No Evangelho Segundo o Espiritismo, aprendemos que não basta ajudar alguém com dinheiro, alimento ou palavras bonitas. A verdadeira caridade também aparece no modo como olhamos para os erros dos outros.
Ser indulgente é não condenar com dureza. É tentar compreender antes de julgar.
Um jovem de quinze anos pode entender isso pensando na escola, na família e nos amigos.
Quando um colega erra uma resposta na sala e todos riem dele, falta indulgência. Mas quando alguém pensa: “eu também poderia errar”, e escolhe não zombar, aí existe indulgência.
Quando um amigo responde de forma seca no WhatsApp, a primeira reação pode ser pensar: “ele é grosso”. Mas talvez ele esteja triste, cansado, com problemas em casa ou passando por algo que não contou a ninguém. A indulgência nos convida a não tirar conclusões rápidas.
Quando os pais corrigem, muitas vezes o adolescente pensa que eles estão apenas pegando no pé. Mas a indulgência também pode funcionar ao contrário: o filho tentar enxergar que os pais também se preocupam, se cansam, se angustiam e nem sempre sabem falar da melhor maneira.
Indulgência não é passar pano para tudo. Não é aceitar humilhação, violência ou injustiça. Também não significa dizer que o erro está certo. Indulgência é corrigir sem crueldade, orientar sem humilhar e discordar sem destruir.
Jesus nos ensinou a olhar o próximo com misericórdia. E o Espiritismo nos lembra que todos estamos em processo de evolução. Ninguém nasce pronto. Todos carregamos falhas, dificuldades, inseguranças e lutas íntimas.
Por isso, antes de apontar o erro do outro, vale perguntar:
“E se fosse comigo?”
“Eu gostaria de ser tratado com desprezo?”
“Essa pessoa precisa de ataque ou de ajuda?”
“Minha palavra vai levantar ou derrubar?”
A indulgência é uma escola do coração. Ela nos ensina a ser firmes sem sermos duros, sinceros sem sermos agressivos, justos sem sermos impiedosos.
No dia a dia, ela aparece em pequenas atitudes: não espalhar fofoca, não expor o erro de alguém, não transformar uma falha em piada, não julgar pela aparência, não cancelar uma pessoa por um momento ruim.
Ser indulgente é lembrar que todos nós precisamos de novas chances.
E quem aprende a olhar o outro com mais bondade também começa a olhar a si mesmo com mais equilíbrio. Porque a indulgência não diminui a verdade; ela ilumina a verdade com amor.
Referências bibliográficas
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo X — “Bem-aventurados os misericordiosos”, especialmente os itens sobre indulgência.
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