nas trevas.  De que serviria, no entanto, a construção imponente se estivesse reduzida à condição de recinto dourado para exclusivo entretenimento de alguns viajantes, em tertúlias preciosas, indiferentes ao apelo dos que esmorecem no caos? Prevenindo contra semelhante impropriedade, os sábios instrutores que escreveram a introdução de “O Livro dos Espíritos” (1), disseram claramente a Allan Kardec: “Mas todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se confundirão num só sentimento: o do amor do bem e se unirão por um laço fraterno que prenderá o mundo inteiro”. Indubitavelmente, a obra espírita é a embarcação acolhedora, consagrada ao amor do bem. Urge, desse modo, que os seus tripulantes felizes não se percam nos conflitos palavrosos ou nas divagações estéreis. Trabalhemos, acendendo fachos de raciocínio para os que se debatem nas sombras. Todos concordamos em que Allá Kardec é o apóstolo da renovação humana, cabendo-nos o dever de dar-lhe expressão funcional aos ensino, com a obrigação de repartir-lhe a mensagem de luz, entre os companheiros de Humanidade. Assim crendo, traçamos os despretensiosos comentários contido neste volume, em torno das instruções relacionadas no livro “O Céu e o Inferno”, valendo-nos das oitenta e duas reuniões públicas de estudo da Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba, no decurso de 1961, dando continuidade à tarefa de consultar a essência religiosa da Codificação Kardequiana (2), com vistas à nossa própria responsabilidade, diante do Espiritismo, em sua feição de Cristianismo redivivo. Entregando, pois, estas páginas aos leitores amigos, não temos a presunção de inovar as diretrizes espíritas e sim o propósito sincero de reafirmar-lhes os conceitos, para facilitar-nos o entendimento, na certeza de que outros companheiros comparecerão no serviço interpretativo da palavra libertadora de Allan Kardec, suprindo-nos as deficiências no trato do assunto, com mais amplos recursos, em louvor da verdade, para a nossa própria edificação. Emmanuel Uberaba, 20 de março de 1962

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Você é Deus ?


 
Logo depois do término da segunda guerra mundial, a Europa começou a ajuntar os cacos que restaram.  
Grande parte da Inglaterra fora destruída e encontrava-se em ruínas. 
Talvez o lado mais triste da guerra tenha sido assistir as criancinhas órfãs morrendo de fome nas ruas das cidades devastadas. 
Certa manhã muito fria de Londres, um soldado americano estava retornando ao acampamento. Quando ele virou a esquina dirigindo um jipe, avistou um menino com o nariz pressionado contra o vidro de uma confeitaria. Lá dentro, o confeiteiro sovava a massa para uma fornada de rosquinhas.
Faminto e com os olhos arregalados, o menino observava todos os movimentos do confeiteiro. 
O soldado parou o jipe junto ao meio-fio, desceu, e caminhou em silêncio até o local onde o menino se encontrava. Através do vidro embaçado pela fumaça, ele viu as rosquinhas quentes e de dar água na boca sendo retiradas do forno. 
O menino salivou e deu um leve gemido quando o confeiteiro colocou as rosquinhas no balcão de vidro com todo o cuidado.
Em pé ao lado do menino, o soldado comoveu-se diante daquele órfão desconhecido.
- Filho... você gostaria de comer algumas rosquinhas?
O menino falou de modo tímido e com um certo receio:
- Ah, sim... eu gostaria! 
O soldado entrou na confeitaria e comprou uma dúzia de rosquinhas. Colocou-as dentro de um saco de papel e dirigiu-se ao menino.
O soldado sorriu, entregou as rosquinhas e disse :
- Aqui estão.
Quando o soldado se virou para ir embora, sentiu um puxão em sua farda. Ele olhou para trás e ouviu o menino perguntar baixinho:
Você é Deus...?
 
(Fonte: 
www.planetamais.com.br)