quarta-feira, 19 de outubro de 2011

UM DIA

Um dia, verás a ti mesmo em plano diferente.

Parecer-te-á, então, haver acordado de um sono profundo e, por isso mesmo, tudo te surpreenderá. Amigos que não vias, há muito tempo, se aproximarão de ti, estendendo-te as mãos. Perguntarás a vários deles: onde estavas que não mais te encontrei? Por que te distanciaste de mim? Todos te abraçarão, com a alegria a lhes fulgurar nos olhos, Fitarás as árvores carinhosamente podadas, formando corações que palpitarão de vida, plantas outras, mostrando as frondes entrelaçadas, lembrando mãos que se tocam afetuosamente. Respirarás profundamente, reconhecendo, assim, as qualidades nutrientes do no ambiente em que te virás...

Naquela festa de almas, porém, um homem de olhar manso desce de um torreão brilhante e caminha na direção dele.

Em vão, o recém-chegado tenta retirar dele os olhos magnetizados pelo amor que o desconhecido irradia. Ele caminha serenamente a fixá-lo com bondade, com a familiaridade de quem o conhecia.

- “Ah! – pensou o recém-vindo decerto que este amigo me conhece, de longo tempo”.

A custo, venceu a própria indecisão, e indagou do companheiro mais próximo:

- “Quem é este homem que está chegando até nós”?.

- “É o Mensageiro da Vida”.

Não houve tempo para outras inquirições.
Efetivamente, aquela simpática e estranha personagem lhe endereçou saudações fraternas e segurando-lhe a destra, qual se nela conseguisse ler todas as minudências da sua vida, não lhe perguntou pelo próprio nome, nada argüiu quanto à família a que pertencera ou à posição que exercera... Apenas pousou nele demoradamente os olhos azuis e perguntou-lhe:

-“Amigo, o que fizeste?”

(Obra: A Semente de Mostarda - Chico Xavier/Emmanuel)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

DUAS FORÇAS


Meus filhos!

Existem duas forças em luta na Terra, onde Jesus está construindo o Reino de Deus.

Essas forças são a do bem e a do mal que se manifestam por nossas mãos.

Temos, assim, por onde passamos no mundo, as mãos iluminadas que estendem o amor e a paz, o trabalho e a alegria...

E conhecemos as mãos espinhosas que fazem o ódio e o desespero, a preguiça e o sofrimento.

Há mãos que sustentam a lavoura e o jardim, produzindo pão e felicidade.

E vemos aquelas que se entregam à miséria e ao vício.
Mãos que honram a indústria e o progresso.

Mãos que arrancam lágrimas e multiplicam o infortúnio.

Vemos braços que acariciam... Braços de mãezinhas abençoadas, de pais amigos, de obreiros da paz e da evolução, de enfermeiras abnegadas e de crianças generosas que asseguram na Terra o Serviço da Luz.
E encontramos braços que ferem e amaldiçoam, que se entregam ao crime, que humilham os pobres e os pequeninos, que exercem a crueldade, e que violentam a Natureza, aniquilando as plantas e os animais prestimosos.

Reparamos mãos preciosas que usam a enxada e a pena, auxiliando o celeiro e a educação.
E surpreendemos mãos infelizes que roubam e matam, estendendo a perturbação e a morte.

Mãos que levantam templos e lavres, escolas e hospitais.
Mãos que destroem e dilaceram, enganam e apedrejam.
Jesus veio ao mundo para que nossas mãos aprendam a servir à Luz do Bem, edificando a nossa própria felicidade.

Com as d’Ele, curou os doentes, socorreu os fracos, amparou os tristes, limpou os leprosos, restituiu a visão aos cegos...

Levantou os paralíticos, afagou os velhos e os deserdados, e abençoou as criancinhas...

Filhos meus, não permitam que as garras da sombra lhes dominem as mãos na vida...

Sigamos pelos caminhos da Luz, procurando a intimidade com os servidores do bem!

Observem o brilhante lapidado e o diamante bruto. Ambos são filhos da terra. Um deles, porém, refulge, divino, retratando a beleza do céu, mas o outro jaz encarcerado nas trevas do cascalho contundente.

Jesus é o lapidário do céu, a quem Deus, Nosso Pai, nos confiou os corações.

Obedeçamos a Ele, nosso Divino Mestre, buscando-lhe as lições e seguindo-lhe os exemplos, e o Cristo nos farão construtores do Reino de Deus no mundo, conduzindo-nos para a Glória Celestial.

(Obra: Cartilha do Bem - Chico Xavier / Meimei)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

TENTADORA PROPOSTA

"Então disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias." (Mt: 17, 4)


Sobre o Tabor, contemplando o fenômeno da transfiguração de Jesus e a materialização simultânea de Moisés e Elias, Pedro dirige ao Senhor tentadora proposta...

Com outras palavras, propunha o Apóstolo que, ali fixando residência, permanecessem à distância das lutas das quais, por instantes, haviam se subtraído junto à multidão.

Todavia, sem responder diretamente a Simão, o Mestre desce da quietude do monte, como a dizer ao amigo que os que sofrem no vale das provações humanas não podem ser esquecidos.

E, logo que descem, já se deparam com pobre homem que, apresentando a Jesus o filho doente, lhe suplica, de joelhos: "Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e, outras muitas, na água."Se improdutivo, o êxtase da fé é inútil demonstração de espiritualidade.

Permutando o Tabor pelo Calvário, o Senhor nos ensinou que é outro o caminho da verdadeira transfiguração.

Se nos é lícito subir por instantes, comungando com os espíritos que já atingiram os Páramos Superiores, arregimentando forças para o trabalho que não deve ser interrompido, não podemos olvidar que, para estender as mãos aos que, em nós, esperam pelo socorro
do Alto, é indispensável descer.

O fenômeno mediúnico, por mais sublime e convincente, não objetiva apenas ser maravilha para os olhos de quem os presencia, mas, sobretudo, ser incentivo às mãos de quem sabe que o caminho de acesso ao Reino Divino não é o do Tabor.

(Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho - Carlos A.Baccelli/Inácio Ferreira)

SER ESPÍRITA

Ser espírita é procurar fazer a diferença, sem se sentir diferente.

É agir com lucidez e responsabilidade, tomando a iniciativa do melhor em benefício de todos.

É dar testemunho de fé nas mais comezinhas atitudes cotidianas.

É vivenciar as lições da Doutrina, sem, contudo, ser moralista, qual se ser espírita se fizesse inacessível à mais frágil das criaturas.

É respeitar os companheiros de Ideal, dialogando fraternalmente sobre possíveis pontos de divergência.

É apaziguar os ânimos exaltados e empreender campanhas de silêncio, quando a conversa leviana ameaça o rendimento do trabalho em grupo.

É sempre estar disposto a perdoar ofensas e, de preferência, jamais se sentir ofendido.

É não se melindrar, ao ponto de promover a desunião com o comprometimento da Causa.

Ser espírita é demonstrar o que se assimilou da Mensagem não apenas através da palavra de erudição, mas, sobretudo, da atitude que lhe confere credibilidade ao verbo esclarecedor.

É ser, onde estiver, um apelo à lógica e ao bom senso, despertando consciências e sensibilizando corações.

É saber, nas atividades em que se engaja, somar com as possibilidades de cada um, dividindo atribuições, para que os resultados se multipliquem.

É não reclamar prestígio e privilégios.

É não se considerar algo que ainda não se é e que, de modo geral, todos estamos muito distantes de ser.

É não se iludir no corpo, para não se decepcionar fora dele.

Ser espírita, portanto, é amar sem restrições, admitindo o equívoco cometido e voltar atrás, se necessário, sem que humilhe ou se sinta humilhado.

É experimentar indefinível alegria por seguir a Jesus, e somente a Ele!

É, sim, reconhecer-se limitado, porém não acomodado em suas próprias mazelas.

É, mais do que não tropeçar e cair, não comprazer-se na queda.

Enfim, ser espírita é ser uma pessoa comum, mas não vulgar.

(Obra: Carlos A. Baccelli /Spartaco Ghilardi: Ser Espírita - LEEPP – Livraria Espírita Edições Pedro e Paulo.)

sábado, 15 de outubro de 2011

O Mandamento Maior

Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: "Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos." E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: "E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro" , isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.

(O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XV)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ALGUÉM DIRÁ


Alguém dirá que estás em erro.

A Lei de Deus, porém, considera que te encontras na experiência que se faz necessária.

Alguém dirá que segues, no mundo, de fracasso em fracasso.

A Lei de Deus, no entanto, sabe que caminhas, de estrada em estrada, à procura de êxito.

Alguém dirá que teus planos de felicidade se reduzem a enganos e ilusões.

A Lei de Deus, contudo, assevera que se prosseguires trabalhando e servindo, muito em breve, os teus sonhos se farão realidade.

Alguém dirá que perdeste oportunidades e vantagens nos empreendimentos a que te dedicas.

A Lei de Deus, entretanto, observa que te aconteceu o melhor.

Alguém dirá que não tens saúde e nem forças para a execução das tarefas a que te propões.

Mas, a lei de Deus te assegura energias renovadas, sempre que te movimentas para o bem do próximo.

Alguém dirá que te enlameaste, através das existências passadas e que, por isso, te afundas agora no charco do sofrimento.

A Lei de Deus, porém, te garante a própria renovação, através do tempo, e que, um dia, te erguerás do pântano para a imensidão dos Céus, na condição de filho da Luz.

(Obra: Palavras de Coragem - Chico Xavier/Emmanuel)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Maria

Toda a expressão de ternura
Do mundo de provação,
Nos Céus ditosos procura
A sua excelsa afeição.
Consolo das mães piedosas,
Cheias de mágoa e de pranto,
Sobre quem atira as rosas
Do seu Amor sacrossanto.
Ninguém diz, ninguém traduz
Essa visão da Harmonia,
Visão de paz e de luz,
Paz dos Céus! Ave-Maria!


(Obra: Parnaso de Além-Túmulo - Chico Xavier/Auta de Souza)