terça-feira, 15 de setembro de 2026
DUELOS DE ONTEM E DE HOJE - Dos duelos de espada aos duelos nas redes sociais
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Setembro Amarelo: a visão espírita sobre o suicídio e a valorização da vida
O Setembro Amarelo surgiu com o propósito de ampliar o diálogo sobre a prevenção do suicídio, combater preconceitos e incentivar as pessoas em sofrimento emocional a procurarem ajuda. Em 2026, o Centro de Valorização da Vida (CVV) escolheu como tema da campanha a frase “Escutar é estar presente”.
É uma mensagem simples, mas profunda. Muitas vezes, quem sofre não precisa, num primeiro momento, de discursos ou de respostas prontas. Precisa ser ouvido. Precisa perceber que existe alguém disposto a permanecer ao seu lado.
Sob a ótica espírita, essa valorização da vida ganha ainda outro significado.
A vida como oportunidade concedida por Deus
Para o Espiritismo, a existência corporal não começa no nascimento nem termina com a morte. Somos Espíritos imortais, vivendo temporariamente uma experiência no corpo físico.
Cada encarnação constitui uma oportunidade de aprendizado, reparação, crescimento e desenvolvimento espiritual.
Por isso, mesmo quando a existência apresenta dificuldades que parecem insuportáveis, a Doutrina Espírita convida-nos a enxergar além do momento presente.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, ao tratar do suicídio, Allan Kardec apresenta justamente a esperança na continuidade da vida como um dos elementos capazes de fortalecer a pessoa diante das dificuldades.
Isso não significa minimizar a dor de ninguém.
Dizer simplesmente a alguém que está sofrendo que ela precisa “ter fé”, “ser forte” ou “aceitar sua prova” pode ser insuficiente e até cruel quando não vem acompanhado de acolhimento verdadeiro.
A própria caridade ensinada por Jesus exige muito mais.
Exige presença.
Exige escuta.
Exige cuidado.
O suicídio não deve ser tratado com julgamento
Durante muito tempo, diferentes sociedades e tradições religiosas trataram o suicídio quase exclusivamente sob o ponto de vista da condenação.
A visão espírita, embora considere que a vida não deve ser voluntariamente interrompida, também nos ensina que a responsabilidade espiritual nunca pode ser julgada de maneira simplista.
Existem circunstâncias, estados emocionais, transtornos mentais e diferentes níveis de consciência que somente Deus pode avaliar plenamente.
Portanto, diante de uma pessoa que morreu por suicídio, a atitude cristã não é condenar.
É orar.
É acolher os familiares.
É confiar na misericórdia divina.
E, principalmente, quando alguém ainda está entre nós enfrentando pensamentos de morte, nossa responsabilidade não é julgá-lo, mas ajudá-lo.
A dor passa, ainda que naquele momento pareça não passar
Uma das ideias apresentadas por Kardec é a de que o sofrimento terreno, por mais difícil que seja, possui duração limitada diante da eternidade.
Quem atravessa uma crise emocional profunda, entretanto, frequentemente perde essa perspectiva.
A pessoa pode acreditar que a dor de hoje será também a dor de amanhã, do próximo mês e de toda a sua existência.
Por isso, uma das grandes tarefas de quem está próximo é ajudá-la a atravessar aquele momento.
Não precisamos resolver toda a vida de alguém.
Às vezes, precisamos ajudá-la apenas a chegar ao próximo dia.
E depois ao outro.
Até que ela consiga novamente enxergar possibilidades que naquele momento estavam encobertas pelo sofrimento.
“Escutar é estar presente”
O tema do Setembro Amarelo de 2026 aproxima-se de maneira muito bonita do ensinamento de Jesus sobre o amor ao próximo.
Escutar verdadeiramente alguém é uma forma de caridade.
Escutar sem interromper.
Sem transformar a conversa em uma comparação com nossos próprios problemas.
Sem dizer “isso não é nada”.
Sem acusar a pessoa de falta de fé.
Sem oferecer respostas espirituais como substituição para cuidados médicos e psicológicos.
Uma pessoa em sofrimento psíquico pode precisar de acompanhamento de psicólogo, psiquiatra ou outros profissionais de saúde. Fé e tratamento não são adversários.
O conhecimento médico também pode ser compreendido como instrumento da Providência Divina a serviço da vida.
Da mesma maneira, quem possui fé pode encontrar nela uma poderosa fonte de esperança, desde que essa espiritualidade seja utilizada para acolher e fortalecer, jamais para culpabilizar.
A visão espírita é, sobretudo, uma mensagem de esperança
Talvez uma das maiores contribuições do Espiritismo para a valorização da vida seja afirmar:
nenhuma situação é eterna.
A existência continua.
O Espírito continua aprendendo.
Novas oportunidades surgem.
A dor pode se transformar.
Os caminhos podem mudar.
E enquanto houver vida, existe possibilidade de recomeço.
A pessoa que hoje não consegue perceber uma saída pode enxergá-la amanhã com ajuda adequada.
Por isso, não devemos abandonar ninguém dentro de sua própria escuridão.
Quando alguém disser “não aguento mais”
Talvez não seja o momento de dar uma palestra.
Talvez seja o momento de sentar ao lado.
Perguntar:
“Quer conversar?”
“Como posso ajudar?”
“Posso ficar com você?”
E, diante de uma situação de risco, ajudar aquela pessoa a procurar atendimento profissional imediatamente.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, além de outros canais de atendimento.
Buscar ajuda não é demonstração de fraqueza.
É uma decisão em favor da vida.
Enquanto houver vida, há caminho
O Setembro Amarelo termina quando setembro acaba.
A necessidade de cuidar uns dos outros, não.
Que saibamos perceber aqueles que estão ao nosso redor.
Que nossas comunidades religiosas sejam espaços nos quais uma pessoa possa admitir que está sofrendo sem medo de julgamento.
Que a fé não seja uma cobrança, mas um abraço.
E que jamais nos esqueçamos de que, por trás de muitas pessoas que parecem fortes, podem existir batalhas que ninguém conhece.
A Doutrina Espírita apresenta a existência como uma jornada muito maior do que conseguimos enxergar neste momento.
Por isso, diante da dor, nossa mensagem deve ser sempre de esperança:
fique.
Procure ajuda.
Permita que alguém caminhe ao seu lado.
Uma página difícil não significa o fim da história.
Enquanto houver vida, ainda existe possibilidade de mudança, aprendizado, reencontro e recomeço.
E valorizar a vida talvez comece exatamente assim:
estando presentes uns para os outros.
Referências bibliográficas
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo V — “Bem-aventurados os aflitos”, itens 14 a 17, especialmente “O suicídio e a loucura”. Diversas edições.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Quarta — “Das esperanças e consolações”, questões referentes ao suicídio e suas consequências. Diversas edições.
CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA — CVV. Setembro Amarelo — Mês de Prevenção ao Suicídio. Campanha Setembro Amarelo 2026: “Escutar é estar presente”. São Paulo: CVV, 2026.
CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA — CVV. Escutar é estar presente. Setembro de 2026.
KARDECPEDIA. O Evangelho segundo o Espiritismo — Capítulo V: Bem-aventurados os aflitos — O suicídio e a loucura. Consulta em setembro de 2026.
Importante: pensamentos de suicídio e situações de risco precisam ser tratados também como questão de saúde. O CVV oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188. Em situações de emergência ou risco imediato, deve-se procurar atendimento de urgência.
terça-feira, 8 de setembro de 2026
O ódio e o desafio de amar os inimigos
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Independência e Evolução: A Revolução Moral da Pátria do Cruzeiro
Como nos revela a obra Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, psicografada por Chico Xavier e ditada pelo Espírito Humberto de Campos, a formação da nação brasileira não ocorreu por mero acaso geopolítico. Sob a diretriz do Mestre Jesus, o país foi preparado para ser o solo fértil onde as sementes do amor, da fraternidade e da solidariedade floresceriam, acolhendo povos de todas as raças e credos em um grande abraço universal.
Liberdade Exterior e Liberdade Interior
A verdadeira emancipação de um povo não se consolida apenas com decretos diplomáticos ou conquistas territoriais. Em O Livro dos Espíritos, na Questão 825, os Benfeitores Espirituais ensinam que a verdadeira liberdade reside no livre-arbítrio e no domínio sobre as próprias imperfeições.
Enquanto a independência de 1822 garantiu a liberdade política externa, o compromisso contínuo do povo brasileiro — e de cada um de nós — é a conquista da independência interior: o libertar-se do orgulho, do egoísmo e dos preconceitos que ainda acorrentam a alma.
O Papel de Cada Um na Construção da Pátria do Evangelho
Celebrar a Independência do Brasil no blog Semear Para Colher é renovar o compromisso com a semeadura do bem. A Pátria do Evangelho não se constrói com discursos, mas com atitudes diárias de amor ao próximo, cidadania consciente e caridade exemplificada.
Para que o Brasil cumpra plenamente sua missão espiritual perante o mundo, precisamos cultivar em nosso solo íntimo:
Educação e Fraternidade: Transformar a sociedade por meio do respeito mútuo e do acesso ao conhecimento moral e intelectual.
União e Acolhimento: Honrar a vocação pacífica e plural do nosso povo, promovendo a paz e a concórdia.
Trabalho no Bem: Entender que a verdadeira pátria é a humanidade e que o progresso do país depende da renovação moral de cada cidadão.
Que neste 7 de setembro possamos refletir sobre a liberdade que o Cristo nos propõe. Se a história nos deu a independência política, o Espiritismo nos convida à libertação espiritual pela via do amor e da iluminação íntima.
Cultivemos hoje as sementes da fraternidade para colhermos, amanhã, uma nação regenerada e plena de paz.
terça-feira, 1 de setembro de 2026
A vingança e o desafio de pagar o mal com o bem
É justamente contra esse impulso que o Evangelho nos convida a lutar.
No capítulo XII de O Evangelho segundo o Espiritismo, intitulado “Amai os vossos inimigos”, Allan Kardec reúne ensinamentos que representam um dos aspectos mais difíceis da moral cristã. O próprio capítulo começa com a seção “Retribuir o mal com o bem” e, mais adiante, nas Instruções dos Espíritos, apresenta a mensagem “A vingança”, assinada por Jules Olivier, Paris, 1862.
Jesus e a resposta ao mal
Jesus ensinou:
“Amai os vossos inimigos [...] fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem.”
(Mateus 5:44)
É uma proposta profundamente diferente da lógica comum das relações humanas.
Gostamos de quem gosta de nós. Tratamos bem quem nos trata bem. Agradecemos àquele que nos ajuda. Até aí, quase não existe esforço moral. O verdadeiro desafio começa quando recebemos hostilidade e precisamos decidir o que faremos com ela.
A orientação de Jesus não significa que devamos considerar correto aquilo que é errado, permitir abusos ou desistir do direito de nos defender. Kardec esclarece, ao comentar o ensinamento de apresentar a outra face, que Jesus não pretendeu impedir toda defesa; o alvo de sua condenação era a vingança, isto é, a disposição de devolver deliberadamente o sofrimento recebido.
Existe, portanto, uma diferença fundamental entre buscar justiça e buscar vingança.
A justiça procura impedir que o mal continue, proteger quem foi prejudicado e, quando necessário, estabelecer consequências. A vingança deseja que o outro sofra porque nós sofremos.
Uma procura corrigir.
A outra procura ferir.
“A vingança”, segundo O Evangelho segundo o Espiritismo
Na mensagem inserida por Kardec no item 9 do capítulo XII, Jules Olivier apresenta a vingança como um remanescente de costumes bárbaros e como sinal do atraso moral daqueles que ainda se deixam dominar por esse sentimento. A mensagem afirma claramente que vingar-se é incompatível com o ensinamento do Cristo sobre o perdão aos inimigos.
Esse ensinamento complementa perfeitamente a proposta apresentada no início do mesmo capítulo: retribuir o mal com o bem.
Não se trata simplesmente de permanecer calado.
Também não significa fingir que não fomos magoados.
Muito menos significa manter proximidade com uma pessoa que continua nos fazendo mal.
Retribuir o mal com o bem significa interromper em nós a corrente do mal.
Alguém nos ofende. Podemos devolver outra ofensa.
Alguém espalha uma mentira. Podemos espalhar outra.
Alguém nos prejudica. Podemos procurar uma oportunidade para prejudicá-lo também.
Quando fazemos isso, o mal que chegou até nós não terminou: encontrou em nós um novo instrumento para continuar circulando.
O ensinamento do Cristo propõe exatamente o contrário.
O mal chega até nós — e em nós deve encontrar um limite.
É nesse sentido que a orientação de Jesus se aproxima extraordinariamente da recomendação apresentada posteriormente pelo apóstolo Paulo:
“Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.”
(Romanos 12:21)
Responder ao mal com o bem não transforma automaticamente a pessoa que nos ofendeu. Mas começa transformando aquele que escolheu não devolver a ofensa.
E essa transformação é essencialmente espiritual.
Perdoar não é aprovar
Há uma confusão comum quando se fala em perdão.
Perdoar não significa dizer que uma injustiça foi correta.
Uma pessoa pode perdoar e, ao mesmo tempo, estabelecer limites. Pode perdoar e procurar a Justiça. Pode perdoar e encerrar uma convivência prejudicial. Pode perdoar e tomar providências para impedir que determinada atitude se repita.
O que o perdão procura retirar do coração é o desejo de vingança.
Podemos dizer:
“O que você fez foi errado e não permitirei que aconteça novamente.”
Isso é diferente de pensar:
“Agora vou fazer você sofrer como eu sofri.”
A primeira atitude estabelece um limite.
A segunda alimenta a vingança.
Para o Espiritismo, essa diferença é especialmente importante porque nossas atitudes não dizem respeito somente ao outro: elas também participam de nossa própria educação espiritual.
Cada conflito pode, portanto, transformar-se numa escolha.
Reproduziremos o comportamento que condenamos?
Ou seremos capazes de agir de maneira diferente?
Três exemplos no cotidiano
1. No ambiente de trabalho
Imagine que um colega faça um comentário injusto sobre você diante de outras pessoas. A vontade imediata pode ser procurar algum erro dele e expô-lo na primeira oportunidade.
Retribuir o mal com o bem não significa aceitar passivamente a acusação. Você pode esclarecer os fatos, conversar com o colega ou procurar a chefia, se necessário.
O que muda é a intenção: em vez de tentar humilhá-lo, você procura resolver o problema sem criar uma nova ofensa.
O bem, nesse caso, manifesta-se por meio da firmeza sem crueldade.
2. Nas redes sociais
Alguém publica um comentário agressivo em uma postagem sua.
É fácil responder no mesmo tom — e talvez até reunir amigos para atacar aquela pessoa.
Mas existe outra possibilidade: responder educadamente, esclarecer aquilo que precisa ser esclarecido e, caso a agressão continue, encerrar a discussão ou utilizar os mecanismos de bloqueio e denúncia disponíveis.
Não devolver a agressão não significa perder uma discussão. Às vezes significa simplesmente não permitir que outra pessoa escolha por nós o tipo de pessoa que seremos naquele momento.
3. Dentro da família
Uma palavra dita por alguém da família pode machucar profundamente. E justamente porque conhecemos muito bem aquelas pessoas, sabemos também quais palavras poderiam feri-las de volta.
A vingança aproveitaria esse conhecimento.
O Evangelho propõe outra escolha.
Podemos dizer que fomos magoados, explicar aquilo que consideramos inadequado e até nos afastar por algum tempo, se necessário. Mas escolher deliberadamente não atingir o ponto fraco do outro já é uma forma concreta de vencer o impulso da vingança.
Às vezes, pagar o mal com o bem começa simplesmente em não acrescentar uma nova ferida àquela que já existe.
Conclusão: onde termina a corrente do mal?
Talvez seja fácil admirar o ensinamento de Jesus quando o encontramos nas páginas do Evangelho. Difícil é recordá-lo no instante em que alguém fere nosso orgulho, prejudica nossos interesses ou nos dirige uma palavra injusta.
É justamente aí que começa sua aplicação.
O Espiritismo não nos pede que deixemos de sentir imediatamente a mágoa. Somos seres em processo de aperfeiçoamento, e determinadas feridas precisam de tempo para cicatrizar. O convite é para que não transformemos essa dor em instrumento de uma nova dor.
A vingança diz:
“Você me fez sofrer; agora sofrerá também.”
O Evangelho pergunta:
“O sofrimento precisa continuar?”
Retribuir o mal com o bem é escolher que não.
É interromper a corrente.
É compreender que a verdadeira vitória não acontece quando conseguimos derrotar aquele que considerávamos nosso inimigo, mas quando conseguimos impedir que o comportamento dele desperte em nós aquilo que também precisaríamos combater.
Por isso, amar os inimigos talvez não comece com um sentimento extraordinário de afeição.
Pode começar de maneira muito mais simples — e muito mais difícil:
recusar-se a odiar, renunciar à vingança e escolher não devolver ao mundo o mal que um dia chegou até nós.
Referências bibliográficas
BÍBLIA SAGRADA. Evangelho segundo Mateus, capítulo 5, especialmente versículos 43–48; Evangelho segundo Lucas, capítulo 6, especialmente versículos 27–36; Carta de Paulo aos Romanos, capítulo 12, versículos 17–21.
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo XII — “Amai os vossos inimigos”. Seções “Retribuir o mal com o bem”, itens 1 a 4; “Se alguém vos bater na face direita, apresentai-lhe também a outra”, itens 7 e 8; e “Instruções dos Espíritos — A vingança”, item 9.
OLIVIER, Jules (Espírito). “A vingança”. Paris, 1862. In: KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XII, item 9.
A Parábola do Bom Samaritano: quem é o nosso próximo?
A pergunta que deu origem à parábola
Segundo o Evangelho de Lucas, um doutor da lei perguntou a Jesus o que deveria fazer para alcançar a vida eterna. O Mestre o levou a recordar os dois grandes mandamentos: amar a Deus de todo o coração e amar o próximo como a si mesmo.
Desejando justificar-se, o homem fez outra pergunta:
“E quem é o meu próximo?”
Em vez de oferecer uma definição teórica, Jesus contou uma história.
Um homem descia de Jerusalém para Jericó quando foi atacado por ladrões. Roubaram-lhe os pertences, agrediram-no e o deixaram quase morto à beira do caminho. Um sacerdote passou pelo local, viu o ferido e seguiu adiante. Depois, um levita fez o mesmo. Finalmente, passou um samaritano. Ao encontrar o desconhecido naquela situação, compadeceu-se dele, tratou suas feridas, colocou-o sobre seu próprio animal, levou-o a uma hospedaria e assumiu as despesas necessárias ao seu cuidado.
Ao terminar a narrativa, Jesus perguntou qual dos três havia sido o próximo do homem ferido. O doutor da lei respondeu: “O que usou de misericórdia para com ele”. Então, o Mestre concluiu: “Vai e faze da mesma maneira”.
O próximo não é apenas aquele que está perto
A escolha de um samaritano como exemplo de bondade não foi casual. Judeus e samaritanos carregavam antigas divergências religiosas e culturais. Para muitos ouvintes de Jesus, seria surpreendente perceber que justamente o homem pertencente ao grupo desprezado foi quem demonstrou verdadeira compaixão.
O sacerdote e o levita viram o sofrimento, mas não permitiram que aquela visão modificasse seus caminhos. O samaritano também viu, porém fez algo a respeito. Aproximou-se, cuidou, transportou, procurou ajuda e assumiu responsabilidades. Sua caridade não permaneceu apenas no sentimento: transformou-se em ação.
Jesus também muda o sentido da pergunta inicial. O doutor da lei queria saber quem poderia ser considerado seu próximo, talvez procurando estabelecer os limites de sua obrigação. O Mestre, entretanto, ensina que a questão principal não é identificar quem merece o nosso amor, mas decidir de quem nós nos faremos próximos.
Três maneiras de viver essa parábola no dia a dia
1. Interromper a pressa para acolher alguém
Podemos viver a lição do Bom Samaritano quando reservamos alguns minutos para ouvir uma pessoa que está sofrendo, telefonamos para alguém que enfrenta a solidão, acompanhamos um familiar a uma consulta ou oferecemos ajuda a quem demonstra estar sobrecarregado.
Nem sempre será possível resolver o problema, mas podemos evitar a indiferença. Muitas vezes, o primeiro gesto de caridade consiste em parar, aproximar-se e escutar com atenção.
2. Auxiliar sem perguntar se a pessoa “merece”
O samaritano não investigou as opiniões, a religião, a origem ou os erros do homem ferido antes de ajudá-lo. Da mesma forma, podemos praticar a parábola quando socorremos alguém sem transformar a caridade em julgamento.
Isso acontece quando orientamos uma pessoa perdida, ajudamos um colega com quem não temos afinidade, tratamos com respeito quem pensa de maneira diferente ou oferecemos assistência a alguém em situação de vulnerabilidade. O sofrimento humano deve falar mais alto do que nossas diferenças.
3. Tornar a solidariedade concreta
A compaixão do samaritano envolveu atitudes, tempo, recursos e continuidade. Ele não se limitou a desejar que o ferido melhorasse: tratou suas feridas, levou-o a um lugar seguro e providenciou os cuidados seguintes.
No cotidiano, isso pode significar doar alimentos ou roupas em boas condições, colaborar com uma instituição séria, oferecer transporte a quem tem dificuldade de locomoção, compartilhar uma informação útil, defender a acessibilidade ou acompanhar alguém até que encontre a ajuda necessária. A boa intenção é valiosa, mas a caridade se completa quando produz alguma transformação concreta.
“Vai e faze da mesma maneira”
A Parábola do Bom Samaritano continua atual porque todos nós encontramos pessoas feridas pelos caminhos da vida. Algumas carregam dores visíveis; outras escondem sofrimentos emocionais, familiares, financeiros ou espirituais. Também nós, em determinados momentos, podemos ser aquele viajante caído, necessitando da presença compassiva de alguém.
Diante dessas situações, podemos passar adiante ou nos aproximar. A verdadeira religiosidade não se revela apenas nas palavras, nas cerimônias ou no conhecimento das Escrituras, mas principalmente na maneira como tratamos aqueles que Deus coloca em nosso caminho.
Sob a visão espírita, a parábola reafirma que o progresso espiritual não depende de títulos religiosos ou de declarações de fé, mas da caridade vivida. No capítulo XV de O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec utiliza justamente o ensinamento do Bom Samaritano para demonstrar que a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, virtudes opostas ao egoísmo e ao orgulho. Kardec recorda ainda o ensino do apóstolo Paulo de que, sem caridade, até mesmo a fé e os maiores conhecimentos perdem seu valor. A máxima “Fora da caridade não há salvação” não privilegia determinada crença: ela reconhece todos como irmãos e coloca ao alcance de cada pessoa a oportunidade de crescer espiritualmente por meio da benevolência, da indulgência, do perdão e do auxílio desinteressado. Assim, ser o bom samaritano de alguém é transformar o amor em serviço e compreender que cada encontro pode ser uma oportunidade concedida por Deus para repararmos o passado, vencermos o egoísmo e avançarmos no caminho da evolução.
domingo, 30 de agosto de 2026
Dia Mundial do Perdão: libertar o coração para seguir em frente
Muitas vezes, o ressentimento prolonga dentro de nós uma experiência que já terminou do lado de fora. A lembrança permanece acompanhada de raiva, tristeza, desejo de reparação ou perguntas que talvez nunca encontrem resposta. Nesse sentido, o perdão pode ser compreendido como um processo: aos poucos, a pessoa deixa de permitir que a ofensa ocupe permanentemente seus pensamentos e determine seus sentimentos.
Também é importante falar sobre o autoperdão. Há pessoas capazes de compreender os erros dos outros, mas extremamente severas consigo mesmas. Reconhecer uma falha, assumir suas consequências e procurar repará-la é diferente de viver indefinidamente sob o peso da culpa. O arrependimento saudável pode produzir mudança; a culpa sem perspectiva de transformação apenas aprisiona.
O perdão na visão espírita
Na Doutrina Espírita, o perdão está profundamente relacionado à caridade, à indulgência e ao progresso moral. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, especialmente no capítulo X — “Bem-aventurados os misericordiosos” — encontramos reflexões sobre o perdão das ofensas e sobre a necessidade de combater o ressentimento e o desejo de vingança. Sob essa perspectiva, perdoar não é demonstração de fraqueza, mas exercício de compreensão e crescimento espiritual. Isso não elimina a responsabilidade daquele que errou: cada pessoa continua responsável pelas consequências de seus atos.
A visão espírita também nos convida a considerar que todos somos Espíritos em processo de aprendizado, sujeitos a erros e necessitados de oportunidades de transformação. Por isso, a indulgência para com as imperfeições alheias caminha junto com o esforço de reconhecer e corrigir as nossas. O perdão sincero não exige necessariamente esquecer o acontecimento, reconstruir uma relação rompida ou voltar a conviver com quem nos fez mal. Ele representa, sobretudo, o esforço para não alimentar ódio ou vingança e para confiar à consciência, à vida e à justiça divina aquilo que não nos cabe resolver pelo ressentimento.
Neste Dia Mundial do Perdão, talvez a reflexão mais importante seja justamente esta: perdoar não muda o passado, mas pode mudar a relação que temos com ele. Algumas feridas precisam de tempo, outras exigem distância e proteção, e há situações em que o perdão é uma longa caminhada. O importante é compreender que abrir mão do rancor não significa absolver o erro — significa não permitir que ele continue governando nosso coração.
Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Como devemos agir diante dos inimigos desencarnados?
Segundo o Espiritismo, a morte do corpo não transforma imediatamente uma pessoa. Cada Espírito leva consigo seus sentimentos, suas lembranças e o grau de evolução que já alcançou. Por isso, alguém que desencarnou guardando mágoa, revolta ou desejo de vingança pode continuar alimentando esses sentimentos no mundo espiritual.
Allan Kardec explica que, assim como devemos agir com benevolência diante dos inimigos encarnados, precisamos ter a mesma atitude em relação aos desencarnados. Esse ensinamento amplia o sentido das palavras de Jesus: “Amai os vossos inimigos”. O amor, portanto, não deve ficar limitado às relações da vida presente, mas faz parte de uma lei maior de solidariedade e fraternidade entre todos os seres. Leia o item “Os inimigos desencarnados”, do capítulo 12.
Amar não significa aprovar o mal
Amar um inimigo, encarnado ou desencarnado, não significa concordar com aquilo que ele faz. Também não significa sentir por ele a mesma afeição que sentimos por um familiar ou amigo.
Nesse caso, amar significa não alimentar o ódio, não desejar vingança e não responder ao mal com mais mal. É reconhecer que aquele Espírito também é um filho de Deus, ainda imperfeito e necessitado de auxílio, assim como todos nós.
O Espírito que procura prejudicar alguém demonstra que ainda sofre com a ignorância, a raiva ou o desejo de vingança. Embora sua atitude seja errada, ele também precisa de esclarecimento, misericórdia e oportunidade de transformação.
A oração é uma resposta de amor
Uma das atitudes mais importantes diante de um inimigo desencarnado é a oração sincera. Podemos pedir a Deus e aos bons Espíritos que o amparem, esclareçam e conduzam para um caminho melhor.
Não devemos orar apenas pedindo que ele se afaste de nós. Podemos pedir também que encontre paz, compreenda seus erros e receba o auxílio de que necessita. Quando desejamos sinceramente o bem daquele que nos deseja o mal, começamos a romper o ciclo de ódio que nos liga a ele.
Uma oração simples pode dizer:
“Senhor, ampara o irmão que ainda guarda mágoa ou revolta contra mim. Ajuda-o a encontrar paz e esclarecimento. Se eu lhe causei algum mal, nesta vida ou em outra, peço perdão. Que possamos seguir nossos caminhos sem ódio, unidos pelo aprendizado e pela misericórdia de Deus.”
Também precisamos observar nossas atitudes
O ensinamento espírita não nos convida apenas a pedir que o outro mude. Precisamos examinar o que existe dentro de nós.
Ainda guardamos rancor? Desejamos vingança? Alimentamos pensamentos constantes de medo, raiva ou desespero? Recusamo-nos a perdoar?
A transformação moral, o esforço para corrigir nossos defeitos, a prática da caridade e a vigilância sobre nossos pensamentos ajudam a criar uma vida interior mais equilibrada. Quanto mais cultivamos o bem, menos espaço oferecemos para influências negativas.
Isso não quer dizer que toda dificuldade, doença ou pensamento ruim seja causado por um Espírito. O Espiritismo recomenda bom senso. Problemas físicos e emocionais também precisam ser avaliados por profissionais de saúde. O cuidado espiritual pode acompanhar o tratamento médico ou psicológico, mas não deve substituí-lo.
Não devemos agir com medo
Diante da possibilidade de uma influência espiritual negativa, a primeira atitude não deve ser o pânico. O medo excessivo pode aumentar a angústia e dificultar o equilíbrio.
Além da oração, podemos realizar o Evangelho no Lar, cultivar bons pensamentos, evitar conflitos desnecessários e procurar uma casa espírita séria, onde seja possível receber orientação e assistência espiritual de maneira gratuita, responsável e sem práticas supersticiosas.
Não devemos tentar conversar, desafiar ou expulsar Espíritos por conta própria. A melhor defesa não está nas ameaças nem nos rituais, mas na confiança em Deus, na mudança de comportamento e na perseverança no bem.
O perdão liberta os dois lados
Às vezes, a inimizade pode ter começado muito antes da vida atual. Segundo a Doutrina Espírita, podemos reencontrar pessoas com quem tivemos conflitos em outras existências. Não conhecemos todos os acontecimentos do passado, mas podemos decidir o que faremos no presente.
Se respondermos com ódio, prolongaremos a ligação dolorosa. Se escolhermos o perdão, a oração e a reparação possível, começaremos a desfazer os laços da vingança.
Perdoar não apaga automaticamente as consequências dos atos, nem significa aceitar novas agressões. Perdoar é deixar de alimentar o desejo de fazer o outro sofrer. É entregar a justiça a Deus e seguir trabalhando pela própria transformação.
Vencer o mal com o bem
A grande orientação do capítulo 12 de O Evangelho Segundo o Espiritismo é simples de compreender, embora nem sempre seja fácil de praticar: devemos responder ao mal com o bem.
Diante dos inimigos desencarnados, a atitude espírita deve ser de serenidade, oração, benevolência e confiança em Deus. Em vez de enxergarmos apenas um perseguidor, somos convidados a reconhecer um Espírito doente da alma, que também precisa de auxílio.
O ódio aprisiona aquele que odeia e aquele que é odiado. O perdão, ao contrário, abre caminho para a libertação de ambos.
Amar os inimigos desencarnados é não devolver a ofensa, desejar que eles encontrem a paz e cuidar para que nossas próprias atitudes sejam cada vez mais próximas dos ensinamentos de Jesus. É assim que, pouco a pouco, interrompemos antigas histórias de sofrimento e começamos a semear um futuro de reconciliação.
Semear para Colher
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Amar os inimigos não é permitir que continuem nos machucando
Quando Jesus ensinou: “Amai os vossos inimigos”, ele propôs uma das lições mais difíceis do Evangelho. Afinal, como amar alguém que nos ofendeu, espalhou mentiras, praticou bullying, nos humilhou ou tentou nos prejudicar?
Para compreendermos esse ensinamento, precisamos primeiro esclarecer o significado da palavra “amar”. O capítulo XII de O Evangelho Segundo o Espiritismo explica que Jesus não espera que tratemos um inimigo como tratamos um grande amigo.
Não somos obrigados a sentir carinho, manter intimidade ou confiar em quem já demonstrou querer nos fazer mal. A confiança precisa ser construída por meio de atitudes e pode ser perdida quando alguém abusa dela.
Portanto, amar um inimigo não significa gostar do que ele fez. Significa não permitir que o mal praticado por essa pessoa transforme também o nosso coração.
Quem é o nosso inimigo?
Quando ouvimos a palavra “inimigo”, talvez imaginemos alguém participando de uma guerra. Porém, em nossa vida diária, inimigo pode ser o colega que nos persegue na escola, a pessoa que inventa mentiras a nosso respeito, alguém que nos traiu ou até quem nos ataca pelas redes sociais.
Também pode ser alguém por quem alimentamos raiva durante muito tempo.
Nem sempre a outra pessoa continua pensando em nós. Às vezes, ela segue a própria vida, enquanto nós continuamos presos à ofensa. Nesse caso, a mágoa transforma-se em uma espécie de corrente: o ofensor pode estar distante, mas ainda ocupa nossos pensamentos e influencia nossas emoções.
Amar o inimigo começa quando decidimos romper essa corrente.
O que Jesus espera de nós?
Jesus espera que não respondamos ao mal com outro mal.
Isso significa não buscar vingança, não espalhar mentiras para revidar, não comemorar o sofrimento do outro e não utilizar os seus erros como desculpa para praticarmos os mesmos erros.
Segundo o capítulo XII, amar os inimigos é:
não guardar ódio;
perdoar, ainda que isso leve tempo;
não desejar o sofrimento de quem nos ofendeu;
não prejudicar essa pessoa;
ajudá-la, se estiver realmente necessitada e tivermos condições de fazê-lo;
desejar que ela reconheça os próprios erros e se transforme;
não impedir uma reconciliação sincera;
orar por ela;
responder ao mal com o bem.
Isso não acontece de uma hora para outra. O perdão pode ser um processo. Jesus não nos pede que finjamos que a dor não existe, mas que trabalhemos para que ela não se transforme em ódio.
Podemos começar com uma oração simples:
“Deus, ainda não consigo gostar dessa pessoa nem esquecer o que aconteceu. Mas não quero viver com ódio. Ajuda-me a encontrar paz e ajuda essa pessoa a compreender e corrigir os seus erros.”
Essa oração já representa um passo importante.
O que Jesus não espera de nós?
Jesus não espera que sejamos ingênuos.
Amar um inimigo não significa:
confiar imediatamente em quem nos traiu;
voltar a conviver com uma pessoa perigosa;
fingir que nada aconteceu;
aceitar agressões, humilhações ou abusos;
permanecer em uma amizade ou relacionamento que nos faz mal;
esconder o bullying de pais, responsáveis ou professores;
deixar de denunciar uma violência;
abandonar os nossos direitos;
permitir que o agressor continue fazendo novas vítimas;
sentir pelo inimigo o mesmo carinho que sentimos por um amigo.
Podemos perdoar alguém e, ao mesmo tempo, manter uma distância necessária. Podemos desejar que a pessoa melhore sem permitir que ela volte a entrar em nossa vida. Podemos recusar a vingança e ainda assim procurar ajuda, proteção e justiça.
Estabelecer limites não é odiar. Afastar-se de uma situação perigosa não é falta de caridade. Denunciar uma agressão não é vingança, desde que o objetivo seja proteger, corrigir e impedir que o mal continue.
Jesus nos pede misericórdia, mas não nos pede que colaboremos com o erro.
E o ensinamento de “oferecer a outra face”?
Essa expressão também costuma ser mal interpretada.
Oferecer a outra face não significa permanecer parado enquanto alguém continua nos agredindo. Significa recusar-se a responder com a mesma violência. É demonstrar que o comportamento errado do outro não terá poder para decidir quem nós seremos.
Imagine que alguém publique uma ofensa contra você na internet. Oferecer a outra face não é aceitar silenciosamente todas as agressões. Você pode bloquear a pessoa, guardar as provas, denunciar a publicação e procurar um adulto responsável. O que o Evangelho recomenda é que você não crie outra mentira, não organize uma vingança e não tente destruir a vida do agressor.
Isso exige muito mais coragem do que simplesmente revidar.
Por que devemos amar os inimigos?
Porque o ódio não corrige o passado. Ele apenas prolonga, dentro de nós, o mal que alguém começou.
Quando respondemos à ofensa com outra ofensa, formamos uma corrente: um machuca o outro, que revida, que volta a atacar. Alguém precisa interromper esse ciclo. Jesus nos convida a sermos essa pessoa.
Amar os inimigos também é uma vitória contra o orgulho. O orgulho deseja derrotar, humilhar e provar que o outro merece sofrer. O amor deseja que o erro termine e que todos possam aprender, reparar o mal e evoluir.
Isso não significa considerar certas atitudes menos graves. Significa compreender que nenhum ser humano é apenas o pior erro que já cometeu. Todos somos Espíritos em aprendizado, capazes de errar e também de mudar.
Quando desejamos sinceramente que alguém se transforme, estamos praticando uma forma elevada de amor.
Perdoar não é apagar as consequências
O perdão acontece em nosso coração; a reparação depende de quem praticou o mal.
Se alguém quebrou alguma coisa, deve consertá-la ou substituí-la. Se mentiu, deve reconhecer a verdade. Se feriu alguém, precisa assumir a responsabilidade. Se praticou um crime, poderá responder perante a lei.
Perdoar não significa impedir essas consequências. Significa não desejar que a pessoa sofra apenas para satisfazer a nossa raiva.
A justiça procura corrigir e proteger. A vingança procura fazer sofrer. Essa diferença é fundamental.
Uma escolha que fazemos todos os dias
Talvez você ainda não consiga olhar para quem o feriu e sentir paz. Isso não faz de você uma pessoa ruim. Somos seres humanos em processo de crescimento.
O importante é não alimentar conscientemente o desejo de vingança. Cada vez que desistimos de uma resposta cruel, evitamos uma fofoca, interrompemos um pensamento de ódio ou fazemos uma oração por alguém difícil, estamos aprendendo a amar como Jesus ensinou.
Amar os inimigos não é entregar novamente a chave da nossa casa a quem já tentou nos roubar. É apenas retirar dessa pessoa a chave do nosso coração, para que ela não continue aprisionando nossos pensamentos por meio da raiva.
Jesus não espera que chamemos de amigo quem ainda não se comporta como amigo. Ele espera que, mesmo diante do mal, não escolhamos nos transformar em inimigos também.
Essa é uma das maiores vitórias que podemos alcançar sobre nós mesmos.
Texto elaborado com base no capítulo XII — “Amai os vossos inimigos” — de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.
terça-feira, 4 de agosto de 2026
Amai os Vossos Inimigos: o que Jesus nos ensina à luz da Doutrina Espírita
“Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem.”
— Jesus, Mateus 5:44
Entre todos os ensinamentos de Jesus, talvez um dos mais difíceis de compreender e praticar seja: “Amai os vossos inimigos.”
Como amar alguém que nos ofendeu, prejudicou ou causou sofrimento? Será que Jesus espera que sintamos carinho por quem nos fez mal? Devemos continuar convivendo com pessoas que nos ferem?
À luz da Doutrina Espírita, amar os inimigos não significa sentir por eles a mesma afeição que dedicamos aos familiares e amigos. Também não significa concordar com atitudes erradas, aceitar injustiças ou permanecer em situações de violência e sofrimento.
Amar os inimigos significa, acima de tudo, não desejar o mal, não alimentar o ódio e não procurar vingança.
O inimigo também é um Espírito em aprendizado
A Doutrina Espírita nos ensina que todos somos Espíritos imortais, criados simples e ignorantes, caminhando gradualmente em direção ao aperfeiçoamento.
A pessoa que hoje age com crueldade, egoísmo ou ingratidão ainda não desenvolveu plenamente os sentimentos de fraternidade, compaixão e amor. Isso não torna suas atitudes corretas, mas nos ajuda a compreender que ela também é um Espírito imperfeito, assim como nós, necessitado de aprendizado e transformação.
Quando entendemos isso, deixamos de enxergar o ofensor apenas como alguém perverso e começamos a vê-lo como um irmão espiritualmente enfermo.
Essa compreensão não elimina a responsabilidade de quem praticou o mal. Cada pessoa responderá por suas escolhas diante das leis divinas. No entanto, impede que o erro do outro desperte em nós o desejo de cometer um novo erro por meio da vingança.
Perdoar não é aprovar
Perdoar não significa dizer que nada aconteceu. Também não significa permitir que a pessoa continue nos prejudicando.
Podemos perdoar e, ao mesmo tempo, estabelecer limites. Podemos nos afastar de uma convivência prejudicial, procurar ajuda, denunciar uma injustiça ou defender os nossos direitos sem alimentar ódio no coração.
A justiça procura corrigir e proteger. A vingança deseja fazer o outro sofrer.
Jesus não nos pede passividade diante do mal. Ele nos convida a agir com firmeza, porém sem crueldade; com prudência, porém sem rancor; com justiça, porém sem desejo de destruição.
O ódio nos mantém ligados ao ofensor
Quando conservamos mágoa, ressentimento e desejo de vingança, continuamos emocionalmente presos à pessoa que nos feriu.
Mesmo distante, ela permanece ocupando nossos pensamentos e perturbando nossa paz.
O perdão, portanto, é também uma forma de libertação. Ele não modifica necessariamente o passado nem transforma imediatamente o ofensor, mas começa a transformar aquele que perdoa.
Perdoar não é esquecer de uma hora para outra. Muitas feridas precisam de tempo, oração, reflexão e auxílio para cicatrizar. O importante é não alimentar voluntariamente o ressentimento.
Podemos começar dizendo a nós mesmos:
“Eu ainda não consigo amar essa pessoa, mas não desejo o seu mal. Entrego essa situação a Deus e peço forças para me libertar da mágoa.”
Esse já é um importante passo no caminho do perdão.
Orar por quem nos ofendeu
Jesus recomenda que oremos por aqueles que nos perseguem.
A oração por um adversário não deve ser feita para que Deus o castigue, mas para que ele seja esclarecido, encontre melhores caminhos e não continue causando sofrimento a si mesmo e aos outros.
Ao orarmos por quem nos feriu, também pedimos auxílio para o nosso próprio coração:
“Senhor, ajuda essa pessoa a compreender os seus erros. E ajuda-me para que a dor não se transforme em ódio dentro de mim.”
Talvez ainda não consigamos pronunciar essa prece com total sinceridade. Mesmo assim, a tentativa já demonstra o desejo de superar os sentimentos negativos.
A caridade começa no pensamento
Em O Livro dos Espíritos, a verdadeira caridade é apresentada como benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.
Isso significa que a caridade não se manifesta apenas quando oferecemos alimento, roupas ou ajuda material. Ela também aparece quando evitamos humilhar, quando não espalhamos os erros de alguém, quando controlamos palavras agressivas e quando procuramos compreender antes de condenar.
É relativamente fácil fazer o bem a quem nos trata bem. O grande desafio espiritual começa quando somos chamados a agir corretamente diante de quem nos decepcionou.
É nesse momento que demonstramos se os ensinamentos de Jesus já começaram, verdadeiramente, a criar raízes em nosso coração.
As relações difíceis também nos ensinam
Segundo a Doutrina Espírita, muitas pessoas que se reencontram na vida presente já estiveram ligadas em existências anteriores.
Algumas relações difíceis podem representar reencontros destinados à reparação de erros, ao exercício da paciência, à reconciliação e ao aprendizado do perdão.
Não devemos, porém, afirmar que todo sofrimento atual seja castigo por alguma atitude do passado. Não conhecemos suficientemente a história espiritual de cada pessoa para fazer esse julgamento.
O que podemos compreender é que nenhuma experiência precisa ser inútil. Mesmo uma convivência dolorosa pode nos ensinar a estabelecer limites, desenvolver paciência, abandonar o orgulho e aprender a perdoar.
Amar é desejar que o outro também evolua
Amar um inimigo não é abraçá-lo enquanto ele nos agride. É desejar que ele desperte para o bem.
É não nos alegrarmos com sua queda. É não retribuirmos ofensa com ofensa. É reconhecermos que, apesar de seus erros, ele continua sendo filho de Deus e também está destinado à evolução.
Talvez ainda não sejamos capazes de sentir amor por quem nos feriu. Jesus conhece nossas limitações. Ele não exige que alcancemos de imediato a perfeição, mas espera que caminhemos em sua direção.
Podemos começar evitando a vingança. Depois, esforçando-nos para não falar mal. Em seguida, orando. Aos poucos, a mágoa poderá perder força, dando lugar à compreensão e à paz.
Uma semente para colher
Amar os inimigos é uma das maiores demonstrações de maturidade espiritual.
Não significa permitir o mal, mas impedir que o mal do outro passe a viver dentro de nós.
Quando escolhemos não odiar, semeamos paz. Quando perdoamos, semeamos liberdade. Quando oramos por quem nos ofendeu, semeamos fraternidade.
Talvez a colheita não aconteça imediatamente. Contudo, cada esforço sincero para substituir o ressentimento pela compreensão aproxima-nos do exemplo de Jesus.
Que possamos pedir diariamente:
“Senhor, ensina-me a perdoar sem compactuar com o erro, a defender-me sem desejar vingança e a enxergar, mesmo naquele que me feriu, um Espírito que também precisa aprender a amar.”
Porque amar os inimigos não é considerar correto o mal que praticaram. É não permitir que o mal praticado por eles destrua a paz e a bondade que estamos tentando construir dentro de nós.
Semear para Colher
Referências para estudo
- Evangelho segundo Mateus, capítulo 5, versículos 43 a 48.
- O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XII — “Amai os vossos inimigos”.
- O Livro dos Espíritos, questões 886 e 887.
segunda-feira, 13 de julho de 2026
The Fox Sisters: o filme que revive a origem do Espiritualismo moderno
O filme **The Fox Sisters** (também conhecido internacionalmente como **Talking to the Dead – The Fox Sisters**), dirigido pelo brasileiro **Wagner de Assis**, reconstitui a história real das irmãs **Leah, Margaretta (Maggie) e Catherine (Kate) Fox**, consideradas personagens centrais no surgimento do movimento espiritualista moderno, a partir dos acontecimentos de Hydesville, em 1848.
Segundo o filme, estranhos ruídos e supostas comunicações com um espírito despertaram enorme curiosidade na população da época. As jovens passaram a realizar demonstrações públicas, dando origem a um movimento que rapidamente atravessou os Estados Unidos e chegou à Europa.
Para os estudiosos da história do Espiritismo, esses acontecimentos possuem grande importância por terem criado o ambiente que, alguns anos depois, possibilitaria o trabalho de **Allan Kardec**, que investigou os fenômenos com método, espírito crítico e rigor, organizando a Doutrina Espírita sobre bases filosóficas, científicas e morais.
É importante destacar que a trajetória das irmãs Fox também foi marcada por controvérsias. Em 1888, Maggie declarou publicamente que parte das manifestações teria sido produzida por meios naturais. Posteriormente, porém, voltou a afirmar que havia sofrido forte pressão ao fazer essa confissão. Até hoje, o episódio permanece objeto de debates entre historiadores, pesquisadores e estudiosos do fenômeno espiritualista.
Mais do que um filme sobre fenômenos mediúnicos, **The Fox Sisters** convida o espectador a refletir sobre a busca humana por respostas diante da morte, da sobrevivência da alma e da possibilidade de comunicação entre os dois planos da vida.
Independentemente das interpretações históricas, a obra ajuda a compreender um dos capítulos mais importantes que antecederam a Codificação Espírita.
"Examinai tudo. Retende o bem."** (1 Tessalonicenses 5:21)
No Espiritismo, fé e razão caminham juntas. Por isso, conhecer a história é também uma forma de fortalecer o discernimento e compreender melhor os caminhos percorridos até a consolidação da Doutrina Espírita.
Serviço
🎬 Filme: The Fox Sisters
📅 Estreia nos cinemas brasileiros: 24 de setembro de 2026.
🎥 Direção: Wagner de Assis.
✍️ Roteiro:Wagner de Assis, Carolina Castro e Larissa Vereza.
🌎 Produção Cinética Filmes, em parceria com Buena Vista Internacional e Film Connection Distribuidora.
Coprodução: Brasil e Estados Unidos.
🗣️ Idioma:** Inglês.
🎭 Elenco principal:** Jamie Hughes (Leah Fox), Sionne Elise (Maggie Fox), Marie McHugh (Kate Fox) e Philip Cruise (John Fox).
📖 Sinopse: Inspirado em fatos históricos, o longa retrata a trajetória das irmãs Leah, Maggie e Kate Fox, protagonistas dos acontecimentos de Hydesville, em 1848, considerados o marco inicial do espiritualismo moderno. Em meio ao preconceito, ao medo e ao ceticismo da época, elas enfrentam fenômenos que despertam intenso interesse público e influenciam profundamente a história das pesquisas sobre a sobrevivência da alma.
✨ Para o público espírita: O filme não aborda diretamente a Codificação Espírita, mas apresenta o contexto histórico que antecedeu os estudos de Allan Kardec, contribuindo para compreender o cenário em que surgiram as primeiras investigações sistemáticas sobre os fenômenos mediúnicos.
*Informações atualizadas em julho de 2026.*
Texto e imagem produzidos com inteligência artificial.
Autor responsável: José Eduardo Thomé de Saboya Oliveira.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
Cinco atitudes para vencer o egoísmo no dia a dia
Na mensagem de Pascal, no capítulo 11 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, aprendemos que o egoísmo é um dos maiores obstáculos ao progresso moral da humanidade. Enquanto o homem pensar apenas em si mesmo, continuará alimentando as causas de muitos sofrimentos. A transformação do mundo começa pela transformação de cada um de nós.
Uma boa maneira de combater o egoísmo é criar o hábito de pensar diferente antes de agir.
1. Em vez de perguntar: "O que eu ganho com isso?", pergunte: "Quem pode ser beneficiado?"
Nem toda boa ação traz retorno imediato. Muitas vezes, o verdadeiro ganho está na paz de consciência e na alegria de contribuir para o bem de alguém.
2. Em vez de guardar tudo para si, aprenda a compartilhar.
Pode ser um conhecimento, uma oportunidade, um elogio, um sorriso ou um pouco do seu tempo. Compartilhar não nos empobrece; pelo contrário, enriquece nossas relações e fortalece a fraternidade.
3. Em vez de querer sempre ter razão, procure compreender.
O egoísmo costuma andar de mãos dadas com o orgulho. Ouvir o outro com respeito, admitir um erro e valorizar opiniões diferentes são atitudes que aproximam as pessoas e favorecem a paz.
4. Em vez de pensar apenas no seu conforto, observe quem precisa de ajuda.
Às vezes, basta oferecer o lugar a alguém, carregar uma sacola pesada, visitar um enfermo, telefonar para quem está sozinho ou dedicar alguns minutos de atenção sincera. Pequenos gestos de solidariedade têm grande valor.
5. Em vez de esperar que os outros façam o bem, seja você o primeiro a começar.
Não espere a iniciativa alheia para praticar a caridade, o perdão ou a gentileza. O bem é contagiante. Quando alguém dá o primeiro passo, inspira outras pessoas a fazerem o mesmo.
Uma escolha diária
Eliminar o egoísmo não acontece de um dia para o outro. É um exercício constante de vigilância sobre nossos pensamentos, palavras e atitudes.
Sempre que surgir uma decisão, faça uma breve pausa e pergunte a si mesmo:
"Estou pensando apenas em mim ou também no bem do próximo?"
Essa simples reflexão pode mudar uma atitude, transformar um relacionamento e tornar o mundo um pouco melhor.
Como ensina o Espiritismo, a verdadeira felicidade cresce à medida que aprendemos a amar, servir e repartir. Cada pequena vitória sobre o egoísmo representa um passo importante na nossa evolução espiritual.
segunda-feira, 29 de junho de 2026
Semeando a SEmana
Iniciamos mais uma semana com a oportunidade de observar melhor nossos pensamentos, nossas palavras e nossas atitudes.
Nem sempre conseguiremos realizar grandes mudanças de uma só vez. Mas sempre podemos escolher uma atitude melhor, uma resposta mais serena, um gesto mais fraterno, uma palavra mais cuidadosa.
A reforma íntima começa assim: no cotidiano.
Começa quando evitamos uma reclamação desnecessária.
Quando deixamos de alimentar uma mágoa.
Quando escolhemos ajudar, mesmo que ninguém veja.
Quando pensamos no bem do outro antes de agir apenas em nosso próprio favor.
Quando reconhecemos que também precisamos aprender, melhorar e recomeçar.
Cada semana que se inicia é como um campo novo diante de nós. A semente que lançarmos hoje poderá florescer em paz, equilíbrio e crescimento espiritual.
Por isso, nesta semana, procuremos semear mais paciência nas conversas, mais compreensão nas diferenças, mais caridade nas pequenas oportunidades e mais vigilância sobre aquilo que ainda precisamos transformar em nós.
Não esperemos o mundo mudar primeiro.
Comecemos pelo nosso coração.
Que esta semana seja vivida com mais consciência, mais humildade e mais amor ao próximo. Porque cada pequena vitória sobre o egoísmo, o orgulho e a indiferença representa um passo importante no caminho da evolução espiritual.
Que possamos semear o bem, mesmo nas tarefas simples, e confiar que Deus acompanha cada esforço sincero de renovação.
Boa semana, com paz, fé e disposição para fazer o melhor.
terça-feira, 23 de junho de 2026
Sono e sonhos à luz da Doutrina Espírita
Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta o que acontece com a alma durante o sono. A resposta dos Espíritos superiores nos ensina que, enquanto o corpo repousa, o Espírito não fica preso à mesma limitação da vida material. Ele se desprende parcialmente do corpo e pode entrar em contato com outros Espíritos, visitar lugares, receber intuições, aprender, rever afetos e também se aproximar daqueles com quem tem sintonia.
Isso não quer dizer que toda noite teremos grandes revelações. Muitas vezes, o Espírito se desloca de acordo com seus pensamentos, sentimentos, desejos e preocupações. Por isso, o estado íntimo antes de dormir influencia muito a qualidade espiritual do sono.
O sono é uma pequena liberdade do Espírito
Durante o dia, estamos muito ligados às tarefas materiais: trabalho, família, compromissos, preocupações, problemas, notícias, cansaço. Quando dormimos, o corpo descansa e o Espírito encontra certa liberdade.
Essa liberdade, porém, não é total como a desencarnação. O Espírito continua ligado ao corpo por laços fluídicos. Se algo acontece ao corpo, ele retorna. É como se o sono fosse uma breve pausa nas limitações mais pesadas da matéria.
Por isso, o sono pode ser uma bênção. Ele nos permite renovar energias, receber auxílio espiritual, reencontrar pessoas queridas e preparar melhor o coração para o dia seguinte.
E os sonhos?
Os sonhos são lembranças, às vezes confusas, do que o Espírito viu, sentiu ou viveu durante o sono. Mas nem todo sonho tem o mesmo valor.
Alguns sonhos são reflexos do corpo: má digestão, febre, cansaço, ansiedade, barulhos ao redor, preocupações do dia. Outros são construções da mente, misturando lembranças, medos e desejos. Há também sonhos que podem trazer impressões espirituais mais profundas, como conselhos, alertas, reencontros, consolações ou intuições.
A Doutrina Espírita nos convida ao equilíbrio: não desprezar tudo, mas também não transformar todo sonho em mensagem espiritual. É preciso bom senso.
Um sonho bom, sereno, que nos desperta sentimentos de paz, coragem, perdão e fé, pode deixar em nós uma inspiração elevada. Já um sonho perturbador pode revelar nossas inquietações, nossas companhias espirituais por sintonia ou a necessidade de oração e reforma íntima.
Com quem nos encontramos durante o sono?
Segundo o Espiritismo, durante o sono podemos nos aproximar de Espíritos encarnados e desencarnados. A sintonia é muito importante. Pensamentos bons atraem companhias melhores. Mágoa, revolta, vícios, ódio e pessimismo podem nos ligar a ambientes espirituais mais pesados.
É por isso que o momento antes de dormir merece cuidado. Muitas pessoas deitam o corpo, mas deixam a alma agitada. Dormem depois de discussões, excesso de telas, notícias violentas, pensamentos de raiva ou preocupação. O corpo pode até apagar, mas o Espírito segue carregando aquele clima interior.
O Evangelho Segundo o Espiritismo nos ensina a importância da vigilância, da oração, do perdão e da confiança em Deus. Esses ensinamentos também valem para a hora de dormir. A prece sincera acalma, eleva o pensamento e nos coloca em melhores condições para receber amparo espiritual.
O perdão também melhora o sono
Uma consciência pesada dificilmente encontra repouso profundo. Quando guardamos ressentimentos, culpas e irritações, levamos tudo isso para a noite. O corpo deita, mas a alma continua em conflito.
O Evangelho nos lembra que a reconciliação, a humildade e a caridade são caminhos de libertação. Antes de dormir, vale perguntar:
“Eu feri alguém hoje?”
“Guardei mágoa desnecessária?”
“Posso pedir perdão, ainda que em pensamento?”
“Posso entregar a Deus o que não consigo resolver agora?”
Essa revisão simples não deve ser feita com culpa, mas com sinceridade. Cada noite pode ser uma oportunidade de recomeço.
O sono como preparo espiritual
Dormir bem não é apenas uma questão de conforto. É também uma forma de cuidar da alma. Quem busca dormir em paz acorda mais fortalecido para servir, trabalhar, amar e enfrentar as provas do dia.
Às vezes, acordamos com uma ideia nova, uma vontade de melhorar, uma saudade serena, uma força que não sabemos explicar. Pode ser que, durante o sono, tenhamos recebido auxílio, consolo ou orientação. Mesmo quando não lembramos, o bem recebido pode permanecer em forma de coragem.
Por isso, o Espiritismo nos ensina a valorizar a noite como tempo de refazimento. O quarto pode se tornar um pequeno ambiente de paz. A cama pode ser lugar de descanso do corpo e elevação da alma. A prece pode abrir caminho para bons encontros espirituais.
Oito recomendações para uma boa noite de sono
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Faça uma prece simples antes de dormir.
Não precisa ser longa. Fale com Deus com sinceridade. Peça proteção, serenidade e bons pensamentos. -
Evite dormir com raiva.
Quando não for possível resolver uma situação, entregue a Deus. Diga mentalmente: “Senhor, ajuda-me a compreender e pacificar meu coração.” -
Escolha melhor o que consome antes de deitar.
Evite conteúdos violentos, discussões, excesso de notícias e telas agitadas. O Espírito leva para o sono o clima que alimentou antes de dormir. -
Faça uma breve revisão do dia.
Agradeça pelo que recebeu, reconheça onde poderia ter agido melhor e firme o propósito de recomeçar no dia seguinte. -
Peça ajuda aos bons Espíritos.
Com humildade, peça amparo espiritual, inspiração para suas decisões e proteção durante o repouso. -
Cultive pensamentos de gratidão.
A gratidão muda a vibração da alma. Mesmo em dias difíceis, procure uma pequena bênção para agradecer. -
Perdoe em pensamento.
O perdão nem sempre acontece de uma vez, mas pode começar com uma prece: “Deus, ajuda-me a libertar meu coração dessa mágoa.” -
Durma confiando na presença de Deus.
O sono é entrega. Ao fechar os olhos, lembre-se: o corpo repousa, mas Deus continua cuidando de tudo.
Que cada noite seja uma oportunidade de descanso, refazimento e aproximação com o bem. E que cada amanhecer nos encontre um pouco mais serenos, mais confiantes e mais dispostos a semear luz no caminho.
Referências bibliográficas
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira.
Especialmente: Parte 2ª, capítulo VIII — “Da emancipação da alma”; questões 400 a 412, sobre sono e sonhos.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira.
Especialmente: capítulos sobre prece, vigilância, perdão, reconciliação, caridade e confiança em Deus.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira.
Obra complementar para compreensão das relações entre encarnados e desencarnados e das influências espirituais.
FRANCO, Divaldo Pereira. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. O Homem Integral. Salvador: LEAL.
Referência complementar para reflexão sobre equilíbrio emocional, vida íntima e espiritualidade.
XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Pensamento e Vida. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira.
Referência complementar sobre pensamento, sintonia espiritual e educação da alma.






