quarta-feira, 21 de junho de 2017
Bilhete em Resposta
O seu trabalho é a revelação de você mesmo.
Servir é a nossa melhor oportunidade.
Quando você age em favor de alguém, você está induzindo outros a agir em seu benefício.
Nunca se canse de auxiliar para o bem.
Desculpe sempre porque todos temos algum dia em que necessitamos de perdão.
Não alegue defeitos para deixar de servir, por-que o trabalho é a bênção de Deus que nos suprime as deficiências.
Dificuldade é um teste de paciência.
Desprezo da parte de alguém é aula da vida para aquisição de humildade.
Você nem sempre terá o que deseja, mas enquanto estiver ajudando aos outros encontrará os recursos de que precise.
Depois de grande esforço para solucionar esse ou aquele problema, não se agaste se outro problema aparece, requisitando-lhe novo esforço porque Deus renovará suas forças para recomeçar.
Autor: André Luiz
Médium: Chico Xavier
TOLERAR E COMPREENDER PARENTES DIFÍCEIS
André Luiz nos ensina, na obra Sinal Verde (psicografia de Chico Xavier, editora CEC – Comunhão Espírita Cristã), que tolerar e buscar compreender os parentes difíceis é uma obrigação da qual não devemos nos escusar, pois “as leis de Deus não nos enlaçam uns com os outros sem causa justa”.
Na mensagem que se segue, repleta de valiosas lições, muitos de nós poderão encontrar as respostas para angústias e dificuldades de convivência, reanimando-se para trabalhar pela harmonia no lar:
“Aceite os parentes difíceis na base da generosidade e da compreensão, na certeza de as leis de Deus não nos enlaçam uns com os outros sem causa justa.
O parente problema é sempre um teste com que se nos examina a evolução espiritual.
Muitas vezes a criatura complicada que se nos agrega à família, traz consigo as marcas de sofrimentos ou deficiências que lhe foram impostas por nós mesmos em passadas reencarnações.
Não exija dos familiares diferentes de você um comportamento igual ao seu, porquanto cada um de nós se caracteriza pelas vantagens ou prejuízos que acumulamos na própria alma.
Não tente se descartar dos parentes difíceis com internações desnecessárias em casas de repouso, à custa de dinheiro, porque a desvinculação real virá nos processos da natureza, quando você houver alcançado a quitação dos próprios débitos ante a Vida Maior.
Nas provações e conflitos do lar terrestre, quase sempre, estamos pagando pelo sistema de prestações, certas dívidas contraídas por atacado.”
(André Luiz
- Psicografia de Chico Xavier)
terça-feira, 20 de junho de 2017
ESPERANDO POR TI
Antes de pronunciares a frase amarga que te explode no coração, tentando romper as barreiras da boca, pensa na Bondade de Deus, que te envolve por toda parte.
A Natureza é colo de mãe expectante...
Assemelha-se a luz celeste ao olhar do próprio amor que te segue, às ocultas, e o ar que respiras é assim como o sopro da ternura de alguém, a estender-te alimento invisível
Tudo serve em silêncio, esperando por ti.
Abre-se a via pública, aos teus pés, à feição de amistoso convite, a água pura está pronta a mitigar-te a sede, o livro nobre aguarda o toque de tuas mãos para consolar-te, e o fruto, pendendo da árvore, roga, humilde, que o recolhas.
Pensa na Bondade de Deus e não digas a palavra que desencoraje ou amaldiçoe.
Cala-te, onde não possas auxiliar.
Deixa que tua alma se enterneça, ajudando nas construções do Bem Eterno, que tudo nos dá, sem nada exigir.
E compreenderás, então, que Deus te oferece a vida por Divina Sinfonia e que essa Divina Sinfonia pede que lhes dês também sua nota.
MEIMEI
Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
Livro: "O ESPÍRITO DA VERDADE - Cap. XII - item 8) - FEB
A Natureza é colo de mãe expectante...
Assemelha-se a luz celeste ao olhar do próprio amor que te segue, às ocultas, e o ar que respiras é assim como o sopro da ternura de alguém, a estender-te alimento invisível
Tudo serve em silêncio, esperando por ti.
Abre-se a via pública, aos teus pés, à feição de amistoso convite, a água pura está pronta a mitigar-te a sede, o livro nobre aguarda o toque de tuas mãos para consolar-te, e o fruto, pendendo da árvore, roga, humilde, que o recolhas.
Pensa na Bondade de Deus e não digas a palavra que desencoraje ou amaldiçoe.
Cala-te, onde não possas auxiliar.
Deixa que tua alma se enterneça, ajudando nas construções do Bem Eterno, que tudo nos dá, sem nada exigir.
E compreenderás, então, que Deus te oferece a vida por Divina Sinfonia e que essa Divina Sinfonia pede que lhes dês também sua nota.
MEIMEI
Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
Livro: "O ESPÍRITO DA VERDADE - Cap. XII - item 8) - FEB
segunda-feira, 19 de junho de 2017
Prece de Chico Xavier
Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO,
mesmo eu sabendo que as rosas não falam.
Que eu não perca o OTIMISMO,
mesmo sabendo que o futuro que nos espera não é assim tão alegre.
Que eu não perca a VONTADE DE VIVER,
mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, dolorosa...
Que eu não perca a vontade de TER GRANDES AMIGOS,
mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora de nossas vidas...
Que eu não perca a vontade de AJUDAR AS PESSOAS,
mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, reconhecer e retribuir esta ajuda.
Que eu não perca o EQUILÍBRIO,
mesmo sabendo que inúmeras forças querem que eu caia.
Que eu não perca a VONTADE DE AMAR,
mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo, pode não sentir o mesmo sentimento por mim...
Que eu não perca a LUZ e o BRILHO NO OLHAR,
mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo, escurecerão meus olhos...
Que eu não perca a GARRA,
mesmo sabendo que a derrota e a perda são dois adversários extremamente perigosos.
Que eu não perca a RAZÃO,
mesmo sabendo que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas.
Que eu não perca o SENTIMENTO DE JUSTIÇA,
mesmo sabendo que o prejudicado possa ser eu.
Que eu não perca o meu FORTE ABRAÇO,
mesmo sabendo que um dia meus braços estarão fracos...
Que eu não perca a BELEZA E A ALEGRIA DE VER,
mesmo sabendo que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma...
Que eu não perca o AMOR POR MINHA FAMÍLIA,
mesmo sabendo que ela muitas vezes me exigiria esforços incríveis para manter a sua harmonia.
Que eu não perca a vontade de DOAR ESTE ENORME AMOR
que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido e até rejeitado.
Que eu não perca a vontade de SER GRANDE,
mesmo sabendo que o mundo é pequeno...
E acima de tudo...
Que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente, que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois...
A VIDA É CONSTRUÍDA NOS SONHOS E CONCRETIZADA NO AMOR!
(Francisco Cândido Xavier)
Aeroporto de Congonhas Terá Nome do Fundador da Folha Espírita
“Não se preocupe quando não for reconhecido, mas se esforce para ser digno de reconhecimento.” Abraham Lincoln
A frase do grande estadista norte-americano traduz com clareza a trajetória do deputado Freitas Nobre, reconhecidamente, um exemplo de homem público que não se deixou levar pelas armadilhas da vida pública, pelo aplauso fácil, pela iluminação ilusória dos holofotes da vaidade e da presunção. O que o norteava era a coerência entre o que dizia e o que fazia.
A Folha Espírita (FE), fundada pelo professor Freitas Nobre, regozija-se com a notícia do último dia 25 de maio acerca da aprovação pelo Senado Federal do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 89/2012, de autoria do também espírita e ex-deputado João Bittar, que deu ao Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, o nome de Aeroporto Internacional de Congonhas Deputado Freitas Nobre. Após a aprovação por unanimidade nas duas casas legislativas, o projeto segue para a sanção presidencial.
É preciso relembrar que em abril de 1974, por orientação do médium Chico Xavier, Freitas Nobre, sua esposa Marlene Nobre, seu cunhado Paulo Rossi Severino e o amigo Jamil Salomão fundaram a Folha Espírita. Após a desencarnação de Freitas Nobre, Marlene Nobre assumiu a direção do jornal. Para o fundador Freitas, os assuntos que se encontram em pauta na mídia em geral e afligem a sociedade brasileira sempre devem ser abordados pela FE, porque o Espiritismo tem resposta para todos os problemas, e os seguidores da Doutrina precisam ter a visão espírita como contribuição para raciocinar acerca desses problemas.
Sua trajetória é realmente digna de reconhecimento. Além de político, José Freitas Nobre foi advogado, jornalista, escritor e professor, atuando em diferentes instituições, dentre elas a renomada Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Nascido em Fortaleza (CE), em 24 de março de 1921, mudou-se para São Paulo em 1936. Formou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da USP, na turma de 1948.
Atuando como jornalista em grandes jornais de alcance nacional, destacou-se na condução do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo por três vezes e na Federação Nacional dos Jornalistas por duas vezes.
Em 1954, em eleição para a Câmara Municipal paulistana, Freitas Nobre obteve votação suficiente para deixá-lo como suplente de vereador, o que permitiu que assumisse a cadeira de titular nos últimos dois anos de mandato. No exercício do mandato conseguiu mostrar que se tratava de um político com características bem diferentes da maioria, o que culminou na sua efetiva eleição em 1958 como vereador em São Paulo e o alçou em 1961 a vice-prefeito da cidade de São Paulo, apesar de candidato em chapa opositora à do candidato eleito a prefeito, Prestes Maia, pois, na época, o eleitor escolhia o prefeito e o vice-prefeito sem vinculação de chapas ou partidos. Assim, Freitas Nobre consolidou o seu jeito diferente de fazer política, o que o levou a ter uma brilhante carreira política nacional. Freitas Nobre foi, inegavelmente, um dos parlamentares mais atuantes na redemocratização de nossa pátria, sendo um dos líderes do movimento pelas Diretas Já.
Escreveu mais de 20 livros, entre os quais o célebre Comentários à Lei de Imprensa, que é considerado um dos mais importantes livros sobre a liberdade de imprensa em nosso país, sendo, inclusive, o mais utilizado pelo Supremo Tribunal Federal nas incontáveis decisões sobre a matéria.
Freitas Nobre foi um destemido parlamentar na época da ditadura e, mesmo trabalhando muito, nunca abandonou as suas outras atividades, a acadêmica, o magistério, a advocacia e os livros. Em todas elas as suas convicções e crenças balizaram as suas ações, tendo sempre os princípios cristãos como parâmetro da sua vida.
Até o momento do fechamento desta edição, o projeto aprovado, repita-se, por unanimidade pelas duas casas legislativas, ainda não havia sido sancionado pelo Presidente da República.
Esse homem de bem, destemido, que sempre trabalhou em prol do seu povo e da sua pátria amada, sempre exemplificou através da sua conduta irreparável, reconhecida inclusive pelos adversários políticos. Os exemplos de Freitas Nobre continuam ecoando Brasil afora e agora inspirarão todos os brasileiros que passarem pelo aeroporto que leva o seu nome, motivando todos a continuar a construção de uma pátria mais justa e mais solidária, consolidando na Terra os ensinamentos do Cristo e fazendo com que alcancemos definitivamente o título de Coração do Mundo e Pátria do Evangelho.
Fonte: Folha Espírita - Junho / 2017 (Editorial)
REVELE-SE
Nas lutas habituais, não exija a educação do companheiro.
Demonstre a sua.
Nas tarefas do bem, não aguarde colaboração.
Colabore, por sua vez, antes de tudo.
Nos trabalhos comuns, não clame pelo esforço alheio.
Mostre sua boa-vontade.
Nos serviços de compreensão, não peça para que seu vizinho suba até você.
Aprenda a descer até ele e ajude-o.
No desempenho dos deveres cristãos, não aguarde recursos externos para cumpri-los.
O melhor patrimônio que você pode dar às boas obras é o seu próprio coração.
No trato vulgar da vida, não espere que seu irmão revele qualidades excelentes.
Expresse os dons elevados que você já possui.
Em toda criatura terrestre, há luz e sombra.
Destaque sua nobreza para que a nobreza do próximo venha ao seu encontro.
(André Luiz / Médium Chico Xavier:
Agenda Cristã - Ed. FEB
)
A Síndrome do Melindre
Não se deve comprometer a causa simplesmente para atender aos caprichos de alguém.
Os melindres são os verdadeiros fantasmas de um Centro Espírita.
Associado às mágoas e ressentimentos, contribuem para fragilizar os laços humanos.
Kardec nos falou, em dois momentos, sobre esse fantasma.
Destacamos, primeiramente, o escrito em Obras Póstumas
(1ª Parte – O Egoísmo e O Orgulho):
"A exaltação da personalidade leva o homem a considerar-se acima dos outros. Julgando-se com direitos superiores, melindra-se com o que quer que, a seu ver, constitua ofensa a seus direitos."
Obviamente, Kardec relaciona o melindre como decorrência do orgulho ferido, associado a um sentimento de inflação do ego.
Num segundo momento, em discursos pronunciados nas Reuniões Gerais dos Espíritas de Lyon e Bordeaux afirma:
"Há, ainda, aqueles cuja susceptibilidade é levada ao excesso; que se melindram com as mínimas coisas, mesmo com o lugar que lhes é destinado nas reuniões, se não os põem em evidência(...)".
Pode-se compreender o melindre, pelo viés psicológico, como um artifício usado pelo ego para preservar sua própria identidade.
De tal forma, que quando o ego se sente "ameaçado"
(ou desestabilizado por algo ou alguém), reage através de um "fechamento psíquico", de um retraimento emocional, visando preservar, numa atitude defensiva e imatura, as estruturas (orgulho, vaidade...) do próprio Eu.
Em certa Sociedade Espírita, um trabalhador tinha por hábito, no momento do passe, apertar a cabeça dos atendidos com as mãos.
Imagine! Sendo alertado (educadamente) por um dirigente da Instituição, que tal prática não se coaduna com os ensinos espíritas, ficou... "melindrado". Em um grupo de estudos, alguém ao fazer a leitura de O Livro dos Espíritos, leu errado uma palavra.
Um dos integrantes lhe corrigiu, naturalmente.
A pessoa se melindrou e quase abandonou o estudo. Poderíamos ficar exaustivamente citando inúmeros exemplos.
Quando a pessoa se sente melindrada, deve se questionar sobre isso.
O certo é que o melindre está associado, no mínimo, a três elementos básicos: orgulho ferido, insegurança pessoal e baixa autoestima.
Dessa forma, o melindre seria um primeiro estágio de outros sentimentos que poderão se seguir, como a mágoa, o ressentimento, a raiva e até a agressividade.
Há determinadas contingências que podem tornar a pessoa mais propícia ao melindre, como estresse, separação conjugal, problemas familiares, desemprego, a experiência de uma frustação, etc.
O fortalecimento emocional e espiritual é imperativo para o enfrentamento de tais desafios.
O melindre e seus derivados, quando não administrados, significam a negação do próprio sujeito, enquanto ser que possui responsabilidades por sua evolução.
Mas Allan Kardec também nos fala da "indulgência recíproca" que deveria mover os seres humanos, situados num patamar de incompletude espiritual. Indulgência para com as imperfeições dos outros não é sinônimo de inoperância diante do erro.
Ou seja, no grupo espírita não é razoável, diante de algo que esteja errado, fazer-se silêncio, simplesmente, para não "melindrar" este ou aquele.
O compromisso maior de todos é com a Doutrina Espírita em primeira instância, e com a instituição
em segunda.
A forma de abordagem é que deve estar fundamentada na indulgência, não o erro.
A grande questão é que necessitamos dissipar essas relações melindrosas e inócuas, que em nada contribuem para a vida de relação, substituindo-as por atitudes verdadeiramente cristãs.
O Espiritismo é uma doutrina de vida para "uso diário".
Quando percebermos que é forte o impulso para melindrar-nos ou magoar-nos, busquemos o recurso da oração, imediatamente, a fim de administrarmos mentalmente esses corrosivos sentimentos, adversários da paz.
A oração é valioso recurso para a manutenção do equilíbrio da alma, pois potencializa o pensamento para os ângulos positivos da vida, buscando a serenidade das emoções.
Portanto, há duas questões fundamentais: a responsabilidade de administrarmos esses sentimentos em nós, e como agirmos diante dos melindres alheios.
Somos de opinião que não devemos ter, na Casa Espírita, uma preocupação exagerada com os melindres e os melindrosos para não nos tornarmos reféns deles.
Exige-se, como é natural em qualquer outra instituição, que se discuta fraternamente projetos, metas, trabalhos, questões doutrinárias etc., que se busque dar cumprimento aos normativos da instituição, tais como o Estatuto e o Regimento Interno.
As atividades de qualquer Centro Espírita necessitam obedecer a certas disciplinas, e os trabalhadores e estudantes necessitam estar inseridos nesse contexto para o bom funcionamento da instituição.
Tudo isso sem dogmatismos, sem autocracias ou fundamentalismos. Jamais, sob qualquer pretexto, poderá se cercear a liberdade de pensamento e expressão de quem quer que seja.
Todavia, deixar de cumprir os normativos, sob pretexto de "não melindrar" este ou aquele indivíduo é, no mínimo, um despropósito associado à irresponsabilidade daqueles que possuem a função de administração.
Tornar-se omisso para não se "indispor" com alguém, é uma postura totalmente equivocada, fundada numa lógica perversa,
que contribui para aumentar os problemas da Instituição.
Arrolam-se desculpas do tipo: "necessitamos ser tolerantes", "caridosos", "pacientes"...
E, enquanto demonstramos nossas "virtudes" (desvirtuadas) para não ferirmos as "almas frágeis" de nosso Centro, a disciplina, os desvios doutrinários, as inoperâncias, os desvios monetários, assolam livres.
Torna-se necessário pensarmos sobre os limites da "tolerância" no âmbito das Casas Espíritas.
Não se trata, obviamente, da adoção por parte dos dirigentes, como já observamos, de posturas fundamentalistas ou verticalizadas.
A tolerância com quem está seriamente comprometido com a Causa tem seus limites naturais.
Não se deve comprometer a Causa, simplesmente para atender aos caprichos de alguém.
Uma orquestra necessita, para o grande concerto, estar o mais bem afinada possível.
Aquele candidato a músico que não aprendeu a tocar para estar em sintonia com o conjunto não poderá participar diretamente do concerto.
Por isso, trabalhadores e estudantes que não estejam afinados com o grupo e com a orientação doutrinária e/ou administrativa, melindrando-se com facilidade diante dos mínimos eventos, terminam por afastarem dos labores assumidos.
É necessário respeitar a decisão de cada um.
A filosofia da convivência implica numa ética do cuidado.
Assim como a permissividade ou a indiferença projetam seus frutos negativos para a instituição, da mesma forma deve-se cuidar com a síndrome da intolerância.
Em tudo na vida o bom senso é imperativo para uma performance positiva.
Constata-se atualmente uma cultura dos extremos, dos "oito ou oitenta", tudo em nome de uma busca por afirmação, muitas vezes, do próprio narcisismo.
Associado, por extensão, aos melindres e mágoas, encontra-se o ressentimento.
A psicanalista Maria Rita Kehl, em seu livro sobre o assunto, analisa o que denomina de "ganhos subjetivos do ressentimento".
Para ela, o ressentido é um vingativo não declarado.
Mas também é alguém que atribui sempre a um outro a culpa por seus agravos.
O ressentido assume papel de vítima e, com isso, foge das responsabilidades que cabem no processo.
Aí estão os ganhos do ressentimento!
Revestir-se da vitimização, criar a figura de um culpado exclusivo para manter-se numa postura cômoda de alguém livre de responsabilidades.
É sem dúvida, um mecanismo perverso do Eu (conscientemente ou não) que denota um nível de imaturidade psicológica associada a uma morbidez da alma.
( Do livro: A convivência na Casa Espírita: reflexões e apontamentos com base nas instruções de Allan Kardec, de Jerri Roberto Almeida. Porto Alegre: Editora Francisco Spinelli, 2ª ed, 2011, pag. 57 a 61).
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