quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

NA PRESENÇA DO AMOR

"Aquele que ama a seu irmão está na luz e nele não há escândalo."
João. (I João;(2:10.)



Quem ama o próximo sabe, acima de tudo, compreender. E quem compreende sabe livrar os olhos e ouvidos do venenoso visco do escândalo, a fim de ajudar, ao invés de acusar ou desservir.

É necessário trazer o coração sob a luz da verdadeira fraternidade, para reconhecer que somos irmãos uns dos outros, filhos de um só Pai.

Enquanto nos demoramos na escura fase do apego exclusivo a nós mesmos, encarceramo-nos no egoísmo e exigimos que os outros nos amem. Nesse passo infeliz, não sabemos querer senão a nós próprios, tomando os semelhantes por instrumentos de nossa satisfação.

Mas se realmente amamos os companheiros de caminho, a paisagem de vida se modifica, de vez que a claridade do amor nos banhará a visão.

Ama, pois, e assim como a lama jamais ofende a luz, a ofensa não mais te alcançará.

Saberás que a miséria é fruto da ignorância e auxiliarás a vítima do mal, nela encontrando o próprio irmão necessitado de apoio e entendimento.

Aprenderás a ouvir sem revolta, ainda mesmo que o crime te procure os ouvidos, e cultivarás a ajuda ao adversário, ainda mesmo quando te vejas dilacerado, porque o perdão com esquecimento absoluto dos golpes recebidos surgirá espontâneo em teu espírito, assim como a tolerância aparece natural na fonte que acolhe no próprio seio as
pedras que lhe atiram.

Ama e compreenderás.

Compreende e servirás sempre mais cada dia, porque então permanecerás sob a glória da luz, inacessível a qualquer incursão das trevas.

(Chico Xavier / Emmanuel: Fonte Viva - FEB.)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

MÃES DAS MÃES

Maria,
É a Mãe piedosa
De todas as mães resignadas e sofredoras.
É a consolação
Que se derrama puríssima
Sobre os prantos maternos,
Vertidos na corola imensa das dores;
É o manto resplandecente
Que agasalha os corações das mães piedosas,
Amarguradas e infelizes,
Que orvalham com lágrimas benditas
As flores do seu amor desvelado,
Espezinhadas pelo sofrimento,
Fustigadas pelo furacão da desgraça, atropeladas pelo mal,
Perseguidas pelo infortúnio
No sombrio orbe das lágrimas e das provações.
Todas as preces maternas
Ascendem aos espaços
Como um doloroso brado de angústia a Maria,
E a rosa sublime de Nazaré
Escuta-as piedosamente,
Estendendo os seus braços tutelares
Às Mães carinhosas e desprotegidas;
E bastam os eflúvios do seu amor sacrossanto
Para que as consolações se derramem
Cicatrizando as feridas,
Balsamizando os pesares,
Lenindo os padeceres
Das Mães desoladas, que encontram nela
O símbolo maravilhoso de todas as virtudes!...
Ao seu olhara compassivo,
Pulverizam-se os rochedos do mal
Do oceano da vida de desterro e de exílio,
Para que o Brigue da Esperança,
Com as suas velas alvas e pandas,
Veleje tranquilamente,
Buscando o porto esperado com ânsia,
Da salvação das almas que sofreram
Nos torvelinhos do mundo,
Como náufragos de uma tormenta gigantesca,
Que não se perderam no abismo das águas tenebrosas
Do mar da iniquidade,
Porque se apegaram
À âncora da Fé.
Maria é o anjo, pois
Que nos ampara e guia em nossa cruz;
Levando-nos ao Céu, cheia de piedade e comiseração
Pelas nossas fraquezas.
Ela é a personificação do amor divino
No vale das sombras e das amarguras,
E sendo o arrimo de todas as criaturas,
É sobretudo
A Virgem da Pureza
- Mãe das Mães.

(Obra: Parnaso de Além Túmulo - Chico Xavier / Marta)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sigamos Até Lá

"Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito". JESUS(João, 15:7).




Na oração dominical, JESUS ensina aos cooperadores a necessidade de observância plena dos desígnios do PAI.

Sabia o Mestre que a vontade humana é ainda muito frágil e que inumeras lutas rodeiam a criatura até que aprenda
a estabelecer a união com o Divino.

Apesar disso, a lição da prece foi sempre interpretada pela maioria dos crentes como recurso de fácil obtenção do
amparo celestial.

Muitos pedem determinados favores e recitam maquinalmente as formulas verbais. Certamente, não podem receber
imediata satisfação aos caprichos próprios, porque, no estado de queda ou de ignorância, o espírito necessita, antes
de tudo, aprender a submeter-se aos desígnios divinos, a seu respeito.

Alcançaremos, porém, a época das orações integralmente atendidas. Atingiremos semelhante realização quando estivermos
espiritualmente em CRISTO. Então, quando quisermos, ser-nos-a feito, porquanto teremos penetrado o justo sentido de cada
coisa e a finalidade de cada circunstância. Estaremos habilitados a querer e a pedir, em JESUS, e a vida se nos apresentará,
em suas verdadeiras caracteristicas de infinito, eternidade, renovação e beleza.

Na condição de encarnados ou desencarnados, ainda estamos caminhando para o MESTRE, a fim de que possamos experimentar
a união gloriosa com o seu amor. Até lá, trabalhemos e vigiemos para compreender a vontade divina.

(Obra: Pão Nosso - Chico Xavier/Emmanuel)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O ENSINO DA LUZ

- Senhor - disse Tadeu a Jesus, após o dia de trabalho estafante -, qual é o nosso dever maior, na execução do Evangelho para a redenção das criaturas?

O Mestre fitou o céu azul em que nuvens pequeninas semelhavam estrigas de linho alvo. E falou em seguida:

- Em meio de grande tempestade, inúmeros viajantes se recolheram a enorme casarão que se assemelhava a um labirinto. Porque sentissem medo uns dos outros, cada qual se escondeu nos quartos mais internos e, vindo a noite, em vão procuraram o lugar de saída.

Começou, então, enorme conflito. Lamentos. Pragas.Assaltos. Correrias. Pancadas. Crimes nas trevas. Um homem, que por ali passava, ouviu os rogos de socorro que partiam do infortunado reduto e, longe de gritar ou discutir, acendeu a sua candeia e passou entre os amotinados, em profundo silêncio. Bastou a luz dele para que todos percebessem os disparates que vinham fazendo, ao mesmo tempo que encontravam, por si mesmos, a porta libertadora.

O Mestre fez grande intervalo e voltou a dizer:

- Se a luz do bom exemplo estiver entre nós, os outros perceberão, com facilidade, o caminho.

- E que fazer, Senhor, para semelhante conquista?

Jesus, continuando em sua contemplação do céu, como exilado buscando alguma visão da pátria longínqua, aclarou docemente:

- Procuremos o Reino de Deus e a sua justiça, isto é, vivamos no amor puro e na
consciência tranqüila...E tudo o mais ser-nos-á acrescentado.

(Obra: A Vida Escreve - Chico Xavier / Hilário Silva)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

VISÃO DE EURÍPEDES

Começara Eurípedes Barsanulfo, o apóstolo da mediunidade, em Sacramento, no Estado de
Minas Gerais, a observar-se fora do corpo físico, em admirável desdobramento, quando,
certa feita, à noite, viu a si próprio em prodigiosa volitação. Embora inquieto, como que arrastado pela vontade de alguém num torvelinho de amor, subia, subia...

Subia sempre.

Queria parar, e descer, reavendo o veículo carnal, mas não conseguia. Braços intangíveis
tutelavam-lhe a sublime excursão. Respirava outro ambiente. Envergava forma leve,
respirando num oceano de ar mais leve ainda... Viajou, viajou, à maneira de pássaro
teleguiado, até que se reconheceu em campina verdejante. Reparava na formosa paisagem,
quando não longe, avistou um homem que meditava, envolvido por doce luz.

Como que magnetizado pelo desconhecido, aproximou-se...
Houve, porém, um momento, em que estacou, trêmulo.
Algo lhe dizia no íntimo para que não avançasse mais...
E num deslumbramento de júbilo, reconheceu-se na presença do Cristo.

Baixou a cabeça, esmagado pela honra imprevista, e ficou em silêncio, sentindo-se como
intruso, incapaz de voltar ou seguir adiante.

Recordou as lições do Cristianismo, os templos do mundo, as homenagens prestadas ao
Senhor, na literatura e nas artes, e a mensagem d’Ele a ecoar entre os homens, no curso de quase vinte séculos...

Ofuscado pela grandeza do momento, começou a chorar...
Grossas lágrimas banhavam-lhe o rosto, quando adquiriu coragem e ergueu os olhos,
humilde.

Viu, porém, que Jesus também chorava...
Traspassado de súbito sofrimento, por ver-lhe o pranto, desejou fazer algo que pudesse
reconfortar o Amigo Sublime... Afagar-lhe as mãos ou estirar-se à maneira de um cão leal
aos seus pés...

Mas estava como que chumbado ao solo estranho...
Recordou, no entanto, os tormentos do Cristo, a se perpetuarem nas criaturas que até hoje, na Terra, lhe atiram incompreensão e sarcasmo...

Nessa linha de pensamento, não se conteve.
Abriu a boca e falou suplicante:
- Senhor, por que choras?
O interpelado não respondeu.
Mas desejando certificar-se de que era ouvido, Eurípedes reiterou:
- Choras pelos descrentes do mundo?
Enlevado, o missionário de Sacramento notou que o Cristo lhe correspondia agora ao olhar.
E, após um instante de atenção, respondeu em voz dulcíssima:
- Não, meu filho, não sofro pelos descrentes aos quais devemos amor. Choro por todos os
que conhecem o Evangelho, mas não o praticam...
Eurípedes não saberia descrever o que se passou então.
Como se caísse em profunda sombra, ante a dor que a resposta lhe trouxera, desceu,
desceu...
E acordou no corpo de carne.
Era madrugada.
Levantou-se e não mais dormiu.
E desde aquele dia, sem comunicar a ninguém a divina revelação que lhe vibrava na
consciência, entregou-se aos necessitados e aos doentes, sem repouso sequer de um dia, servindo até a morte.

(Obra: A Vida Escreve - Chico Xavier / Hilário Silva)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Que venha o ano novo: com muito bom humor!

Mais um ano que chega e, com ele, a lembrança de que o tempo é o talento mais precioso conferido por Deus à evolução humana.
Chico Xavier recebeu mensagens memoráveis com advertências claras dos Instrutores Espirituais a respeito do seu real aproveitamento. Humberto de Campos foi um dos mais enfáticos em acentuar tal necessidade. Em Cartas e Crônicas, ele divulga a triste estatística do amigo Belarmino Bicas, a pedido do próprio, dissecando os motivos da perda de tempo – traço comum à vida da maioria dos mortais. Belarmino desencarnou com 58 anos, tendo se tornado espírita aos 38. Durante os últimos 20 anos de existência corpórea, fez uma relação diária de suas exasperações e respectivas causas. De 1936 a 1956, já bafejado pelas bênçãos do Espiritismo, relacionou o seguinte número de cóleras e mágoas desnecessárias, com a especificação das respectivas causas:

1.811, em razão de contrariedades em família;
906, por indispor-se, dentro de casa, em questão de alimentação e higiene;
1.614, por altercações com a esposa, em divergência na conduta doméstica e social;
1.801, por motivo de desgostos com os filhos, genros e nora;
11, por descontentamento com os netos;
1.015, por entrar em choque com chefes de serviço;
1.333, por incompatibilidade no trato com os colegas;
1.012, em virtude de reclamações a fornecedores e lojistas em casos de pouca monta;
614, por mal-entendidos com vizinhos;
315, por ressentimentos com amigos íntimos;
1.089, por melindres ante o descaso de funcionários e empregados de instituições diversas;
615, por aborrecimentos com barbeiros e alfaiates;
777, por desacordos com motoristas e passageiros desconhecidos, em viagem de ônibus, automóveis particulares, bondes e lotações;
419, por desavenças com leiteiros e padeiros;
820, por malquistar-se com garçons em restaurantes e cafés;
211, por ofender-se com dificuldades em serviços de telefones;
90, por motivo de controvérsias em casas de diversões;
815, por abespinhar-se com opiniões alheias em matéria religiosa;
217, por incompreensões com irmãos de fé, no templo espírita;
901, por engano ou inquietação, diante de pessoas imaginárias ou da perspectiva de acontecimentos desagradáveis que nunca sucederam.
Total: 16.386 exasperações inúteis.

Como resultado dos constantes acessos de mau humor, Belarmino desencarnou 22 anos antes do que estava previsto. Seu compromisso era ficar na experiência terrestre até os 80 anos, mas não conseguiu, apesar de estar filiado às lições educativas da Doutrina Espírita. Foi, portanto, suicida indireto. “Quantos tesouros perdidos por bagatelas! Quanta asneira em nome do sentimento!...” desabafou Belarmino ao amigo Humberto. E insistiu: “Conte o meu caso para quem esteja ainda carregando a bobagem do azedume! Fale do perigo das zangas sistemáticas, insista na necessidade da tolerância, da paciência, da serenidade, do perdão! Rogue aos nossos companheiros para que não percam a riqueza das horas com suscetibilidades e amuos, explique ao pessoal na Terra que mau humor também mata!...”
O alerta de Belarmino Bicas vem a calhar, neste período especial em que estamos às portas de um ano novo. Que venham os novos dias, convocando-nos a executar velhas promessas, que ainda não tivemos a coragem de cumprir.
Que venha o ano novo, com muito bom humor!


(Editorial do Jornal Folha Espírita - De Janeiro de 2011)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Não Tema

“Não tema, creia somente” – diz o Senhor.
Creia na harmonia, na justiça, na verdade, no bem.
Somos livres, sob a proteção de leis vigilantes.
Deus não se ausenta.
Por isso, quanto nos aconteça é sempre o melhor do que nos mostremos capazes de receber.
Em muitas ocasiões a enfermidade inesperada no corpo é apoio antecipado às necessidades da alma; a afeição que nos deixa é amputação no mundo afetivo para que possamos sobreviver naquilo que estejamos fazendo de mais útil; o desejo contrariado é providência contra perigo invisível; a inibição orgânica é recurso para a condensação de nossas energias em auxílio à realização de tarefa determinada; o prejuízo é comunicado prévio para que não se caia em débitos insolvíveis; a penúria material é desafio a que nos levantemos para o trabalho.
Não desfaleça na prova que a vida lhe trouxe.
A Terra é um educandário em cujas lições somos todos alunos e examinadores uns dos outros.
Hoje é possível esteja sofrendo o cerco de numerosos problemas; entretanto, se você atende às instruções do amor, que nos traçam caminho certo entre as margens da humildade e do serviço, encontrará você o rumo exato de todas as soluções.
Para isso, porém, é necessário que você não permaneça no canto da inércia, colecionando pedras e espinhos que lhe pesem no coração ou lhe firam a alma.
Esqueça tudo o que foi tristeza ou desequilíbrio e entre no sistema da ação edificante que nos reforma o destino.
Todos os que lutaram e venceram, todos os que tombaram na sombra e se reergueram para a luz, sofrendo, lutando, construindo e renovando, nunca deixaram de trabalhar


(Obra: Astronautas do Além - Chico Xavier / André Luiz)